Desesperador: esse é o sentimento dos professores com a proposta de recuperação das aulas, em virtude da greve do magistério, apresentada pelo governo estadual. A opinião é da diretora do 15ª núcleo do Centro dos Professores do Estado do RS (Cpers), Marisa Betiato.
Conforme publicado pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc), a proposta, que foi apresentada ontem (8), é de pagar o salário da categoria relativo aos dias paralisados de forma integral em até cinco dias úteis, contanto que a categoria decida pela adesão do acordo. No entanto, posteriormente, esses dias serão descontados de forma parcelada ao longo de seis meses. O desconto deverá se limitar a 20% do salário dos professores.
Ainda, há a promessa de que após concluído o calendário letivo de 2019, o governo retorne as negociações para analisar a viabilidade dos descontos com relação aos dias paralisados.
Contudo, a iniciativa, da forma como foi apresentada, supostamente, mascara o pagamento dos dias que serão recuperados. “Na verdade, é um não pagamento, estávamos esperando um acordo saudável, mas a intensão do governo é descontar esses dias, mesmo que nós estejamos recuperando as aulas que foram suspensas”, pontuou Marisa à reportagem do Jornal Bom Dia.
Na região, as escolas já estão recuperando as aulas
A diretora do 15ª núcleo do Cpers, relembra que, em Erechim e na região do Alto Uruguai as escolas já estão recuperando o calendário letivo de 2019. “O nosso núcleo tem poucas pessoas em greve, ou seja, nossa paralisação tornou-se algo individualizado. Diversas instituições de ensino já estão realizando a reposição das aulas e, em algumas escolas, todo o calendário já está concluído”.
O cenário a nível estadual também não é diferente. “No total são 42 núcleos e a maioria deles já está seguindo as atividades escolares, pois nosso objetivo nunca foi prejudicar os estudantes. Atualmente, acredito que tenha no máximo 500 servidores em greve, a grande maioria retornou às escolas ainda em dezembro”, acrescentou Marisa.
Nesse sentido, a diretora relata que o sentimento de frustração surgiu devido a postura do governo. “O Estado cortou nosso ponto para não pagar o salário dos dias em que ficamos paralisados, mas como o movimento foi crescente, as escolas ficaram em greve por períodos distintos e, agora, que já estamos recuperando, ficamos com a incerteza de sermos remunerados”.
O movimento de greve diminuiu após a votação dos projetos no dia 18 de dezembro. “Como não havia previsão de a Assembleia Legislativa seguir votando o pacote que altera o plano de carreira dos servidores estaduais até o dia 27 de janeiro, muitos professores retornaram para as salas de aula e devemos retomar as mobilizações quando estivermos mais próximo da data de votação”, afirmou Marisa.
O que ainda está em votação
Conforme a diretora, a Assembleia Legislativa deverá votar a alteração das leis trabalhistas e o plano de carreira dos servidores estaduais. “No dia 18 de dezembro foi votada a adequação da previdência estadual com as novas leis federais, mas ainda está em jogo o nosso plano de carreira”.
Próximos passos
Agora, o Cpers, como sindicato que representa a categoria irá analisar a proposta para decidir se a categoria irá aderir ou não ao acordo. “O comando de greve do Cpers estadual irá estudar a proposta e encaminhar orientações aos núcleos, além de marcar uma assembleia geral. Antes desse encontro, os núcleos deverão fazer assembleias regionais”, concluiu Marisa. A assembleia regional do 15ª núcleo será nesta sexta-feira (10), às 14h, no Salão de Atos do Colégio Haidée Tedesco Reali. Já o encontro geral, será na terça-feira (14), em Porto Alegre.