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Ensino

Exigências do mercado motivam retorno aos estudos

Em Erechim, as redes estadual e municipal ofertam a Educação de Jovens e Adultos (EJA), que oferece habilitação no ensino fundamental e médio

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No Ceja de Erechim, são cerca de 325 estudantes em turmas de manhã e a noite
Ana Braatz
Inavir Cavali
Por Amanda Mendes
Foto Amanda Mendes

A aprendizagem não implica uma idade mínima, muito menos, indica a faixa etária máxima. Sobretudo, aprender é uma tarefa diária e não depende exclusivamente de instituições de ensino. Contudo, retornar ao ambiente escolar é um desafio muito importante para equilibrar a desigualdade de oportunidades no mercado de trabalho. Para fortalecer esse objetivo, surgiu a Educação de Jovens e Adultos (EJA), visando elevar a escolaridade de pessoas que abandonaram a educação formal. 
Em Erechim, as redes estadual e municipal ofertam esta modalidade de ensino, que oferece habilitação no ensino fundamental e médio. A Secretaria Municipal de Educação conta com 325 estudantes no Centro Municipal de Educação de Jovens e Adultos (Ceja). "Atualmente, a rede atende pessoas que buscam concluir o ensino fundamental, aprender a Língua Portuguesa ou serem alfabetizados. Eles são distribuídos em onze turmas, nos turnos da manhã e noite", contou a diretora do Ceja, Marilei Simonetto, à reportagem do Jornal Bom Dia. 
A diretora ressalta, ainda, que o número de matrículas tem mantido superior a 300 desde o início de funcionamento do Centro. "Ao longo do semestre observamos uma procura significativa de inscrições para a conquista de novas vagas. Acredito que as pessoas estão buscando porque a sociedade mostra a necessidade de concluir o ensino fundamental", complementou. 
No Ceja, o perfil do estudante altera conforme os turnos de aulas. "Aqueles que frequentam as turmas da manhã são em maioria jovens entre 15 e 17 anos e do sexo masculino. Já nas turmas da noite os adultos se fazem mais presentes. No entanto, ainda temos estudantes jovens, em torno de 50%, para cada faixa etária. As mulheres também é maioria no noturno, considerando que muitas trabalham durante o dia, são estudantes que moram em diversos bairros de Erechim e também recebemos estudantes dos municípios do entorno como Áurea, Maximiliano de Almeida, Severiano de Almeida, Paulo Bento, Marcelino Ramos e Três Arroios", pontuou Marilei.
Para a diretora, os estudantes da EJA possuem objetivos singulares. "A maioria dos adolescentes que procuram o Ceja é por estar em defasagem com relação a idade e tempo de estudo. Os adultos que retornam para a sala de aula são pela exigência do mercado de trabalho ou encaminhamentos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Também temos estudantes que compõem a turma dos imigrantes - maioria haitianos - que procuram se estabelecer em nossa cidade e, para isso, necessitam aprender a língua portuguesa".
Segunda Marilei, a diversidade encontrada no perfil dos estudantes não é uma barreira para os processos de ensino e aprendizagem, considerando que o currículo contempla todos aqueles que querem concluir o ensino fundamental. "O Ceja é uma escola que contribui muito para elevação da escolaridade dos cidadãos erechinenses, sejam para corrigir a distorção entre idade e série, auxiliar as pessoas que são encaminhadas pelo Programa de Reabilitação do INSS ou, ainda, as que pararam por muitos anos de estudar e que precisam se adequar ao mercado de trabalho, o qual exige uma escolarização mínima para manter seu vínculo empregatício", concluiu a diretora.

Escolas estaduais registram mais de mil matrículas
Neste ano, a 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) possui 1056 estudantes na EJA. "Atualmente 19 escolas, distribuídas em 13 municípios. Em nossa rede ofertamos tanto o ensino fundamental como o ensino médio. Vale ressaltar que a modalidade ofertada na região é presencial", contou o assessor de Educação de Jovens e Adultos da 15ª CRE, Everton Fantinelli.
Everton explicou, também, que a EJA é organizada em semestres. "Nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, um semestre equivale a um ano do ensino regular. A carga horária mínima semestral é de 300 horas para a alfabetização e de 400 horas para as demais totalidades. Assim, as escolas devem organizar os conteúdos de maneira adequada para esta modalidade, onde a prática pedagógica tenha ligação com a faixa etária dos estudantes. As instituições seguem os princípios norteadores estabelecidos pela legislação estadual, mas, dentro do possível, têm autonomia para adequar seus currículos à sua realidade".
Assim como na rede municipal, os índices de matrículas são constantes. "Esse ano teve um pequeno aumento com relação ao ano passado e atribuo essa alteração à necessidade de conclusão dos estudos para fins de trabalho, início de uma graduação, entre outros", complementou Everton.
Para o assessor, o principal objetivo que permeia a escolha de retornar às salas de aulas é a qualificação profissional. "O mercado exige cada vez mais, e, com isso, as pessoas buscam concluir seus estudos para poder ter melhores oportunidades. Muitas pessoas também buscam retomar os estudos depois de anos fora da escola, pois, não tiveram oportunidade na época e hoje optam pela EJA. Assim, acredito que essa modalidade é importante no mundo atual, pois proporciona uma forma de acesso aos estudos para aqueles que não tiveram sucesso ou oportunidade na idade adequada", concluiu.

"Um desafio importante para a vida"
Retornar ao ambiente escolar foi um desafio para Ana Braatz. "Eu vim por meio do programa de reabilitação do INSS e estou no Ceja há um ano e seis meses. Nos primeiros momentos foi bem complicado, afinal, tinha ficado 30 anos longe da escola, mas estou conseguindo prosseguir os estudos. Às vezes, a cabeça não ajuda muito, mas seguimos em frente", contou à reportagem. 
Sua colega, Inavir Cavali também contou sua experiência. "Desde os 13 anos eu não frequentava escolas, mas voltar foi muito bom". 
Conforme publicado pelo INSS, o Programa de Reabilitação Profissional é uma assistência educativa e de adaptação ou readaptação profissional, visando proporcionar aos beneficiários incapacitados parcial ou totalmente para o trabalho, em caráter obrigatório, independente de carência, e às pessoas com deficiência, os meios indicados para o reingresso no mercado de trabalho e no contexto em que vivem. 

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