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Segurança

Homem que matou duas mulheres vai a júri popular

Duplo feminicídio que ocorreu 2017 vitimou mãe e filha no Bairro Castelo Branco

Amauri Borba Schorn está preso e foi sentenciado ao júri popular
Por Antonio Grzybowski - jornalismo@jornalbomdia.com.br
Foto Arquivo

O homem que matou duas mulheres será julgado pelo Tribunal do Júri da Comarca de Erechim. A sentença de pronúncia contra Amauri Borba Schorn (31), assinada pelo juiz Marcos Luis Agostini, foi divulgada no mês passado e também determina que o réu aguarde o julgamento, ainda sem data marcada, recolhido no Presídio Estadual de Erechim.
O duplo crime de feminicídio ocorreu no dia 24 de setembro de 2017 na Rua Alberto Marchesin, Bairro Castelo Branco, periferia de Erechim. De acordo com a investigação policial, Amauri matou a tiros a ex-companheira Fabíola Tluczc, (24) e a ex-sogra Geneci Tluszc (49). O réu invadiu a casa onde mãe e filha moravam e efetuou os disparos no interior da residência onde estavam as vítimas.
A delegada Raquel Kolberg, titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM), comandou a investigações. Na época a Polícia Civil apurou que a motivação para o crime teria sido provada por ciúmes e possessividade. Antes de ser morta, Fabíola teria realizado um registro policial pedindo meditas protetivas contra Amauri, que alegou temor de ser preso para justificar as mortes que ocorreram na frente da filha do casal que estava separado. Na época dos crimes a criança tinha apenas 6 anos de idade.
Amauri respondia em liberdade por um homicídio ocorrido em 2013 e cumpria prisão domiciliar. Após matar as duas mulheres o acusado fugiu para a casa de parentes e foi preso no dia 29 de setembro do mesmo ano na cidade São Leopoldo. A Polícia Civil descobriu o paradeiro do réu após constatar que ele teria recebido o apoio da sua atual companheira para a fuga. Samara de Paula Loraschi chegou a ser presa mas não será submetida ao júri popular. O juiz acolheu a tese de defesa que alegou não haver "indícios de participação nos crimes". A prisão foi revogada e a suspeita foi libertada no dia 11 de abril deste ano.
Na denúncia apresentada pelo Ministério Público, Samara figura como a mulher que foi até a casa das vítimas para conversar com Fabíola. No momento em que a vítima abria a porta da casa, Amauri teria invadido a moradia e efetuado os disparos. Na mesma denúncia consta que Samara e Amauri fugiram do local a bordo do veículo Mercedes C200.
Durante a fase de instrução processual Amauri e Samara prestaram depoimento. O réu admitiu que estava embriagado no dia do crime e negou que tenha sido levado por Smara até o local. Admitiu que efetuou os disparos contra a ex-companheira e a ex-sogra e alegou que estava sendo ameaçado pela vítima. A filha do casal também foi ouvida e relatou detalhes do crime. Também recordou que, por medo de ficar sozinha na residência com a mãe e avós já mortas, pediu para ser levada junto pelo pai. Amauri também disse que ameaçou matar Samara se a mesma não lhe ajudasse na fuga.
O juiz manteve a qualificadoras apresentadas na denúncia do Ministério Público. Desta forma, além do duplo feminicídio, Amauri vai responder pelos agravantes de praticar os crimes por motivo torpe e pelo uso de meios que dificultaram a defesa das vítima. Por fim, "cumpre mencionar que feminicídio ocorre por 'razões da condição de sexo feminino', isto é, quando se menospreza e desconsidera a dignidade da vítima enquanto mulher", sentencionou o juiz no despacho final da sentença de pronúncia.

 

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