O começo do ano letivo está repleto de incertezas para cerca de 120 estudantes que se matricularam nos cursos técnicos do Colégio Estadual Haidée Tedesco Reali. A dúvida se justifica considerando que em pouco menos de 15 dias para o início das aulas, a instituição recebeu uma notificação da Secretaria da Educação do Estado do Rio Grande do Sul (Seduc) informando que o ensino profissional não foi autorizado pelo governo do Estado.
A luta pela manutenção dos cursos tem se tornado comum nos últimos anos, conforme relatou com exclusividade ao Jornal Bom Dia, o presidente do Legislativo, Alderi Oldra. "No fim de 2017 o Estado também não autorizou a abertura das turmas, mas isso movimentou setores para garantir o desenvolvimento dos cursos, tais como a Unindústria, Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim (Accie), empresas da cidade, os poderes Executivo e Legislativo, a Associação de Municípios do Alto Uruguai (Amau) e a direção da escola, e conseguimos reverter o quadro, viabilizando as aulas para fevereiro de 2018", destaca o vereador.
Para o calendário escolar deste ano, os processos iniciaram em novembro de 2018. "A Secretaria Estadual de Educação (Seduc) abriu a chamada para emissão de editais. Esse processo incluía todas as etapas da educação básica, entre elas, o ensino técnico. O colégio elaborou o edital para que as pessoas pudessem se inscrever. Com isso, a notícia recebida nesta semana nos surpreendeu, afinal foi um processo provocado pela Seduc e acredito que os estudantes têm direito de cobrar que o Estado possa garantir a manutenção e o andamento dos cursos em 2019", complementa Oldra.
De acordo com o presidente do Legislativo, o prefeito Luiz Schmidt e o secretário do desenvolvimento Econômico, Altermir Barp estão tentando agendar um encontro com o governo do Estado para fortalecer a importância desses cursos para a Amau, considerando que recebe estudantes de diversos municípios.
Processo foi feito pelo sistema estadual
Para o diretor do colégio, Darlan da Rocha, o impasse demonstra certa incoerência do secretário estadual de Educação, Faisal Karam. "Em entrevistas, o secretário apresenta o ensino técnico como uma de suas prioridades, contudo, na prática, não está viabilizando os cursos no Haidée. Foi um processo todo feito por meio do sistema on-line da Seduc, o colégio não interferiu em nada, apenas realizamos as matrículas. Agora estamos nesse impasse, depois de organizar o calendário, a estrutura com laboratórios e os professores, os estudantes criaram expectativas e talvez não poderão cursar", pontua.
O período de inscrições iniciou em outubro, ofertando vagas em três cursos divididos em cinco turmas: eletrotécnica, mecânica e contabilidade. As formações eram direcionadas aos estudantes do ensino médio que poderiam realizá-los de forma integrada ou a aqueles que já concluíram a educação básica.
O que diz a Seduc
Procurada pela reportagem do Bom Dia, a Seduc emitiu uma nota indicando o posicionamento do governo estadual:
"O Colégio Estadual Haidéé Tedesco Reali manteve por cinco anos um termo de cooperação com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), instituição que garantia condições para a realização das aulas práticas exigidas nos cursos técnicos de Mecânica e Eletrotécnica da Instituição. Após o encerramento do convênio, em dezembro de 2017, O Senai garantiu ainda por um ano a realização das aulas práticas, até a formação de todos os estudantes.
Desde novembro de 2017 a Escola não possui autorização da Secretaria de Educação para o oferecimento de novas turmas sem a garantia da realização das atividades práticas. Em relação as matrículas ofertadas pela Instituição em 2019, a Seduc informa que fará uma análise da situação para a mais breve resolução do caso", informa a nota da Seduc.