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Ensino

Nova política de alfabetização deve centrar-se na formação de professores

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Nova política deve centrar-se na formação de professores
Doutora em Educação e professora da URI, Franciele Marques
Doutora em Educação e professora da UFFS, Zoraia Bittencourt
Por Amanda Mendes
Foto Divulgação

O Ministério da Educação (MEC) está formulando uma nova Política Nacional de Alfabetização (PNA), com intenção que as escolas passem a alfabetizar as crianças no primeiro ano do ensino fundamental, ou seja, geralmente aos seis anos de idade. De acordo com a doutora em Educação e professora da Universidade Regional Integrada (URI) Franciele Marques, há muitos anos as preocupações com a alfabetização estão presentes entre governos, educadores, pesquisadores e profissionais. 
Contudo, para ela, o avanço na política só será efetivo se for acompanhado de investimentos na formação de professores. "A alfabetização vai além da simples decodificação dos símbolos da leitura e da escrita. Portanto, inúmeros investimentos foram realizados na formação continuada de professores que atuam nos níveis de alfabetização", evidenciou a professora. 
A doutora em Educação e professora da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Zoraia Bittencourt, explicou à reportagem do Jornal Bom Dia, que a política de alfabetização sofreu alterações ao longo do tempo, mas sempre fundamentadas em estudos de especialistas. "Desde a publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), no ano de 1995, até o início de 2018, quando foi extinto o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), sendo esse substituído pelo Programa Mais Alfabetização, sempre houve uma grande sintonia entre os estudos de especialistas da área da alfabetização e os, até então, documentos orientadores da alfabetização no Brasil", pontuou.
Conforme a professora, esses estudos orientavam uma perspectiva construtiva de aprendizagem, "a partir de uma prática voltada para o letramento das crianças. No entanto, nos últimos dois anos, estamos acompanhando um forte movimento de tentativa de retorno a outro tradicional método de alfabetização, o método fônico, com a defesa de que é preciso que as crianças sejam alfabetizadas a partir do ensino das correspondências entre sons e letras, algo já criticado há muitas décadas no Brasil, pois se trata de uma metodologia de ensino centrada no professor e baseada na memorização", argumentou Zoraia. 
Sobre o PNAIC, Franciele destaca ainda, que suas ações foram criadas com a finalidade de assegurar que todos os alunos dos sistemas públicos de ensino fossem alfabetizados em Língua Portuguesa e em Matemática até o final do 3º ano do ensino fundamental. "Buscava-se reduzir a distorção idade-série, melhorar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), capacitar os professores e construir resoluções que pudessem esclarecer como deveria ser a aprendizagem das crianças nos três primeiros anos do ensino fundamental", pontuou. 

"Reduzir a idade para alfabetização não é a solução" 
As propostas do MEC indicam que a alfabetização deverá ser concluída no primeiro ano do ensino fundamental, quando geralmente as crianças têm seis anos. No entanto, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) orienta que seja no segundo ano e o Plano Nacional da Educação (PNE), no terceiro ano. "Reduzir a idade para alfabetização das crianças não é a solução para melhores resultados na alfabetização. Como dito, a alternativa sempre será o investimento na formação dos professores alfabetizadores para que eles possam estar sempre estudando e se atualizando sobre as mais recentes discussões no campo da alfabetização", argumentou Zoraia. 
Franciele e Zoraia alertam que o eixo central da política deve ser a formação de professores. "O principal fator que promove o sucesso da alfabetização é o investimento público na formação continuada dos professores alfabetizadores que já atuam em nossas escolas", argumentou a docente da UFFS. 
Neste cenário, a professora da URI destaca, ainda, que há inúmeros fatores que interferem na alfabetização, passando pela dimensão cognitiva, psicológica e sociais. "Para além da decodificação dos signos da leitura e da escrita, a alfabetização tem por função servir de instrumento de emancipação do sujeito e sustenta-se em sua capacidade de, além de provocar uma postura crítica e reflexiva, também visar uma abordagem histórico-social de compreensão, interpretação e leitura de mundo a partir da leitura da palavra", concluiu Franciele.
Desta forma, Zoraia acredita que é preciso valorizar a concepções de aprendizagem que priorizem a criança como centro do planejamento. "A partir daquilo que as crianças já sabem, os professores possam ensinar o que elas ainda não sabem, que trabalhem com textos do dia a dia delas, que ensinem as funções da leitura e da escrita para as atuais demandas da nossa sociedade, e que, principalmente, possibilitem que as crianças falem, se posicionem, sejam ativas no processo de alfabetização por meio de propostas de trabalho que exijam pensamento, reflexão, e não mais memorização e repetição de palavras e textos sem sentido e sem relação alguma com o mundo que existe fora da escola", concluiu a docente.  

 

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