“A responsabilidade de se tornar educadora de seu filho, demonstrou a necessidade de valorizar as instituições de ensino”. Essa é a opinião da jornalista, Lizele Antunes, sobre o período de isolamento social como prevenção ao novo coronavírus.
Além de jornalista, Lizele atua como estrategista de marcas e conteúdo e, há um ano seu exercício é em home office, portanto, a suspensão das aulas em Erechim não alterou de maneira significativa sua rotina. Mãe de Bernardo Gustavo Cecchet, de 10 anos, ela conta que apenas precisou adaptar seus horários ao de seu filho. “Estamos respeitando o distanciamento social e a única questão agora, é conciliar a maternidade e o home office, com ‘ser professora do meu filho’. E, mesmo que eu tenha cursado uma licenciatura, ainda assim sinto dificuldades, pois ensino fundamental é outra atmosfera. Com isso, fico me questionando como está sendo para famílias, especialm ente m&a tilde;es, que precisam conciliar o ‘escritório em casa’ com tornar-se educadora do seu filho?”, contou à reportagem do Jornal Bom Dia.
Busca por uma educação melhor
Por isso, Lizele acredita que esse momento delicado que o País está vivenciando, servirá para endossar a busca por uma educação melhor. “Ter a responsabilidade de educar os nossos filhos vai nos fazer criar coragem para lutar pelos direitos dos educadores. Estamos vivendo um marco histórico que vai servir, certamente, para valorizar ainda mais a escola, os professores e todos àqueles que lutam pela educação, especialmente a pública e de qualidade. Sobretudo, é momento de confiarmos na ciência, voltar nossos olhos ao que realmente tem importância e respeitar o tempo e o espaço das crianças”.
A jornalista organizou sua rotina de modo a contemplar quatro momentos de estudos junto ao Bernardo, sendo dois de manhã e dois à tarde. “Ainda, nosso cronograma contém brincadeiras diversas para ele se distrair. Estamos investindo nosso tempo em arte, exercícios físicos e claro, vídeo-game. Afinal, com horários determinados e respeitando nossos limites, tudo funciona. Tem muitas mães (eu poderia dizer famílias, mas inegavelmente o peso recai sobre nós, mães!) se ajudando, enviando sugestões do que fazer, a própria escola encaminhou atividades e brincadeiras para que possamos realizar com eles. É momento de adaptação e organização, para todos, esp ecialmen te para eles. Manter a calma e o diálogo é a receita para o sucesso”, concluiu.
Momento para estabelecer rotinas e intensificar laços
Para a psicopedagoga e professora, Cliceli Kovalski, esse é um momento para exercitar ainda mais o diálogo, estabelecer rotinas e intensificar os laços familiares.
“Essa é uma fase nova de adaptação para todas as famílias. É importante que durante esse período, os pais procurem manter um diálogo e pensamento positivo, para ter uma boa convivência dentro de casa e evitar desencadear ansiedade nas crianças, que pode causar sintomas psicossomáticos. Por isso, seguir uma rotina quebra o tédio e ajuda a enfrentar tudo de forma mais leve e amorosa, afinal, devemos observar essa interrupção das aulas, como uma oportunidade de nos aproximar e formar laços mais intensos com aqueles que amamos”, argumentou Cliceli.
Isolamento não é férias
Sobretudo, a psicopedagoga destaca que o isolamento social não significa férias. “Portanto, a rotina de estudos deve permanecer, e, preferencialmente, nos mesmo turnos em que os estudantes estavam nos ambientes escolares, especialmente se forem crianças pequenas. Inclusive, é necessário fazer uns minutos de pausa com intervalo para lanche e depois a retomada aos estudos. Os cronogramas também devem contemplar momentos de lazer, com atividades que os pais possam desenvolver junto aos filhos”.
“As famílias que não puderam suspender as atividades profissionais devem redobrar os cuidados com a higiene quando chegam em suas casas e tomar banho antes de abraçar qualquer pessoa. E, além disso, é de suma importância criar um espaço, nem que por pouco tempo, nessa rotina, para englobar as crianças em alguma atividade de lazer familiar”, acrescentou.
Diálogo é essencial
Cliceli comentou, ainda, que o diálogo é essencial para evitar o surgimento de sentimentos, tais como o medo, nas crianças. “É fundamental evitar falar sobre essa pandemia a todo momento, claro que precisamos explicar da forma mais simples possível para que eles saibam o que está acontecendo e, se isso despertar o medo nos estudantes, dialogar é a principal dica, pois o medo não é necessariamente um sentimento ruim, só não devemos nos aprisionar nele e, sim, equilibrar. Com isso, indico que as famílias tenham pensamento positivo”, concluiu.
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