21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Ensino

"Inclusão não se faz sozinha"

Esse é o posicionamento da professora do Atendimento Educacional Especializado (AEE) da Escola Municipal Luiz Badalotti, Leandra Kalles. Para ela, é necessário promover um trabalho integrado entre família, escola e setores da Saúde, para melhorar a socialização e aprendizagem de estudantes com autismo

teste
Na Escola Municipal Luiz Badalotti, os estudantes com autismo participam de atividades em salas mult
Por Amanda Mendes
Foto Amanda Mendes

Esse é o posicionamento da professora do Atendimento Educacional Especializado (AEE) da Escola Municipal Luiz Badalotti, Leandra Kalles. Para ela, é necessário promover um trabalho integrado entre família, escola e setores da Saúde, para melhorar a socialização e aprendizagem de estudantes com autismo. 
Hoje (2), data que se comemora o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, a reportagem do Jornal Bom Dia traz análises de órgãos da Educação sobre a inclusão desses alunos em instituições de ensino. Leandra argumenta que o primeiro passo é reconhecer que todas as pessoas são únicas e essa característica tão peculiar não é diferente na comunidade autista. 
Para a professora que atua nas salas multifuncionais, o principal desafio é conhecê-los e perceber quais metodologias pedagógicas são mais eficazes. "Precisamos perceber o jeito de cada um, suas preferências, bem como, os fatores que causam crises. A partir disso vamos identificar se sua aprendizagem é mais musical ou visual e assim, desenvolver um plano de trabalho. Algumas crianças, por exemplo, têm dificuldades com alterações de rotina, improvisação e isso poderá refletir em seu comportamento tanto em casa quanto na escola", destacou. 
A escola, que atende 12 estudantes com autismo, conta com duas salas de AEE, proporcionando atividades no contraturno divididas entre quatro professoras, tanto de manhã quanto à tarde. Contudo, esses estudantes possuem uma rede de apoio extensa. "Eles estão incluídos nas salas regulares e a rotina escolar é acompanhada pelas professoras regentes e bidocentes, que realizam um trabalho integrado com toda a turma, mas com atenção prioritária aos estudantes com autismo", reforçou Leandra. 
O objetivo é a socialização, sem desconsiderar as características de cada aluno. "Antes de tudo precisamos conhecer eles. Nesses momentos priorizamos o atendimento individual, no entanto, para a inclusão ser efetiva eles precisam desenvolver as relações sociais, por isso é tão importante a presença deles em sala de aula e nas multifuncionais que o trabalho seja em dupla ou grupo", relatou a professora. 
O ideal é que esse trabalho seja realizado da forma mais abrangente possível, incluindo os setores da saúde. "Aqui nós temos uma rede de apoio bem intensa, podemos atender cada estudante priorizando-o, porque a equipe da escola nos auxilia e não precisamos ficar preocupadas com os outros. Ainda estamos "caminhando" com relação a inclusão, mas acredito que quanto mais o trabalho for unido, os resultados serão melhores, considerando que às vezes a abordagem psicológica pode ajudar no processo de aprendizagem, bem como, um comportamento no ambiente escolar pode melhor a terapia, por exemplo", concluiu, citando ainda, que há trocas entre os professores regentes, bidocentes e as de AEE, como também, com orientação aos pais e familiares. 
Para a vice-diretora, Marilei Zomin, a ideia é construir um trabalho integrado. "Não se pode elaborar esse planejamento fragmentado, essas trocas são essenciais para garantir a aprendizagem", reforçou, comentando que o principal desafio repousa nas alterações que demandam adaptação dos estudantes. "No início dos anos letivos é complicado, porque às vezes trocam todos os professores e eles precisam se reorganizar nesse cenário", complementou. 
Os atendimentos no contraturno sempre observam as agendas dos alunos, considerando que eles possuem consultas clínicas e muitos deles também participam da Associação Aquarela pró-autista de Erechim. 

Para além dos espaços escolares 
De acordo com a pedagoga da Aquarela, Neiva Sabedot, a inclusão deve transcender os limites dos muros das escolas e só acontecerá a partir das atitudes das pessoas. "No dia a dia percebemos de uma maneira bem significativa o preconceito das pessoas. Quando realizamos atividades as pessoas nos olham de forma diferenciada. Elas têm uma ideia erronia da inclusão, reduzindo ao 'estar na escola', mas isso não significa que os autistas estão de fato incluídos", argumentou. 
Atualmente, a Aquarela atende cerca 38 pessoas com idade de três até 35 anos e uma fila de espera com mais de 40 crianças. Os desafios ainda são muitos, "as escolas estão tentando se adaptar, no entanto, incluir é muito mais que obras arquitetônicas, passa também por uma adaptação curricular, formação continuada dos professores e de toda comunidade escolar", concluiu.
 

Cenário na rede municipal 
De acordo com a coordenadora da Educação Inclusiva da Secretaria Municipal de Educação, Marilene Pizarro, o órgão atua pautado na Política Nacional de Educação Especial, com objetivo de proporcionar o acesso, a participação e a aprendizagem dos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. "Nós orientamos os sistemas de ensino promover respostas às necessidades educacionais especiais, garantindo a transversalidade em todos os níveis, o atendimento educacional especializado, a formação de professores e profissionais da área, a participação da família e da comunidade e, a acessibilidade, mobilidade e equipamentos, nos transportes, na comunicação e informação", argumenta, citando que todas as escolas têm capacidade para dar suporte aos estudantes, "seja na infraestrutura das escolas (rampas, sinais, elevadores, entre outros aspectos) e na capacitação dos profissionais que atendem diariamente os estudantes", garantiu.
 

Rede estadual 
Conforme a assessora da Educação Especial da 15ª Coordenadoria Regional de Educação, Rosane Garcia, nos últimos dois anos foi registrado um aumento significativo de estudantes com autismo. "A rotina escolar é acompanhada pelos professores regentes, monitores e os professores das salas multifuncionais. Contudo, a inclusão só será uma realidade quando todos os setores que trabalham com essas pessoas dialogarem. Na rede estadual temos uma troca com profissionais da Saúde, os quais também oferecem suporte à aprendizagem destes alunos", concluiu. 

 

Publicidade

Blog dos Colunistas

;