Publicidade

Rural

“Vai faltar lenha”

Preço da lenha não é reajustado há sete anos, valor está em torno de R$60 o metro estéril

Alto Uruguai em torno de 20 mil hectares de eucalipto e quatro mil de pinus
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Edson Castro

Daqui a quatro ou cinco anos o Alto Uruguai pode ficar sem lenha se novas áreas de reflorestamento não forem implantadas. A região é uma das poucas no estado que ainda tem madeira, produção e área plantada, no entanto, tem um consumo muito elevado, cerca de dois mil hectares por ano. Essa é a constatação de um levantamento realizado pela Emater/Ascar, segundo Luiz Ângelo Poletto, engenheiro agrônomo e assistente técnico regional em Sistemas de Produção Vegetal.

Poletto explica que o Alto Uruguai é uma das poucas regiões que ainda tem madeira, produção e área plantada, no entanto, tem um consumo muito grande. “Nos últimos anos sete anos não foi mais plantado nenhuma área praticamente. Temos hoje no Alto Uruguai em torno de 20 mil hectares de eucalipto e quatro mil hectares de pinus. Os municípios que mais têm reflorestamento são Erval Grande, Aratiba, Erechim, Floriano Peixoto e Itatiba do Sul”, explica.

O agrônomo observa que hoje se retira mais de dois mil hectares por ano de madeira na região, que vai para serrarias, produção de cavaco, entre outras finalidades. “Só a Olfar consome em torno de 450 metros cúbicos estéril de lenha, que dá mais ou menos 900 metros cúbicos de cavaco por dia, para abastecer a indústria”, comenta.

Poletto afirma que a região tem ainda madeira, mas as áreas precisam ser bem manejadas. “A gente está fazendo um trabalho em cima disso com objetivo do agricultor manusear bem a floresta para ganhar dinheiro com a tora e também utilizar a lenha da retirada do desbaste. Depois de 15 anos utilizar o eucalipto para tora e no caso do pinus após 22 anos”, salienta.

Ele comenta que as serrarias da região têm mercado para comprar eucalipto para tora. A situação é um pouco diferente para o pinus, já que é um produto pouco consumido na região. Para explorar a área plantada de pinus haveria necessidade de instalação de uma indústria de porte para produzir e exportar.

Conforme Poletto, o agricultor não está plantando árvores devido à falta de mão de obra, porque é uma cultura de longo prazo e também pelo baixo preço pago ao produto. “O preço da lenha está igual ao de sete anos atrás, em torno de R$60 o metro estéril”, salienta.

Um dos fatores para o preço estar sem reajuste é a entrada de lenha, no mercado local, de outras regiões do estado, principalmente de Fontoura Xavier local, local com muita floresta que não tem indústria para absorver a produção. “Essa madeira está vindo para cá e tem feito o preço da lenha baixar”, afirma.

A situação do reflorestamento no estado também não é confortável, já que o Rio Grande do Sul tem 800 mil hectares de área plantada, sendo que 320 mil hectares são de área própria ou arrendada para indústria de celulose.

Poletto enfatiza que a situação do Alto Uruguai é preocupante. “Vai faltar lenha. Ou se acha outra fonte de energia para as indústrias locais ou se começa a plantar”, ressalta.

No momento, o cenário não é muito positivo para a madeira, o pinus não tem consumo e o eucalipto para tora “o preço não é ruim, o problema é o valor para a lenha”, destaca. O agrônomo observa que o pinus plantado na região já tem mais de 15 anos, são áreas muito boas que não valem a pena ser derrubadas agora. “Fazer o manejo correto da floresta e esperar para ganhar dinheiro”, comenta.  

Depois de implantado demora cerca de sete anos para a cultura da madeira para lenha começar a dar retorno. Conforme Poletto, o recomendado é fazer o plantio das árvores em recostas ou consorciar nos potreiros onde se cria o gado.

O agrônomo da Emater observa que em breve deve ser lançado um plano para incentivar o reflorestamento com parceria dos grandes consumidores da região. “Se está estudando estratégias e incentivos para o agricultor voltar a plantar”, conclui.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas