"O estudante se torna responsável e protagonista de sua própria aprendizagem". Essa é a avaliação do gestor de polo da Educação a Distância (EAD) e professor da Universidade Regional Integrada (URI), Leandro Langoski, sobre a proposta de ensino superior e tecnológica a distância que está crescendo significativamente há 10 anos e promete colocar o aluno no centro dos processos de ensino e aprendizagem.
Para Langoski, o modelo inverte a metodologia tradicional, baseada na transmissão de conhecimentos por meio do professor. "O acadêmico se torna um sujeito ativo de sua aprendizagem. O foco é nele e não no professor, assim, invertemos o papel do docente, que é centrado em aulas expositivas com os estudantes recebendo os conteúdos científicos", contou à reportagem do Jornal Bom Dia.
Sobretudo, o EAD desenvolve a autonomia dos discentes. "Esse sistema exige disciplina, responsabilidade e, além de tudo isso, perseverança para seguir buscando a melhoria de sua formação", pontou. Outra questão que tem conquistado os brasileiros com relação a essa modalidade, é a facilidade para organizar horários e o custo de investimento. "O público que o EAD contempla possui uma rotina dinâmica, então fica complicado ele destinar um tempo de sua vida para as aulas presenciais e, por isso, surge essa alternativa. Afinal, o mercado de trabalho está cada vez mais competitivo e seletivo. Se antes a exigência era o ensino médio, hoje se busca candidatos com, pelo menos, a graduação. O valor das mensalidades é outro fator que é considerado na decisão pelo EAD, pois essa modalidade trabalha em escala, semelhante a uma indústria e isso diminui os custos com estrutura e atinge mais alunos. Por exemplo, atendemos de Erechim até Santiago, onde estão nossas unidades, mesmo que o polo central seja na Capital da Amizade", complementou.
O professor, atrela, ainda, a necessidade contínua de atualização para a crescente procura por matrícula em ensino a distância. "A graduação também não deve ser a última etapa de formação. O mercado sempre busca pessoas se atualizando, fazendo cursos. Afinal, nunca vamos saber tudo e é essa busca incessante que amplia nossos conhecimentos. Determinadas áreas, por exemplo a de tecnologia, muda a cada ano, às vezes o aluno passa quatro anos na faculdade e quando vai atuar as coisas já foram alteradas, obrigando ele retornar aos estudos".
A estrutura dos cursos na URI
Os cursos EAD chegaram à URI neste ano, ofertando tecnólogos, bacharéis e licenciaturas em diversas áreas. As turmas iniciam sempre no começo do ano, mas a possibilidade de ingressar ocorre em quatro oportunidades. "Nosso curso é estruturado em semestre e cada um deles possui dois módulos. Assim, por ano, temos quatro módulos e a entrada de estudantes segue esse calendário: início do ano, maio, agosto e outubro", contou Langoski. Os estudantes que entram a partir de maio, são incluídos nas turmas do início do ano. "Ao longo do curso, elas poderão incluir as disciplinas de outros módulos para conseguir se formar com sua turma", afirmou o professor.
Na universidade há, ainda, um curso semipresencial, que é o caso do bacharelado em Biomedicina. "Essa modalidade implica duas aulas semanais, que envolve mais a prática dos conteúdos. Assim, o discente passa a semana estudando e vem ao campus apenas para praticar junto ao professor", destacou Langoski.
De acordo com o gestor, os estudos são guiados por um roteiro, que organiza os estudos, dividido-os por aulas, em que cada uma delas possui duas unidades de aprendizagem. "Os alunos recebem esse cronograma na primeira aula. Ele é composto por diversas etapas: apresentação, sobre qual conteúdo será desenvolvido; um desafio, para que ele possa testar seus conhecimentos; um infográfico para ilustrar o que aprendeu; material didático (geralmente livros); vídeo do professor; exercícios no modelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade); depois tem duas seções "na prática" e "saiba mais", para que ele possa aprofundar esses conteúdos", contou.
Segundo o professor, tudo isso faz parte da avaliação. "Com nosso sistema é possível acompanhar cada etapa finalizada pelo estudante. E, se concluído todo o roteiro, seu progresso será revertido em dois pontos em sua média final. Desta forma, esse sistema acaba mudando a maneira de ensinar. Os processos de ensino começam a se alterar com o EAD e transformam a aprendizagem, pois o aluno será responsável por seus estudos. Acredito que esse modelo quebrou o paradigma da educação tradicional", concluiu Langoski.