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Ensino

Proposta de reposição das aulas frustra professores grevistas

Alternativa apresentada pelo governo do Estado foi recebida com críticas pela categoria, que deverá decidir nos próximos dias sobre adesão ao acordo

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Reunião foi na sede da Secretaria da Educação (Seduc), na manhã de quarta-feira (8)
Diretora do 15ª núcleo do Centro dos Professores do Estado do RS (Cpers), Marisa Betiato
Por Amanda Mendes
Foto Divulgação/Amanda Mendes

Desesperador: esse é o sentimento dos professores com a proposta de recuperação das aulas, em virtude da greve do magistério, apresentada pelo governo estadual. A opinião é da diretora do 15ª núcleo do Centro dos Professores do Estado do RS (Cpers), Marisa Betiato.

 

Conforme publicado pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc), a proposta, que foi apresentada ontem (8), é de pagar o salário da categoria relativo aos dias paralisados de forma integral em até cinco dias úteis, contanto que a categoria decida pela adesão do acordo. No entanto, posteriormente, esses dias serão descontados de forma parcelada ao longo de seis meses. O desconto deverá se limitar a 20% do salário dos professores.

Ainda, há a promessa de que após concluído o calendário letivo de 2019, o governo retorne as negociações para analisar a viabilidade dos descontos com relação aos dias paralisados. 

Contudo, a iniciativa, da forma como foi apresentada, supostamente, mascara o pagamento dos dias que serão recuperados. “Na verdade, é um não pagamento, estávamos esperando um acordo saudável, mas a intensão do governo é descontar esses dias, mesmo que nós estejamos recuperando as aulas que foram suspensas”, pontuou Marisa à reportagem do Jornal Bom Dia. 

Na região, as escolas já estão recuperando as aulas

A diretora do 15ª núcleo do Cpers, relembra que, em Erechim e na região do Alto Uruguai as escolas já estão recuperando o calendário letivo de 2019. “O nosso núcleo tem poucas pessoas em greve, ou seja, nossa paralisação tornou-se algo individualizado. Diversas instituições de ensino já estão realizando a reposição das aulas e, em algumas escolas, todo o calendário já está concluído”.

O cenário a nível estadual também não é diferente. “No total são 42 núcleos e a maioria deles já está seguindo as atividades escolares, pois nosso objetivo nunca foi prejudicar os estudantes. Atualmente, acredito que tenha no máximo 500 servidores em greve, a grande maioria retornou às escolas ainda em dezembro”, acrescentou Marisa.

Nesse sentido, a diretora relata que o sentimento de frustração surgiu devido a postura do governo. “O Estado cortou nosso ponto para não pagar o salário dos dias em que ficamos paralisados, mas como o movimento foi crescente, as escolas ficaram em greve por períodos distintos e, agora, que já estamos recuperando, ficamos com a incerteza de sermos remunerados”.

O movimento de greve diminuiu após a votação dos projetos no dia 18 de dezembro. “Como não havia previsão de a Assembleia Legislativa seguir votando o pacote que altera o plano de carreira dos servidores estaduais até o dia 27 de janeiro, muitos professores retornaram para as salas de aula e devemos retomar as mobilizações quando estivermos mais próximo da data de votação”, afirmou Marisa. 

O que ainda está em votação

Conforme a diretora, a Assembleia Legislativa deverá votar a alteração das leis trabalhistas e o plano de carreira dos servidores estaduais. “No dia 18 de dezembro foi votada a adequação da previdência estadual com as novas leis federais, mas ainda está em jogo o nosso plano de carreira”.

Próximos passos

Agora, o Cpers, como sindicato que representa a categoria irá analisar a proposta para decidir se a categoria irá aderir ou não ao acordo. “O comando de greve do Cpers estadual irá estudar a proposta e encaminhar orientações aos núcleos, além de marcar uma assembleia geral. Antes desse encontro, os núcleos deverão fazer assembleias regionais”, concluiu Marisa. A assembleia regional do 15ª núcleo será nesta sexta-feira (10), às 14h, no Salão de Atos do Colégio Haidée Tedesco Reali. Já o encontro geral, será na terça-feira (14), em Porto Alegre.

 

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