O apreço pela atuação na agropecuária, a vivência morando no interior durante a infância e a boa colocação do irmão no mercado de trabalho após a conclusão dos estudos na instituição. Estas foram algumas das motivações que fizeram o jovem Fernando Bartzsch ter escolhido o Colégio Agrícola Ângelo Emílio Grando para sua formação após o ensino fundamental. Prestes a concluir o ensino médio e o curso técnico em Agropecuária, o aluno visualiza duas possibilidades após o término dos estudos: "Ou seguir cursando Agronomia, que é uma área que gosto muito e, se não for possível, buscar o mercado de trabalho que tem vagas praticamente garantidas para quem tem formação nessa área e boa vontade para atuar", resume.
As motivações e perspectivas do jovem de 18 anos são comuns a boa parte dos mais de 150 alunos que hoje estudam no Colégio, localizado no bairro Agrícola, em Erechim. Vindos, na maioria dos casos, de cidades vizinhas ao município, veem através da instituição a possibilidade de concretizarem suas perspectivas no futuro, seja atuando nas propriedades rurais, em empresas do agronegócio ou, ainda, buscando formação superior em cursos como Medicina Veterinária e Agronomia.
O colégio iniciou sua história no ano de 1960 e, desde então, consolidou-se como uma referência na formação de jovens da região e até mesmo de outros estados. Com formação integral, atualmente conta com 80 alunos em regime de internato e 70 em semi-internato. O diretor e o vice-diretor da instituição, Delomar Ceron e Rudimar dos Santos, explicam que em um período de três anos e meio o aluno conclui o curso Técnico em Agropecuária integrado ao ensino médio. "Depois dos três anos de aulas, o aluno faz mais 400 horas de estágio em empresas de agronegócio da região. Depois desse estágio recebem o diploma de técnico agropecuário com direito a registro no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), o que abre aos estudantes um campo de atuação bastante amplo", resume Ceron.
Boa colocação no mercado de trabalho
A coordenadora pedagógica, Thais Tormen, complementa que o Colégio acaba sendo uma opção também pelo fato de o estudante concluir o ensino médio já tendo uma formação em uma área com boas perspectivas de colocação profissional. "Muitos veem a trajetória em uma graduação como um caminho muito longo, então optam pelo curso técnico integrado ao ensino médio. Além disso, o retorno financeiro logo após a conclusão dos estudos é outro ponto que chama atenção dos alunos, pois muitos após o estágio são efetivados com salários mais altos em relação a outros jovens de mesma idade, por ocuparem, inclusive, cargos de chefia", pontua.
Prova disso são os dados do primeiro semestre do ano passado, quando a maioria dos estagiários garantiu atuação seja no mercado de trabalho por meio da efetivação, seja atuando nas propriedades rurais, ou ainda buscando o ensino superior. Neste sentido, Ceron ressalta ainda que a opção pela sequência dos estudos está ligada à ampliação da possibilidade de acesso ao ensino superior com a vinda de universidades públicas e também a oferta de cursos noturnos ligados à área, os quais permitem que o jovem concilie trabalho e faculdade.
Unidades educativas de produção
Segundo o professor e coordenador de produção, Aldinei Pogorgelski, para desenvolver os componentes curriculares da área técnica, o colégio conta com 12 unidades educativas de produção: Administração e economia rural; Agroindústria, Avicultura, Culturas, Desenho e Topografia, Ervas Medicinais, Fruticultura, Irrigação, Jardinagem, Olericultura, Nutrição Animal e Silvicultura.
Opção pela instituição
Aos 17 anos, Eduardo Barcarollo é aluno do segundo ano no Colégio Agrícola. Vindo de Erval Grande, foi incentivado pelo pai e optou por fazer o ensino médio na instituição. "Temos um espaço de terra para trabalhar e o meu pai achou importante que eu soubesse como cuidar. Além disso, a opção de se formar no ensino médio e já ter uma profissão também pesou bastante para a decisão", salientou.
Já a estudante do terceiro ano, Jordana Gnass, de 19 anos, optou por estudar no Colégio por se interessar pela área desde a infância. Moradora do interior de Paulo Bento, ela se desloca diariamente para estudar na instituição. "Hoje vejo o colégio como uma base para várias áreas, e minha perspectiva depois de me formar é encontrar um bom emprego e continuar me especializando nesta área", completa.