A informação é da presidente do Centro dos professores do estado do RS (Cpers), Helenir Schürer, que mediou uma reunião com os diretores do 15ª Núcleo do sindicato, na manhã de quinta-feira (17).Na oportunidade, foi debatida a alteração proposta sobre o plano de carreira do magistério público estadual apresentado pelo governador Eduardo Leite. De acordo com a presidente, se o projeto for aprovado na Assembleia Legislativa, a categoria entrará em greve.
Entre as principais medidas inseridas pelo governador, estão o fim dos adicionais por tempo de serviço, equiparação com o piso nacional por meio dos benefícios e a divisão da categoria em cinco níveis, com seis classes. Conforme Helenir, o plano irá afetar professores, funcionários e aposentados. “Seremos atingidos tanto com o fim do plano de carreira, como com o fim da gratificação por tempo de serviço”.
Além disso, terá a criação de uma parcela autônoma, onde será retirado o valor complementar do piso. “Assim, fica caracterizado que o próprio professor vai pagar, afinal, o que faltar do salário para chegar ao valor do piso nacional será complementado com nossos benefícios, tais como vales alimentação e transporte”, contou.
Durante a reunião foram abordados temas referentes a gratificação de direção, e aposentadoria dos funcionários. De acordo com a presidente, os professores do estado do RS, são os que possuem a renda mais baixa, em comparação com outros estados.
“A proposta irá reduzir a remuneração entre níveis. Por exemplo, a diferença do salário de um professor com formação em magistério para outro com pós-graduação será cerca de 7%, de acordo com os níveis”, observa.
Para Helenir, segundo o plano de carreira, os professores que já estão aposentados ou àqueles que estão inativos, também perderão o direito de receber os adicionais. “Por exemplo, quem hoje está inativo e recebe o adicional por atuar em escolas com difícil acesso não poderá levar esse benefício à aposentadoria”.
Conforme a presidente, se o plano for entregue à Assembleia Legislativa e, se aprovado, após 72 horas, os servidores entrarão em greve. “As pessoas lutam por qualidade, porque realmente conhecem os problemas que enfrentamos. Teremos um conselho geral em Porto Alegre onde iremos discutir se nos posicionamos contra ou se apresentamos uma proposta de alteração”, finaliza.
Para a diretora do 15ª núcleo do Cpers, Marisa Betiatto, após a reunião, os representantes das escolas ficaram otimistas. “Nós precisamos nesse momento fazer um movimento porque se passar esse projeto nós não temos muito o que fazer”, conclui.
Ao fim da reunião, os professores de Erechim e da região produziram uma carta direcionada a Eduardo Leite, demonstrando “indignação” às ações do governo, quanto aos cortes na educação do Estado. Abaixo, trechos da carta assinada por mais de 50 educadores do Alto Uruguai.
Trechos da carta enviada ao governador
“Estamos há 46 meses sem receber em dia, com os salários congelados há cinco anos, com valor da gratificação de direção estagnado há 17 anos, em situação de miséria e escolhendo entre comer e pagar as contas".
"Se a política de contenção de gastos com recursos humanos resolvesse os problemas do estado do Rio Grande do Sul já estaria distante do abismo (...). Este é um projeto cruel e nocivo ao desenvolvimento das atividades escolares. Um pacote de medidas desumanas, que prejudica a gestão, o projeto pedagógico, os trabalhadores, os pais e o aprendizado dos estudantes”.
Colaboração: Taiane Maiara do Carmo