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Ensino

Na Educação: diretor da UFFS analisa primeiro ano do novo governo

Luís Fernando Corrêa da Silva conversou com a reportagem do Jornal Bom Dia sobre os reflexos da gestão na rotina acadêmica

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Diretor do campus de Erechim da UFFS, Luís Fernando Corrêa da Silva
Por Amanda Mendes
Foto Divulgação UFFS/ Wagner Lenhardt

A mudança de governo, não significa apenas trocar os nomes, mas sim, o projeto de nação. Essa transição, em tese, acontece a cada quatro anos, se não há reeleição. Em 2019, após pouco mais de dois anos da gestão de Michel Temer, a presidência da República ficou sob responsabilidade de Jair Bolsonaro.

Contudo, esses 12 primeiros meses foram delicados para as instituições federais de ensino superior. Nesse período houve troca de ministro no Ministério da Educação (MEC), com a demissão de Ricardo Vélez Rodríguez, o economista Abraham Weintraub foi nomeado para assumir a pasta.

Além da troca, o ano foi marcado pelo contingenciamento de recursos e pela interferência na escolha de reitores em metade das universidades que realizaram consulta pública para compor a listra tríplice, assim, seis das 12 instituições não tiveram os primeiros colocados à frente da reitoria. A lista pressupõe a escolha de qualquer um dos nomes, no entanto, a postura do MEC rompeu com a tradição de nomeação do primeiro colocado.

Em entrevista ao Jornal Bom Dia, o diretor do campus de Erechim da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Luís Fernando Corrêa da Silva, avalia que esse primeiro ano foi marcado pela prioridade às pautas ideológicas e radicais.

Jornal Bom Dia: Avalia o primeiro ano do novo governo.

Luís Fernando: Projetos importantes para a educação brasileira foram preteridos, e isso em um cenário que teorias conspiratórias sobre doutrinação tiveram grande destaque. Além disso, as universidades públicas foram alvo de ataques, numa clara tentativa de desmoralização desse importante espaço formativo e de produção do conhecimento.

Jornal Bom Dia: O que mudou na atual administração da Educação e qual foi reflexo na rotina da UFFS.

Luís Fernando: O reflexo foi profundo. Inicialmente, o cenário orçamentário foi bastante afetado pelo contingenciamento do início do ano. Por mais, que se tenha liberado os recursos contingenciados no último trimestre do ano, diversas atividades que deveriam ser realizadas no decorrer de 2019 não contaram com apoio para a sua execução no tempo adequado.

Ademais, a UFFS viveu um cenário de ruptura do seu processo democrático, visto que o reitor eleito pela comunidade universitária não foi nomeado pelo MEC, que por sua vez optou por um integrante da lista tríplice alinhado ideologicamente com o governo. Cabe destacar que essa iniciativa trouxe uma profunda instabilidade institucional para a Universidade, visto que o projeto escolhido pela comunidade não se encontra em vigência, do mesmo modo que essa nomeação de cunho ideológico abre um precedente perigoso para o futuro da instituição.

Jornal Bom Dia: O contingenciamento orçamentário afetou as atividades acadêmicas?

Luís Fernando: O contingenciamento afetou de modo equitativo os cursos de graduação da Instituição, nas atividades de ensino, pesquisa e extensão, bem como, com relação a capacidade de investimento na infraestrutura do campus, que ainda possui estruturas planejadas e que não dispuseram de recursos para a sua execução.

Jornal Bom Dia: Avalie os programas apresentados em 2019 para o ensino superior, tais como o Future-se.

Luís Fernando: O Future-se é um programa com problemas desde a sua concepção, visto que foi formulado sem a participação dos reitores das universidades federais, que são aqueles que conhecem a realidade e o cotidiano das universidades. Além disso, ele prevê um modelo de financiamento das instituições federais que não dialoga com a realidade brasileira, que historicamente possuí um baixo investimento da iniciativa privada em produção de conhecimento científico. Cabe destacar que a comunidade universitária da UFFS se manifestou contrária ao Future-se, por entender que o Estado brasileiro não pode se desresponsabilizar do financiamento da educação superior.

Jornal Bom Dia: Para 2020, há projeções de ampliação dos cursos (graduação e pós-graduação) no campus Erechim?

Luís Fernando: O campus Erechim oferecerá o curso de bacharelado de Geografia a partir do primeiro semestre do próximo ano. Também tramita no Conselho Universitário da UFFS o projeto do curso de Biologia, também bacharelado. Em relação à pós-graduação, ofereceremos no próximo ano três novos cursos: Gestão Escolar e da Educação; Processos e Produtos Criativos e suas Interfaces e; Gestão Pública. Os dois primeiros já realizaram processo seletivo e o terceiro foi aprovado recentemente.

Jornal Bom Dia: Qual sua expectativa para o próximo ano?

Luís Fernando: A UFFS, campus Erechim, como patrimônio público que é, pretende seguir com a sua missão de contribuir para o desenvolvimento da região do Alto Uruguai, mediante a formação qualificada capaz de intervir na realidade, mas também produzindo conhecimento por meio da pesquisa científica e levando esse mesmo conhecimento para além do espaço da Instituição, por meio da extensão universitária. Em 2020, pretendemos solidificar ainda mais nossos laços com a comunidade regional.

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