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Erechim

Feira do Peixe Vivo inicia hoje

Em Erechim apenas um produtor é autorizado a comercializar o peixe vivo. A equipe de reportagem do Jornal Bom Dia foi conhecer um pouco mais sobre o trabalho de produção de peixes

Produção que iniciou em janeiro chega aos consumidores nesta terça-feira (16)
Vonei Kuskoski é único produtor autorizado a comercializar o peixe vivo em Erechim
Por Amanda Mendes
Foto Amanda Mendes/Igor Muller

Os preparativos para a Semana Santa já iniciaram. O período que a igreja católica celebra a paixão, morte e a ressureição de Jesus é marcado pela prioridade ao consumo de peixe, que segundo a tradição, simboliza vida e fé, principalmente na sexta-feira. Em Erechim, começa hoje (16) a comercialização do peixe vivo, na Feira do Produtor, localizado na Rua J. B. Cabral. 
No município apenas um produtor é autorizado a comercializar o peixe vivo. A equipe de reportagem do Jornal Bom Dia foi conhecer um pouco mais sobre o trabalho de produção de peixes.
Vonei Kuskoski explicou à reportagem que o processo possui diversas etapas e dura meses até chegar à feira. "Há um tempo, muitos mercados tinham uma caixa com água e o peixe vivo, contudo, atualmente não existe mais por um motivo: o peixe apresenta mais de 100 tipos de doenças e para chegar até o consumidor, ele precisa estar 100% saudável. Com isso, a produção é longa e bem minuciosa. É preciso passar por exames, biometrias e intercalar os tanques de reservas para garantir que as pessoas irão consumir um peixe saudável", destaca Kuskoski. 
Em sua propriedade essas etapas começaram ainda em janeiro e em função dessas exigências, Kuskoski comenta que o peixe perde peso. "Aquele que pesava 10 quilos cai para sete, isso porque eles perdem o aspecto "graxoso" que é constituído do ômega 6 e vamos agregando o ômega 3 na carne. Por fim, os peixes são reservados em tanques menores, tirando-os daqueles chamados de engorda, para então podermos regular a água, limpar e tirar os dejetos. Depois de todas essas etapas, garantimos um peixe de ótima qualidade ao consumidor", relata. 
 

Peixe de qualidade e valores estáveis 
Passado esse período, as expectativas para a comercialização são positivas por dois motivos: a estabilidade nos preços e a procura. "Acredito que a boa notícia para os consumidores são os valores que não terão aumento. Nós já estamos há sete anos trabalhando com preços iguais, sem qualquer reajuste. E para nós, que produzimos, acreditamos que vamos superar a expectativa de vendas, considerando que as pessoas já estão nos procurando", reforça o produtor. 
Os valores vão oscilar de 10 a 29 reais, de acordo com a espécie. Kuskoski trará para a população erechinense diversas opções, entre elas: carpas, piavas, jundiás, dourados e surubins. O produtor explica que esses últimos apresentam os preços mais altos em função do custo de produção. "Esses peixes possuem muitas questões específicas, por exemplo, o tempo, que pode demorar até cinco anos para ter condições de levar à feira", pontua. 
O processo de produção também apresenta especificidades na piscicultura e Kuskoski acredita que esse fator está relacionado com a baixa frequência no consumo ao longo do ano, cenário que só se altera nesse período da Semana Santa. "Diferente das outras atividades, como a hortaliça, por exemplo, o trabalho com peixe é muito difícil, porque envolve a entrada na água, puxar rede, então é bem mais melindroso. Com isso, o consumo é menor fora dessa época. Tanto que nós fazíamos a feira ao longo de todo o ano, só que a demanda não é expressiva, e, por outro lado, a mão de obra é escassa, afinal ninguém quer realizar esse trabalho. Nos últimos dias o tempo está colaborando, mas caso contrário, estaríamos no frio e na chuva trabalhando e o carregamento é só a noite, então poucas pessoas se interessam", destaca. 
Para garantir a produção, nessa época, Kuskoski chega a contar com aproximadamente 30 pessoas. 
Outra questão que pode causar curiosidade e em Kuskoski suscitou preocupação é a forma que as pessoas irão transportar os peixes. "Como eles estão vivos e não podemos fazer o abatimento, os peixes vão se batendo o caminho inteiro e o consumidor pode perder no ônibus ou na estrada. Para evitar isso, vamos disponibilizar bolsas", reforça. 
O produtor relembra ainda, que as vendas costumam ser mais expressivas entre quinta e sexta-feira. "É o 'jeito do brasileiro', deixa tudo para a última hora. Então nesses dois primeiros dias sabemos que não terá tanto movimento. Contudo, até quinta-feira a procura aumenta", conclui. 

 

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