Na última semana uma notícia entristeceu a população erechinense: o fechamento de uma das instituições de ensino mais tradicionais do município, o Instituto Anglicano Barão do Rio Branco, que enfrentava dificuldades financeiras há anos. Com dívidas totais de aproximadamente R$ 25 milhões, na sexta-feira, 31 de janeiro, a direção anunciou o fim das atividades. Agora, a prioridade é realocar os estudantes e renegociar com os credores, que inclui professores e funcionários.
Conforme o diretor da Instituição, Reginaldo Bolis, a crise originou em 2006 e foi se intensificando ao longo dos anos. “Um fato marcante foi a parceria feita com o Ypiranga Futebol Clube. Naquele período, entre 2006 e 2009, perdemos a filantropia por meio de uma execução fiscal de R$ 8 milhões, que chegou a nós em 2012. Nesse ano, o Barão já estava atuando no vermelho, com dívidas em cerca de R$ 3 milhões, então essa execução só piorou a situação financeira da Legião da Cruz, que é a mantenedora do Instituto”, afirmou em entrevista à reportagem do Jornal Bom Dia.
No mesmo ano, o governo federal lançou o Refis, um programa de renegociação de dívidas. “Contudo, para participar do Refis seria necessário ofertar o ensino superior, e, para aderirmos, desenvolvemos alguns cursos de graduação, mas, ainda assim, para ter essas formações os custos de investimentos também eram expressivos e os fizemos. A partir disso, até fim do ano passado, estávamos conseguindo pagar as parcelas que variam entre R$ 65 e R$ 70 mil, essa dívida era paga 90% com bolsas do Programa Universidade Para Todos (Prouni) e 10% em dinheiro. Hoje, ainda restam cerca de R$ 15 milhões para quitarmos essa pendência”, acrescentou Bolis.
Sobretudo, o diretor acredita que as crises vivenciadas em todo o país chegaram a Erechim e interferiram no Colégio. “A própria crise da educação entre os anos de 2013 a 2016 e as econômicas em 2017 chegaram ao nosso município e, é claro que quando se diminuí o poder aquisitivo das famílias, elas irão cortar da educação particular e migrar para o ensino público. Então, nesse cenário, perdemos muitos estudantes. Por exemplo, em um período tínhamos cerca de 2500 alunos e em questão de quatro anos esse número caiu para 1000”, argumentou o diretor.
As tentativas para salvar a unidade de Erechim
Muitas escolas da Legião da Cruz foram fechadas para tentar manter a unidade de Erechim. “Encerramos as atividades em Barão de Cotegipe, Bagé e Tapejara, mas essa iniciativa rendeu custos com rescisões e, apenas a estrutura de Bagé era nossa, portanto, apenas essa pôde ser vendida e o retorno financeiro não foi tão significativo. Somado a isso, a máquina continuou dando prejuízo porque não se diminuiu as despesas”, afirmou o diretor.
Com esse contexto repleto de obstáculos à manutenção das atividades educativas, Bolis assumiu o Instituto em setembro de 2018. “Entrei após uma tentativa frustrada de venda da escola de Erechim, busquei renegociar todas as dívidas, captar recursos frente aos órgãos financeiros e consegui virar o ano com a folha, o décimo terceiro e as férias de funcionários e professores em dia. Já em janeiro de 2019, solicitei à Legião da Cruz um período para realizar um planejamento de progressão, que foi apresentado em maio sugerindo o fechamento ou ampliar os investimentos por meio da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e com parceiros. Seguimos com as atividades e encerramos o ano com R$ 1,5 milhão de prejuízo. Tivemos algumas propostas de compras, mas nenhuma obteve sucesso. E, com isso, agora optamos por fechar a instituição”.
Os próximos passos
A crise do Barão se acentuou após diversas ações na Justiça, principalmente de servidores. Portanto, agora, a prioridade é renegociar as dívidas, garantir que os professores e funcionários recebam o Fundo de Garantia e o Seguro Desemprego, bem como, realocar os estudantes.
A situação dos estudantes
De acordo com o diretor, os alunos da educação básica serão encaminhados à Escola Adventista e ao Colégio Franciscano São José, já os acadêmicos e àqueles que realizavam cursos técnicos serão transferidos para Universidade Regional Integrada (URI), sob as mesmas condições de mensalidades que tinham na Escola e na FAE.
“Com relação aos discentes do ensino superior, a URI não possuí todos os cursos que nós desenvolvíamos, portanto, alguns terão que ser encaminhados para outras faculdades. Na URI, os acadêmicos terão os mesmos valores de mensalidades neste primeiro semestre e quem era bolsista, segue também com as mesmas condições, mas ressalto, só no primeiro semestre. O mesmo ocorre com a escola básica, a diferença é que eles terão todo esse ano letivo de 2020 com os valores que direcionavam ao Instituto e, como o Adventista é filantrópico, àqueles que tinham bolsa continuam com elas”, acrescentou Bolis, citando ainda, que a escolha pela instituição que seguirão os estudos, será dos pais e alunos, “mas, acredito também que alguns ficarão sem bolsas, e, portanto, deverão optar pelo ensino público”.
A situação dos funcionários
Na quarta-feira (5), a direção do Instituto se reuniu com os sindicatos dos funcionários e professores do ensino privado, para pensar as melhores possibilidades. “Definimos que vamos entrar com uma ação coletiva na Justiça para garantir que eles recebam o Fundo de Garantia e o Seguro Desemprego. Seguimos com a alternativa de captação de recursos e de vender o patrimônio para quitar as dívidas, no entanto, a estrutura não é da Legião da Cruz e sim, da Igreja, com isso, mesmo se vendermos, ainda dependemos que ela nos faça uma doação para resolver essa situação”, concluiu Bolis.