Na sexta-feira, 30 de agosto, o Ministério da Educação (MEC), nomeou o professor Marcelo Recktenvald como reitor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). A publicação foi feita no Diário Oficial da União.
A posse de Marcelo ocorreu na quarta-feira (4), em Brasília, no MEC. Em entrevista à reportagem do Jornal Bom Dia, ele falou sobre as medidas que deve colocar em prática nos quatro anos de gestão.
Jornal Bom Dia: De maneira geral, comente como foi o processo de construção da chapa?
Marcelo Recktenvald: Surgiu de um sentimento que estava latente em muitas pessoas na universidade, de maneira individual. Nós buscávamos uma forma de gestão que tivesse compromisso com a eficiência pública e proporcionasse melhorias à nossa instituição.
Assim, nós criamos o coletivo Nova UFFS, uma chapa multicampi. O que nos une são os princípios de valorização das pessoas, do trabalho, os princípios da administração pública, busca de excelência acadêmica, integração com a comunidade, e acredito que esse seja nosso principal diferencial, a defesa da universidade pública com ensino gratuito, laico e apartidária.
Jornal Bom Dia: Como a notícia da nomeação foi recebida pela chapa?
Marcelo Recktenvald: A notícia trouxe um sentimento de grande responsabilidade. Claro que celebramos a confiança do MEC e do presidente da República com o nosso trabalho, mas também veio o sentimento de responsabilidade por todo o projeto que defendemos.
Jornal Bom Dia: Na sua opinião, quais os principais desafios para implementar o projeto de educação superior que o senhor defende na UFFS?
Marcelo Recktenvald: Nós já defendíamos desde o início da consulta alguns pilares, tais como, trabalhar em uma gestão profissionalizada, por competência, transparência nas ações, que chamamos de governança e gestão estratégica. Além de avançar nas relações da universidade com o seguimento produtivo, com a comunidade de modo geral, promovendo uma integração de relevância social.
Por exemplo, defendemos o acesso com permanência estudantil, considerando o perfil de nossos estudantes com vulnerabilidade socioeconômica. Portanto, além do acesso, devemos avançar em ações específicas da permanência estudantil, como uma política combinada de acesso e permanência. Bem como, trabalhar com efetividade, transparência e qualidade do serviço público.
Neste sentido, temos uma ação de planejamento estratégico de desenvolvimento e avaliação institucional, para avançar nas políticas acadêmicas.
Para concretizar tudo isso, temos desafios de infraestrutura e sustentabilidade, além de trazer para a universidade a comunidade regional, seguimento empresarial e ampliar o acesso de entidades regionais.
Sobretudo, acreditamos que as demandas da sociedade precisam ser consideradas na criação de cursos de graduação e pós-graduação, projetos de pesquisa e extensão, estabelecendo parcerias público e privada pelo desenvolvimento regional e acadêmico.
Jornal Bom Dia: Neste cenário, o senhor acredita que o Programa Future-se pode ser efetivo para suas propostas à UFFS?
Marcelo Recktenvald: Acredito que sim. Os pilares do Future-se, mesmo que tenha sido apresentado posterior a nossa campanha, são contemplados pelo nosso plano de ações. O que defendemos é muito próximo desse programa, principalmente no que diz respeito a valorização da governança e preocupação com pesquisa e inovação.
Jornal Bom Dia: Quais suas expectativas para esses quatro anos de gestão?
Marcelo Recktenvald: Tenho expectativas de curto, médio e longo prazo. Neste primeiro momento nossa preocupação é com a pacificação do ambiente. Afinal, não é segredo para ninguém que há movimentos e ocupações na instituição, por isso, precisamos criar maneiras para legitimar nossa equipe de trabalho que ainda não foi apresentado para a comunidade interna e externa. Assim, essa será nossa ação de imediato.
Já a médio prazo, buscamos avançar nas propostas que trabalhamos como pilares e ações que marcaram nossa candidatura. Afinal, foram essas propostas que fizeram o governo acreditar que nossa nomeação seria a mais coerente com as expectativas do MEC.
Por fim, nós acreditamos que a educação no nosso país precisa ser um instrumento transformador na vida das pessoas. Portanto, a longo prazo, que são as ações mais representativas, pretendemos melhorar essa dimensão da universidade, pois acredito que os jovens colocam seus sonhos aqui e, com isso, precisam ter suas expectativas correspondidas. Para isso, é preciso ter uma formação que lhes assegure uma vida profissional de êxito, e não apenas uma formação de militância ou para o encaminhamento de valores que a sociedade brasileira não quer financia.
Nós precisamos que a universidade se posicione pela mudança da vida das pessoas, da comunidade de um modo geral, gerando riqueza, renda e tornando o país melhor.