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Ensino

Um olhar sobre o bullying

Pesquisa da ONU revelou que metade das crianças do mundo já sofreu com o problema

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Bullying
Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação

Em todo o mundo, metade dos estudantes com idades entre 13 e 15 anos de idade – cerca de 150 milhões de jovens – já foram vítimas de violência por parte de seus colegas. Episódios de agressão aconteceram dentro e fora do ambiente escolar. Entre a faixa etária analisada, pouco mais de um em cada três alunos sofre bullying. A mesma proporção está envolvida em brigas corporais. Em 39 países ricos, três em cada dez estudantes admitem ter praticado bullying com seus colegas. Este é o cenário apontado por um relatório divulgado recentemente pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da ONU.

Em paralelo a isso, o caso recente do tiroteio em uma escola no Paraná, em que estudantes - supostamente motivados por bullying - tinham como alvo colegas, também reacendeu o já recorrente tema da violência. Mas, afinal, como tratar esta questão? A psicóloga Débora Haupenthal explica que, em primeiro lugar, é preciso ter claro o que é o bullying. “Utiliza-se muito este termo no campo do senso comum, mas é preciso antes de tudo entender o que ele é: Considera-se bullying qualquer agressão física ou psicológica intencional e repetitiva praticada por um grupo ou uma pessoa contra uma vítima que não tenha condições de se defender”, resume.

Neste sentido, ela destaca que a criança e adolescente são mais suscetíveis, porém, alerta para o fato equivocado de a prática estar, na maioria das vezes, ligada ao ambiente escolar. “O bullyung pode ocorrer em qualquer ambiente onde convivem pessoas, seja nas relações sociais, no local de trabalho ou outro ambiente qualquer. Infelizmente hoje se propaga a ideia de que ele acontece no ambiente escolar, talvez por se tratar de um local que reune um público mais suscetível”, explica.

Consequências e possibilidades de solução

Questionada sobre as consequências para quem sofre com o bullying, Débora ressalta que podem ser tanto imediatas, a exemplo dos danos físicos causados por agressões, quanto a longo prazo, como os danos morais. “As sequelas emocionais e psicológicas são as mais preocupantes, pois podem interferir negativamente na vida da vítima por um longo tempo. Essas pessoas podem desenvolver problemas de autoestima, fobia, depressão, transtorno alimentar... coisas que se não tratadas podem perdurar”, explica.

Neste sentido, a profissional elenca a importância de estar atento a comportamentos que podem sinalizar a prática do bullying. “Um sujeito que apresente sintomas de tristeza, apatia, resistência em ir à escola, medo, isolamento social e queda no desempenho escolar, por exemplo, merece uma atenção especial, pois são indícios. Com essa percepção as pessoas no entorno podem traçar uma maneira de trabalhar as questões de empatia. No caso específico das escolas, iniciativas que visem a conscientização, o favorecimento de um ambiente positivo e de iniciativas mais lúdicas que possam estimular a cooperação”, pondera.

Assim, a psicóloga reforça a importância de trabalhar o tema no sentido de conscientizar de que a prática do bullying é errada, com trabalhos de prevenção e rejeição à violência. “Também é importante que essa conscientização transcenda o ambiente da escola, que chegue ao ambiente familiar, no círculo de amigos. Assim é mais fácil que se desenvolva uma consciência mais empática”, reitera ao destacar a importância de campanhas educativas e preventivas sobre o tema.

Exemplo positivo

No caso das escolas estaduais do RS, uma iniciativa tem sido responsável por mapear e buscar soluções para conflitos escolares, incluindo o bullying. Trata-se do Programa Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Violência Escolar (Cipave). Por meio dele, são traçadas ações no sentido de mudar o cenário da violência de acordo com os números apontados trimestralmente.

Além disso, todas as escolas da rede contam com suas próprias comissões internas responsáveis por mediar conflitos. Por meio delas são incentivadas ações com o intuito de esclarecer sobre temas ligados à prevenção da violência escolar. Um exemplo foi a atividade “Consciência em ação”, realizada pelos alunos dos 6° e 7° anos do Colégio Estadual Haidée Tedesco Reali, com as turmas do 1° ao 4° ano. A iniciativa trabalhou assuntos relacionados ao bullying, setembro amarelo, drogas, amizade e redes sociais.

 

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