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Rural

“Chegamos até aqui com muita garra e coragem”

Faltam incentivos para as agroindústrias, afirma Ivo Antônio Andreolla

Ivo Antonio Andreolla
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

A agroindústria de panifícios Andreolla é fruto de desafio, muito trabalho e da vontade de fazer alimentos. Hoje, além da produção de pães, cucas, bolachas, doces, tortas, a família tem a Cantina Andreolla e trabalha com turismo rural na Linha Paca em Erechim.

Segundo Ivo Antônio Andreolla todas as atividades da cantina e da produção da agroindústria são realizadas pela família. A agroindústria existe há 15 anos, o café colonial do turismo rural há cinco anos. “Na agricultura familiar é inviável pagar funcionários, se não for familiar se torna inviável”, explica.

Ivo lembra que tem origem no campo e antigamente trabalhava na lavoura, mas em função das demandas e da dificuldade em produzir em terra dobrada, com muito morro, a alternativa foi investir na ideia de sua esposa, que gostava de fazer pães e doces. “Saímos vendendo na cidade e está dando certo”, observa. Há 13 anos, a agroindústria comercializa seus produtos na Feira do Produtor.   

Conforme Ivo, as vendas caíram bastante nos últimos meses, “reflexo da crise que chegou em alta para nós. Vamos trabalhando e enquanto der para viver está bom”, comenta.  

Ele ressalta que a fiscalização é muito rigorosa hoje em dia, isso dificulta e aumenta o custo de produção da empresa, tornando quase inviável o negócio. “A fiscalização é muito rígida, concordo com a fiscalização, tem que existir, mas para levar torta e bolo até a cidade tive que investir R$ 70 mil”, observa.  

E, acrescenta, “diluindo isso aqui eu vou demorar quantos anos para tirar R$ 70 mil para levar três tortas por semana? É inviável. E se eu quero continuar no mercado tenho que fazer. Não tem outra forma”.

Para Ivo, que paga os impostos em dia, faltam incentivos para as agroindústrias, os pequenos negócios, que não tem como competir com as grandes empresas de alimentos. A fiscalização tem que existir, mas tem que ser adequada à realidade da pequena empresa. “Tem que ser uma cobrança equilibrada, de acordo com produção familiar, da agroindústria. Essa situação tem que mudar para fortalecer a agroindústria”, afirma.

De acordo com Ivo, a sua história é positiva, marcada por muitas dificuldades, mas ele sempre soube encarar a realidade. “Chegamos até aqui com muita garra e coragem. Mas tem que gostar do que se faz”, salienta.

O experiente Ivo diz que é necessário aprender com o público, atender bem os clientes, mostrar ao consumidor que o produto é diferente, familiar, estar aberto para aprender coisas diferentes. Ivo parabeniza os agricultores e os motoristas, avalia que o momento não está fácil, mas “vamos ter um futuro melhor”.

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