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Ensino

Para minimizar desigualdades, escolas se organizam para disponibilizar conteúdo do Pré-Enem

Ação foi motivada pela impossibilidade de alguns estudantes acessarem o material, que está sendo transmitido pela TVE

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A estudante Aluna Júlia Santa Catharina de Erval Grande está conseguindo assistir ao curso em sua ca
Por Amanda Mendes
Foto Divulgação

Se a sociedade é diversa, essa realidade se reflete nas instituições de ensino. As últimas pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que uma em cada quatro pessoas no país não tem acesso à internet. E, em tempos de pandemia provocada pela covid-19, que motivou a suspensão das atividades presenciais em escolas, esse cenário mobilizou diversas ações para garantir mais igualdade na preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

A aplicação do Exame foi adiada de 30 a 60 dias com relação as datas publicadas no cronograma, contudo, a rotina de estudos não deve parar e, pensando nisso, a Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Sul, lançou as Aulas Preparatórias Pré-Enem, que estão sendo transmitidas pela TVE diariamente, de segunda a sexta-feira. 

Mas ainda não era suficiente, já que não são todas as famílias que possuem acesso aos conteúdos disponibilizados por meio da TVE. Por isso, as escolas de abrangência da 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) fizeram um levantamento para indicar quantos alunos poderiam acompanhar as aulas em suas casas e, para aqueles que não teriam estrutura, as instituições se organizaram para possibilitar que eles assistissem no ambiente escolar.

“Iniciativa visa respeitar o projeto de vida dos estudantes”

Esse é o caso de três escolas estaduais da região do Alto Uruguai, nos municípios de Erval Grande, Gaurama e São João da Urtiga, que, antes mesmo de organizar o espaço e os horários para os estudantes, fizeram campanha de divulgação do curso da Seduc.

Para a diretora da Escola Estadual de Ensino Médio Erval Grande, Adiles Coradi, essa iniciativa visa respeitar o projeto de vida que cada aluno traçou. “Na nossa escola temos 29 estudantes que frequentam o terceiro ano do ensino médio, que possuem realidades diferenciadas. Alunos com acesso às mídias digitais, mas também aqueles que não têm nem telefone em casa. Ao sermos informados sobre o Pré-Enem fizemos um planejamento de ações: divulgação do curso em todos os anos do ensino médio, por meio do Whatsapp, contato com todos os alunos do terceiro ano, via telefone e visita à casa daqueles que não possuem recursos tecnológicos”.

“Após esse momento de divulgação, disponibilizamos todos os recursos tecnológicos e físicos da escola, incluindo a sala de recursos multifuncionais, para os estudantes que não tinham estrutura para acompanhar as aulas em casa, respeitando sempre os anseios e projeto de vida de cada estudante e respectiva família”, acrescentou Adiles.

Para a diretora, esse curso é fundamental nesse cenário de suspensão das aulas presenciais. “Sabemos, que nem todos têm as mesmas condições de acesso às mídias digitais, por isso, foi muito importante o papel das escolas em oferecer o espaço, para diminuir estas diferenças, criando condições de igualdade entre todos. Além disso, os professores de diferentes áreas do conhecimento também estão assistindo as aulas para acompanhar os estudantes”, concluiu.

O mesmo ocorreu no Colégio Estadual Libano Alves de Oliveira de Gaurama, que divulgou a programação do Pré-Enem em todas as séries do ensino médio, com aproximadamente 90 estudantes acompanhando os conteúdos. “Para os que não poderiam assistir em casa, disponibilizamos o espaço do Colégio”, contou a diretora da instituição, Vânia Bettega.

“Em nosso Colégio a maioria de nossos alunos está tendo a possibilidade de assistir as aulas online e isso vem a auxiliar esse panorama repleto de medidas de isolamento social, com a maioria dos locais fechados, inclusive as escolas. O que continua funcionando, e muito, é a internet. É por isso que as aulas da rede estadual se tornaram mais viável. O importante é que nosso estudante crie uma rotina com horários específicos para estudar, em um lugar tranquilo e que mantenha o foco e a concentração para com seus estudos”, complementou a diretora.

“Estudar é fundamental”

Para Vânia mesmo sem as aulas presenciais, é fundamental que os alunos tenham condições para continuar estudando. “Em qualquer que seja a situação, estudar é essencial, e as aulas do Pré-Enem, estão fazendo com que seja possível nossos estudantes ‘driblarem’ as dificuldades encontradas nesse período de quarentena”, concluiu.

Colaboração entre colegas                                                                

Na Escola Estadual de Educação Básica Frei José de São João da Urtiga, dois estudantes indicaram a impossibilidade de assistir as aulas em suas residências. “Fizemos um levantamento para podermos organizar a escola e, consequentemente, receber esses alunos. Eles viriam em horários distintos, mas optaram por acompanhar o curso na casa de colegas. Acredito que essa iniciativa é de extrema importância para os candidatos do Enem. Outro ponto a ser destacado foi a valorização dos professores da rede estadual, que estão atuando como mediadores nesse curso”, pontuou o diretor da instituição, Aldo Colcente.

“Sinto falta das aulas presenciais, mas o Pré-Enem está sendo excelente”

A estudante Vanessa Schneider, da Escola Estadual de Ensino Médio Erval Grande, relata que mesmo sentindo falta das aulas presenciais, o Pré-Enem está lhe ajudando. “As aulas são excelentes, estou gostando pois estão apresentando conteúdos desde o ensino fundamental.  Os professores explicam de uma forma simples e detalhada, tudo bem preparado. Claro que prefiro as aulas presenciais, mas essas estão ajudando bastante e estou aproveitando ao máximo para fazer anotações”.

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