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Ensino

Nas escolas: comunicação para prevenir tragédias

O conselho é da psicóloga erechinense, Débora Cidade

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Débora Cidade
Por Amanda Mendes
Foto Amanda Mendes

A tragédia que aconteceu na Escola Estadual Raul Brasil, no dia 13 de março, deixando oito vítimas fatais e cerca de 11 pessoas feridas, marcou a história do País e revela a importância do cuidado com a saúde mental dos estudantes. Para a psicóloga erechinense, Débora Cidade, a comunicação é a melhor alternativa para prevenir episódios como esses, considerando que permite acompanhar a situação psicológica das crianças e adolescentes. 

Débora explica que os fatos divulgados até o momento mostram certa fragilidade na condição psíquica dos agressores, "em um deles notou-se a questão de agressividade, pois "descontou" nos outros alunos (por meio dos assassinatos) e em si mesmo, o sentimento de como se estivesse se punindo pelo que fez. Com essa atitude os atiradores poderiam estar desestruturados mentalmente", argumentou. 
A psicóloga analisa que o massacre pode ter sido resultado de um histórico delicado com problemas de relacionamentos interpessoais. "Isso pode envolver um distanciamento entre os familiares e amigos, acabando por se isolar e assim levar a atos de violência. Não conseguiram lidar com seus sentimentos, não expressaram em palavras, mas sim em atitudes cruéis, pois pode ter sido um ato de demonstrar que não estavam bem, e não tinham mais controle da situação", avaliou.
Para Débora, a saúde mental desestruturada não justifica o crime, contudo, mostra que a todo momento esses estudantes podem ter emitidos sinais demonstrando que estavam em situações das quais precisariam de apoio, "essa atitude por ter sido uma ação de pedir 'socorro' com relação a esse momento difícil. É válido compreender que isso não surgiu do nada, mas sim de momentos que eles passaram, vivenciaram", pontuou. 
 

Real e virtual
O envolvimento com jogos eletrônicos e grupos na Internet que reforçam o discurso de ódio pode ter influenciado o planejamento do ataque. A psicóloga acredita que o acesso a essas ferramentas sinaliza uma maneira de "fugir" dos problemas que eles estavam vivendo. "Muitas vezes a insegurança ou o medo de enfrentá-los acaba projetando essas emoções em ações negativas tanto no mundo virtual como no real", analisou. 
 

Diálogo 
Débora explica ainda, que ter a saúde mental saudável significa que o indivíduo aceita de forma natural as dificuldades e exigências da vida, "assim como saber lidar bem com as emoções, sejam elas boas ou ruins, reconhecendo seus próprios limites, sabendo até quando precisa de ajuda", pontuou. 
Portanto, os familiares, pais e responsáveis devem assumir o compromisso de cuidar da estrutura psíquica na formação das crianças e adolescentes. "É importante que eles possam acompanhar o que está acontecendo com os estudantes, ficar atentos às atitudes, conversar sobre diversos assuntos, estar presente para que ele sinta que está amparado", afirmou. 
A alternativa para evitar esses comportamentos é o diálogo. "A comunicação é a chave para diagnosticar essas lacunas. Em casa é preciso ter uma boa conversa com o adolescente, procurar saber o que ele está vendo na Internet, comentar sobre o que acha interessante e interagir com ele. Sugere-se ainda, um acompanhamento psicológico contínuo e próximo nas escolas. É necessário saber como eles estão se sentindo em relação ao mundo e às situações diárias, sendo uma estratégia eficiente de prevenção", reforçou a psicóloga.
A presença de um psicólogo no contexto escolar também é uma demanda que a Débora defende, "é muito importante para este processo de escuta e orientação com os adolescentes, pois assim, eles poderão falar e expressar o que estão sentindo e ter apoio para refletir sobre as suas atitudes. Mas sabe-se que na maioria das escolas públicas não há este profissional, então ficamos na torcida para que esse fato motive políticas que garantam um psicólogo nas instituições de ensino", finalizou.   

 

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