Neste ano, excepcionalmente, em função da pandemia do novo coronavírus, as instituições de ensino não terão obrigatoriedade de cumprir a quantidade mínima de dias letivos. Isso porque o presidente Jair Bolsonaro assinou na quarta-feira (1º), uma Medida Provisória (MP) que flexibiliza o calendário letivo e acadêmico. Contudo, a MP mantém a obrigatoriedade da carga horária mínima na educação básica e no ensino superior.
A medida busca compensar os dias de suspensão das aulas para tentar evitar a transmissão da covid-19. O texto, publicado no Diário Oficial da União (DOU), não indica como as instituições deverão se organizar, mas, na prática, elas reavaliarão seus calendários, contemplando a carga horária prevista, só que em um menor número de dias letivos.
“A escola não está isolada do mundo”
Para a coordenadora da 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Juliane Bonez, a iniciativa é essencial, pois a escola não está isolada das dinâmicas da sociedade. “Acredito que o mundo está vivenciando um momento ímpar da história, assolado por uma pandemia que está reorganizando todos os setores da sociedade e, com a educação, não poderia ser diferente, pois as escolas não estão separadas do mundo, elas não são cercadas por muros e, com isso, não estão isoladas”, contou à reportagem do Jornal Bom Dia.
Assim, a coordenadora destaca que é essencial neste momento, repensar a organização escolar. “É muito importante que o governo federal e o Ministério de Educação (MEC), como principal órgão do setor, pense nessas variedades que poderemos ter no calendário”.
“Qualidade deve suprir a perda em dias letivos”
Conforme Juliane, o período suscita investimentos em qualidade para suprir os dias letivos que estão suspensos. “A rede estadual está trabalhando com aulas programadas, e sempre é importante destacar o empenho de nossas escolas, professores, equipes diretivas, enfim, todo o quadro funcional, pois agora devemos investir em qualidade, pois o tempo só será vencido por meio da qualidade das atividades que cada educandário tem possibilidade de desenvolver”.
“Sobretudo, é necessário, também, o envolvimento das famílias e dos responsáveis pelos estudantes no desenvolvimento das atividades, e estamos percebendo que isso tem sido muito positivo. Claro que sentimos muito a falta do convívio social, mas é importante seguirmos as orientações e permanecermos em casa, focando na qualidade de nosso trabalho”, concluiu Juliane.
“Prioridade é a vida”
Para a secretária municipal de Educação de Erechim, Vanir Bombardelli, atualmente, a prioridade é a vida. “Hoje precisamos ter uma política de proteção à vida, então, sempre orientados pelos dados científicos de Saúde, seguiremos priorizando nossa população, para isso, a flexibilização do calendário é excelente para a organização das escolas”.
Em coletiva realizada ontem (1º), o prefeito de Erechim Luiz Schmidt, afirmou que uma equipe técnica da Secretaria Municipal de Educação já está avaliando novas possibilidades de organizar o calendário, garantindo a carga horária e a qualidade do ensino.