A relação com o conhecimento é uma tarefa que deve transcender a sala de aula, oportunizando atividades que desenvolvam habilidades emocionais, culturais e criativas. Essa proposta pedagógica está presente nos currículos de ensino em tempo integral ou com carga horária ampliada e podem refletir positivamente no desempenho dos estudantes em provas de vestibulares. A avaliação é da diretora do Colégio Marista Medianeira de Erechim, Cheila Milczarek.
Conforme publicação da Agência Brasil, uma pesquisa realizada em Pernambuco revela que estudantes que passam mais tempo na escola e participam de atividades como teatro, dança e reforço escolar, aumentam suas chances de serem aprovados no vestibular. Além disso, eles terão, em média, um salário maior do que os demais ao ingressar no mercado de trabalho.
Em Erechim, os resultados também são positivos. O índice de aprovação dos estudantes do Colégio Marista Medianeira, ultrapassa os 90%. Cheila atribui esse resultado a diversos fatores que estão relacionados a formação que a instituição desenvolve no ensino com carga horária ampliada.
Para além do conteúdo
"Garantir no currículo da escola espaços e tempos concretos onde os estudantes protagonizem sua aprendizagem, façam valer suas experiências, ampliem e fortaleçam as suas relações com o saber e com os demais sujeitos, dialogando com a diversidade das formas de ensinar e aprender, permite que o conceito de educação integral seja operacionalizado", argumentou a diretora do Colégio.
Para Cheila, as cobranças das provas dos vestibulares superam as questões conteudistas e consideram toda a trajetória escolar. "É importante considerar que, a maioria dos processos seletivos e concursos de vestibulares mais concorridos, avalia habilidades desenvolvidas pelos estudantes durante toda a educação básica. A capacidade de análise, de estabelecer relações a partir de contextos diferentes, de variáveis diversas, a capacidade de tomada de decisão e de gestão do tempo, não se desenvolve apenas no ensino médio. Dependem do domínio conceitual, mas acima de tudo da capacidade reflexiva, investigativa e de contextualização que os estudantes desenvolvem, pois, os conceitos/conteúdos aparecem inseridos em situações problemas que precisam ser compreendidos, interpretados e analisados com base em inferências que dependem, principalmente, da leitura de mundo e dos repertórios e disposições culturais, sociais, ambientais, entre outras que os estudantes construíram", pontuou.
Neste sentido, "a perspectiva de um currículo, com carga horária ampliada e baseado na resolução de problemas, possibilita o desenvolvimento de habilidades emocionais, fundamentais na gestão do tempo e do nervosismo, variáveis importantes na realização dos vestibulares. O sucesso acadêmico depende, em muitos momentos, da capacidade de autocontrole testada seguidamente durantes os exercícios de resolução de desafios, de troca de ideias, de testagem de argumentos, vivências práticas cuja intencionalidade é ampliar a percepção dos estudantes acerca destas condições e oferecer repertórios diferentes para que eles possam escolher aquele que melhor combina com seu estilo de aprender e de expressar tal aprendizagem, diminuindo a pressão sofrida", concluiu a diretora.
'Formação humana'
Para a coordenadora do ensino médio da Escola Básica da URI, Viviane Domingues, as escolas devem se centrar na formação humana. "A busca pela excelência sempre embasada no conhecimento, na criticidade, na autonomia, deve ser guiada para formá-los em sua integralidade, ou seja, pensando sua formação humana. Assim, os alunos são orientados a estudar diariamente, com intervalos de descanso, superando dificuldades por meio de técnicas de escrita, fala, resumo, por exemplo, mas sem esquecer nossa preocupação com as dimensões emocionais e humanas", pontuou em entrevista ao Jornal Bom Dia, citando ainda, que a instituição segue três princípios básicos: respeito, amizade e excelência. "Portanto, atividades voltadas ao exercício da solidariedade, da cidadania e do engajamento são frequentes, impulsionadas pelo Grêmio Estudantil", concluiu Viviane.
Essa metodologia de trabalho também já apresenta resultados surpreendentes com aprovações dos estudantes em cursos e universidades (públicas e privadas) concorridas.
"Nós realizamos oficinas no contraturno ao longo da semana que possibilitam trazer a teoria para a prática, com atividades nos laboratórios. Bem como visitamos outras instituições como é o caso da URI e como estou no terceiro sentimos necessidade de entrar em contato com a instituições do ensino superior.
Essa iniciativa nos auxilia muito na preparação para o vestibular, pois as questões trazem muito a contextualização e não pedem apenas conteúdos. Eu pude perceber isso quando fiz uma prova em Pelotas e já notei o diferencial que essas oficinas nos oportunizaram, pois diversas questões que trabalhamos nessas oficinas que caíram na prova", Milena Piana tem 17 anos e cursa o terceiro ano do Colégio Marista Medianeira
"Essas atividades diferenciadas é a melhor parte do nosso cronograma, considerando que a gente aprende a teoria em sala de aula e aplicamos nos laboratórios, assim, nosso aprendizado fica mais dinâmico e divertido, além de aumentar nosso conhecimento e isso pode auxiliar em nossa atuação profissional", Gabriel de Oliveira tem 16 anos e está segundo ano do ensino médio do Colégio Marista Medianeira