0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Rural

Trigo: tem muito a ser expandido

Cultura de risco, com alto custo de produção, mas que ajuda viabilizar a produtividade da soja

“Tem gente que opta por plantar aveia, eu tenho gosto muito grande pelo trigo e pela cevada"
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

O agricultor e prefeito de Quatro Irmãos, Adilson de Valle, dos 300 hectares cultivados com as culturas de verão, vai plantar cerca de 80 hectares de trigo este ano e, também, e 180 hectares de cevada. Ele explica que as culturas de inverno, tanto trigo quanto a cevada, são de alto risco na região, mas dão viabilidade para as lavouras de verão, sendo que no inverno é preciso fazer a cobertura do solo.

“Tem gente que opta por plantar aveia, eu tenho gosto muito grande pelo trigo e pela cevada, apesar de já ter tido grandes prejuízos. Mas nos últimos anos fizemos alguns seguros, principalmente na cevada, que tem seguro- qualidade e dificilmente o produtor vai ter prejuízo. No trigo não tem esse seguro, mas tem o Proagro, então a gente acaba financiando e arriscando”, afirma.

Ele explica que planta trigo porque neste período é importante implantar alguma cultura para fazer palhada. “E o trigo e a cevada são lavouras para proteger o solo, fazer rotação de cultura, e, também, ter algum lucro no final”, afirma.  

Adilson comenta que o preço do trigo está atrativo este ano, mas o custo aumentou em função do alto valor do dólar, levando junto preços dos insumos como adubos e fungicidas.

Alto Uruguai

A expectativa de plantio de trigo na região Alto Uruguai é um pouco maior que a do ano passado, e a cultura deve ter um crescimento estimado em 5% na área, afirma o engenheiro agrônomo, Luiz Ângelo Poletto, da Emater/RS – Ascar. Na safra passada a região cultivou cerca de 29 mil hectares de trigo.

O mesmo está acontecendo com a cevada, que na safra passada chegou a ter 10 mil hectares de área plantada. “Mas tudo depende muito dos contratos, principalmente, com a Ambev”, afirma.

Segundo Poletto, em torno de 15% da área do trigo está plantada e quando a chuva passar a implantação do trigo vai se aprofundar um pouco mais. “O custo de produção da Embrapa, hoje, para um hectare de trigo de uma safra de alta tecnologia gira em torno de R$ 2,368 mil. O preço médio da saca de trigo de 60 kg está em torno de R$ 44,90”, afirma.

Valor

Ele comenta que tem muitos contratos sendo viabilizados, principalmente para a panificação, por R$ 50 a R$ 51 a saca. “Mas isso depende da qualidade do trigo e qual a finalidade da produção”, diz. A cevada também está com um preço médio acima de R$ 60, em alguns casos até R$ 68. “Então o valor está favorável para a cultura”, diz.

Produtividade

A produtividade média da região é de 3500 quilos por hectare, e na mesma média a cevada. A expectativa inicial para a safra deste ano é 3300 quilos por hectare, 55 sacos por área.

Mundo

“O maior produtor mundial de trigo é a Argentina, que tem um custo de produção 40% mais baixo, e, muito desse trigo vem para o Brasil. Esse ano eles têm previsão de uma safra histórica. A produção brasileira deve ficar em 5,7 milhões de toneladas. Consumimos 12 milhões de toneladas, portanto, importamos 6 milhões de toneladas que praticamente vem da Argentina”, comenta.

Ele comenta que o mercado mundial também está favorável, porque existe uma reduzida oferta mundial do trigo, “não tem muito estoque de trigo no mundo”.  

RS

Conforme Poletto, o Rio Grande do Sul vai ter aumento na área plantada de trigo, em torno de 750 mil hectares, com uma produção estimada em mais de 2 milhões de toneladas. O grande produtor do Brasil é o Paraná”, disse.

Preço

Segundo o agrônomo da Emater, a expectativa de aumento de área se deve um pouco ao preço, a perda de arrecadação que os produtores tiveram com a estiagem nas culturas de verão, e, também, bons contratos para a panificação.

Duplo propósito

“Tem alguns produtores que estão começando a implantar o trigo de duplo propósito, ainda é pequeno, mas existe uma tendência no RS, que serve para pastoreio e depois para a colheita dos grãos”, explica.

Entraves-benefícios

O agrônomo explica que um dos motivos que muitos produtores não gostam de cultivar trigo é porque atrasa o plantio da soja entorno de 10 a 15 dias. “No entanto, a cultura traz grandes benefícios comprovados por pesquisas, a soja plantada na resteva do trigo tem produtividade média 15% maior”, comenta.

Previsões

Neste ano tem previsão de frio, e pouca chuva, principalmente, no período mais complicado do trigo. “Então, deve ser um ano bom para a cultura de trigo”, diz.  

Recomendações  

O agrônomo recomenda ao produtor procurar variedades de trigo que se adaptem ao município, conforme o solo. “Façam uma boa adubação baseada em análise de solo, os tratamentos fitossanitários, conforme a necessidade”.

Expansão 

Poletto lembra que a região já foi o celeiro do trigo no Brasil, mas hoje, plantamos muita pouca área. “Se observarmos que temos 300 mil hectares de área plantada com culturas de verão, entre soja, milho e feijão, entre trigo e cevada não chegamos a 12%. O trigo seria 10% da nossa área agricultável”, observa.

Alternativa

A cultura de inverno seria uma excelente alternativa para aumentar a renda dos agricultores da região. “Geograficamente a região Alto Uruguai tem em torno de 632 mil hectares de área, desses, 300 mil hectares são agricultáveis, 100 mil hectares são áreas das cidades, 100 mil hectares de matas e 100 mil hectares pastoreio, reflorestamento e fruticultura, as culturas perenes”, explica.

Em tempos de pandemia do novo coronavírus (covid-19) é o agronegócio que está segurando a economia. “A região tem a possibilidade de crescimento nas criações, suínos e aves, principalmente, bovinos de corte e leite, piscicultura, apicultura com menor escala. A fruticultura é também uma atividade que está crescendo, em três anos expandiu 500 hectares. E as culturas de inverno, que seriam outra opção de aumentar a renda do produtor”, ressalta.  

Ele lembra que, historicamente, o produtor vem perdendo trigo pelas chuvas e tem plantado mais culturas só para cobrir o solo. A região tem esse potencial de expansão, mas não depende só da Emater, mas também das empresas, cooperativas, em fazer um trabalho de venda antecipada, casada, com preços bons para incentivar o produtor a plantar trigo.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas