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Segurança

Cacique é preso em reserva indígena

A operação Polícia Federal, Brigada Militar e Exército Brasileiro, reuniu mais de 200 homens das forças de segurança no cumprimento de 14 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão no interior de Benjamin Constant do Sul

Indígenas acompanharam o trabalho policial
Por Antonio Grzybowski
Foto Antonio Grzybowski

O clima era de tensão na Reserva Indígena do Votouro no fim da manhã de ontem (20), após a prisão preventiva do cacique Eliseu Garcia. Outros três indígenas também foram presos.Dois preventivamente por ordem judicial e um em flagrante por posse de arma de fogo.

 A Operação Terra Sem Lei, realizada em conjunto pela Polícia Federal, Brigada Militar e Exército Brasileiro, reuniu mais de 200 homens das forças de segurança e visava o cumprimento de 14 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão. Cães e detectores de metal também foram utilizados pelos agentes que iniciaram os trabalhos por volta de 6h da manhã e encerram as buscas às 12h na comunidade localizada às margens da ERS 487, interior do município de Benjamin Constant do Sul.

Os crimes investigados pela Polícia Federal são de homicídio, tentativa de homicídio, incêndio criminoso, rixa qualificada, organização criminosa, cárcere privado e tortura. O cacique e os outros dois homens com ordem de prisão foram recolhidos ao Presídio Estadual de Erechim. Sobre o homem preso em flagrante por posse de arma de fogo, não foi possível saber o destino, pois o crime é afiancável e até o fechamento desta edição o caso não havia sido encerrado.

O delegado da Polícia Federal, Mauro Vinícius Soares de Moraes, disse que a operação foi realizada dentro da normalidade e que não foram registrados casos de resistência por parte dos investigados. Sobre os mandados de prisão e busca e apreensão, ressaltou que os mesmos foram emitidos pela Justiça Federal, com base nas investigações iniciadas ainda no mês de março, a partir do homicídio de um indígena ocorrido dentro da reserva. 

"Posteriormente, em maio, o sobrinho do prefeito de Benjamin Constant do Sul foi morto na região, e o próprio prefeito foi mantido em cárcere privado e torturado, fatos que também passaram a ser objetos de inquérito da Polícia Federal", informou a assessoria de comunicação da Polícia Federal.
A disputa por poder na reserva também provocou a saída de pelo menos 18 famílias indígenas da comunidade. Em maio, um grupo ligado ao índio Vítor Hugo dos Santos, assassinado aos 22 anos no último mês de março, buscou refúgio em um terreno localizado entre os prédios da Justiça federal e Ministério Público Federal, em Erechim. Segundo um dos líderes a fuga da reserva foi motivada pela busca de segurança. Posteriormente, as mesmas famílias foram levadas para Passo Fundo e agora estão acampadas no interior do prédio da Funai, aguardando condições para a volta à reserva de Benjamin Constant do Sul.


Interrogatório
O cacique foi interrogado informalmente por mais de duas horas em uma sala da escola de educação infantil indígena que funciona no interior da reserva. A reportagem do Jornal Bom esteve no local e conseguiu apurar a informação que, inicialmente, Eliseu Garcia, alegou desconhecer "o tamanho da bronca". Diante do fato o delegado Mauro Vinícius Soares de Moraes, providenciou novamente a leitura do mandado expedido pela Justiça, onde o cacique é considerado mandante do caso de homicídio e dos demais crimes ocorridos na reserva.

O delegado Mário Luiz Vieira, que também participou da operação e do interrogatório, informou que o cacique negou a participação em todos os crimes, mas reconheceu que teria perdido o controle da situação na reserva diante dos inúmeros casos de violência registrados nos últimos dois anos.

Antes do cacique ser removido para o Presídio Estadual de Erechim, por volta de 11h45, um membro da polícia indígena foi autorizado a falar reservadamente com o cacique. O homem que se apresentou como "major Zaqueu", saiu emocionado do encontro e não conseguiu falar com a reportagem. Um outro indígena que se apresentou como "membro do conselho" e pediu para não ser identificado, disse estar preocupado com o futuro da reserva onde vivem aproximadamente 1500 pessoas. Com a prisão preventiva do cacique, ainda não se sabe quem irá assumir o comando da reserva, pois o vice-cacique já havia sido afastado da função por suspeita de envolvimento nos mesmos crimes.

No momento em que a viatura com o cacique preso deixava o local, diversos indígenas se posicionaram em um barranco ao lado da estrada. Além de gestos de protestos com as mãos, muitos gritavam contra os policiais que saíram da reserva em um grande comboio.

Para garantir a segurança e a ordem, equipes da Polícia Federal, Brigada Militar e do Exército irão ficar de prontidão no interior da reserva até segunda ordem. A meta inicial é prender pelo menos mais três homens que conseguiram fugir e estariam refugiados em um mato nas proximidades da reserva.

*Com informações da assessoria de comunicação da Polícia Federal

 

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