A partir deste fim de semana Erechim deve receber mais de 60 estrangeiros que vivem atualmente em diversas regiões do país. O motivo é a realização do Celpe-Bras, exame que possibilita a Certificação de Proficiência em Língua Portuguesa e será ministrado de segunda (1º) a quinta-feira (4) na URI. A universidade é uma das poucas no país e única instituição particular credenciada junto ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira para aplicar a prova.
Coordenadora do posto do Celpe-Bras da URI, a professora Elcemina Lucia Balvedi Pagliosa, que é doutora em Linguística, explica que o exame é desenvolvido e outorgado pelo Ministério da Educação (MEC). “Este exame é o único reconhecido oficialmente pelo governo brasileiro para certificação de proficiência em português. Ele é feito por pessoas que vêm de outros países seja para estudar ou trabalhar, que precisam comprovar seu conhecimento na língua portuguesa”, explica, ao ressaltar que o exame é aceito em empresas e instituições de ensino como comprovação de competência na língua portuguesa e no Brasil é exigido pelas universidades para ingresso em cursos de graduação e em programas de pós-graduação, bem como para validação de diplomas de profissionais estrangeiros que pretendem trabalhar no país.
Sistemática da prova
Conforme informações adiantadas pela URI, os participantes da prova do Celpe-Bras estão atuando em dez estados brasileiros e são originários de 20 países, sendo 25 de Cuba; seis da Síria; cinco de Senegal; quatro do Paquistão, três do Haiti; um do Líbano e outro de Camarões, além de participantes de outras nacionalidades. Entre eles, profissionais das mais diversas áreas. “A maioria são médicos (23), do “Programa Mais Médicos”, mas temos também engenheiros, comerciantes, tradutores, autônomos e estudantes”, informou Lúcia.
Para serem aprovados, os candidatos participarão de uma prova escrita, na segunda-feira pela manhã, no Centro de Pós-Graduação. Já à tarde, se prolongando até quinta-feira, todos passarão por uma prova oral, individual. “O exame vai avaliar as quatro aptidões básicas, que são ouvir, falar, escrever e ler”.
Conforme a professora Lúcia, os inscritos preencheram formulários previamente para realização da prova. “Nestes formulário eles destacam quais são suas áreas de atuação e motivação para o país. Munidos destas informações, temos ferramentas para também fazer as provas orais, que têm, em média, duração de 20 minutos. Os cinco primeiros são destinados a uma breve conversa sobre os objetivos deles no país, até mesmo para ambientá-los e deixá-los mais tranquilos, para em seguida nos 15 minutos restantes, partirmos para a segunda parte da prova oral”, pontua.
Neste sentido, a professora destaca a importância das informações que os inscritos repassaram nos formulários, uma vez que há diferentes particularidades entre os participantes do exame. “Assim como alguns vieram com aspirações profissionais, há alguns que vieram ao Brasil fugidos da guerra, como sírios, por exemplo. Com estas informações, durante a prova oral, podemos evitar perguntas que causem desconforto, visto que há alguns relatos muito fortes e tocantes”, pondera professora, que esteve em Brasília em julho para um encontro dos coordenadores da certificação.