Os últimos dados do censo do ensino superior marcaram a história da educação brasileira. Pela primeira vez, o número de matrículas na modalidade a distância foi superior à presencial. Os índices foram divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), com relação ao ano letivo de 2018. Para o diretor geral da Universidade Regional Integrada (URI), Paulo Giollo, o fenômeno é decorrência de uma dimensão conjuntural.
“Acredito a Educação a Distância (EaD) tem muitos elementos facilitadores. A questão econômica e a organização do tempo de estudos, tornam os cursos mais acessíveis e atraí mais pessoas. Sobretudo, a escolha pelo presencial demandará mais recursos e como estamos vivenciando um momento de restrição do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), o público opta por alternativas que lhes sejam melhores para seu orçamento”, contou o diretor à reportagem do Jornal Bom Dia.
Giollo explica que a ascensão deve se intensificar nos próximos anos. “Há alguns anos o acesso ao Fies era mais fácil. Com essa dificuldade, o EaD torna-se a escolha mais possível e, se pensarmos que o ensino superior contempla menos de 20% dos jovens de 18 a 24 anos, ainda temos uma parcela de 80% que não está incluído, ou seja, é um índice muito significativo e essas pessoas ainda precisam ser atingidas”.
Para ele, o cenário atual da Educação no País auxilia nesta escolha. “Essa restrição na questão do Fies é fundamental, porque até ali, não tínhamos um crescimento tão exponencial. Com isso, para mim, o desafio é nós conseguirmos que nosso aluno se mantenha no curso, que pode ser por meio de financiamentos, sejam próprios das universidades ou com bancos, e também buscando alternativas para diminuir os custos do ensino superior”, afirmou. No entanto, Giollo acrescenta, “os juros com financiamentos acabam sendo um fator bem negativo, então temos que achar outras alternativas”.
Neste sentido, a preocupação do diretor é com a permanência dos estudantes. “O curso EaD sério se preocupa com a formação e isso envolve uma dificuldade maior, pois a aprendizagem depende exclusivamente do aluno. Afinal, o papel do professor nessa modalidade é auxiliar, então espera-se mais autonomia do acadêmico. Ou seja, não é só a questão de valores que devem ser consideradas, mas sim todo o contexto. Com isso, para aproveitar essa ascensão as universidades devem apostar na qualidade das graduações”.
Assim, Giollo complementa que os incentivos devem ser intensificados na educação básica. “O sistema básico é tradicional, então se focar na qualidade do ensino fundamental e médio o estudante terá mais estímulo para ingressar na educação superior, seja ela presencial ou a distância e, assim estará preparado para qualquer modalidade que escolher”, concluiu.