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Ensino

Pesquisa revela representação do judeu na literatura gaúcha

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Gláucia Zinani defendeu sua dissertação de mestrado nesta semana, na UPF
Pesquisa analisou obras de literatura
Por Amanda Mendes
Foto Divulgação/Amanda Mendes

A representação do imigrante judeu na literatura contemporânea do Rio Grande do Sul foi tema no mestrado do Programa de Pós-Graduação em História, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Passo Fundo (UPF). A pesquisa foi desenvolvida por Gláucia Zinani do município de Barão de Cotegipe. 
De acordo com a autora, o objetivo foi analisar as obras "Cágada (ou a história de um município ao passo de)", de Gladstone Mársico, publicada em 1974, tendo como cenário a Fazenda Quatro Irmãos, em Erechim e a obra "O exército de um homem só", de Moacyr Scliar, publicada em 1973 e ambientada no Bairro Bom Fim, em Porto Alegre.
"A pesquisa se justifica porque a presença da imigração judaica era vista de forma marginal, por meio da sátira ou com ironia. O estudo, em termos teóricos e metodológicos, dialoga com a história cultural e situa-se na fronteira entre a literatura e a História. Sobretudo, consiste no cruzamento de fontes incluindo revisão bibliográfica, documentos sobre imigração por fontes orais e literárias", contou Gláucia à reportagem do Jornal Bom Dia. 
O trabalho foi dividido em três capítulos: o primeiro comparando a trajetória literário e pessoal dos autores, o segundo observa o enredo, processo de produção, estrutura literária, formato de capa e apresentação das personagens; por último, os resultados da pesquisa. 
"Com o trabalho conseguimos identificar que os autores circulavam os mesmos espaços em Erechim e Porto Alegre, e tinham um estilo de escrever influenciado por Érico Veríssimo. Com relação as obras, Mársico explora as relações entre judeus com afrodescendentes e indígenas. Já Scliar traz a imigração judaica e seu relacionamento com os afrodescendentes. Como resultados, conseguimos destacar cinco categorias da representação dessa cultura na literatura, sempre atrelados ao aspecto religioso, colonizador, capitalista e comerciante e política", pontuou. 
A presença de judeus no Estado começou ser frequente no início do século 20, "com a fundação da colônia Quatro Irmãos que também correspondia às áreas das vilas Baronesa Clara e Barão Hirsch, no espaço rural em 1909, na região Norte e o estabelecimento de um amplo contingente de imigrantes na capital, localizados no Bairro Bom Fim, por volta de 1914 vinculados ao comércio e profissões de ofício", acrescentou. 
A pesquisa atrelou, ainda, revisão bibliográfica e análises de documentos sobre a imigração. "Com base nos dados coletados, ambos os autores, eram testemunhas oculares da presença judaica no Estado, mesclando em suas obras literárias saberes históricos, vivências sociais e culturais. Logo, seus personagens transitam em ambientes urbanos e rurais, carregam consigo sua cultura, sua religiosidade, seus saberes e fazeres, vivendo o seu cotidiano. O imigrante judeu, em espaços de imigração, apresenta uma identidade étnica externa homogênea, sobreposta à heterogeneidade interna, ocupando principalmente espaços urbanos, dedicando-se a atividades de ofício e comércio, representação que foi reproduzida também na literatura, e de forma crítica, em relação a colonização da colônia de Quatro Irmãos, como um projeto que não foi bem sucedido, mas que atingiu os objetivos de auxiliar os imigrantes judeus vítimas de discriminações nos países de leste europeu", concluiu Gláucia.

 

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