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Rural

Censo reforça potencial frutícola da região

Conforme dados da equipe técnica da Emater, nos últimos três anos, a maioria dos produtores ampliou investimentos na atividade aliada a especialização. Hoje, praticamente 75% das áreas dedicadas ao cultivo de frutas no Alto Uruguai, estão voltadas à citricultura

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Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação/ Emater

A região sempre teve produtores que atuaram no ramo de fruticultura, principalmente em áreas como a costa do Uruguai. No passado, inclusive, se trabalharam mais do que hoje com produtos como abacaxi, banana e mamão. Do mesmo modo, a citricultura, a partir da década de 90 registrou crescimento por meio de programas do governo do Estado.

Atualmente é a área que mais cresce, basicamente por três motivos: incentivo das prefeituras, microclima favorável e também pelo apoio da equipe técnica especializada. Praticamente 75% das áreas dedicadas ao cultivo de frutas, estão voltadas à citricultura no Alto Uruguai.

Para auxiliar na avaliação e nortear as próximas ações na atividade, a cada três anos é organizado um censo frutícola. No fim do mês de maio foram obtidos os números mais recentes. O engenheiro agrônomo e Assistente Técnico Regional da Emater, Luiz Angelo Poletto, concedeu entrevista ao Bom Dia e detalha as informações.

Crescimento de áreas

Em 2017 a região contava com uma área de 3.558 hectares, envolvendo todas as frutas. Atualmente são 3.973 hectares.

No caso da citricultura há uma ligação expressiva com o Vale do Rio Uruguai e foi registrado um crescimento de aproximadamente 500 hectares nos últimos anos. A área atual de citrus compreende 2.844 hectares de laranja e 334 hectares de bergamota.

Ao mesmo tempo pode ser observada o crescimento de outras espécies como o morango. No último censo havia 5.20 hectares e atualmente são 8.10 hectares, o que representa um aumento de 150 toneladas de produção na região.

Outra cultura que está sendo mais valorizada é a nogueira pecã. Se antes havia 35.7 hectares, atualmente a região conta com 97 hectares.

Conforme o engenheiro agrônomo, o pêssego é uma cultura que também deverá ter crescimento e municípios como Barra do Rio Azul e São Valentim estão entre os que mais irão investir. “Mesmo com a soja se mantendo com preços mais atrativos, muitos produtores estão agregando valor às atividades e acreditando na fruticultura. Vale muito investir nesse campo. No futuro a região deverá receber muito destaque por esse trabalho, tanto em razão do potencial como pelos profissionais e empresários que estão interessados no setor”, destaca.

Diminuição

Por outro lado, o que diminuiu foram os parreirais: em torno de 130 hectares. Erechim e Barão de Cotegipe são os municípios em que essa realidade foi mais perceptível. O caqui também apresentou redução. Em 2017 eram 70 hectares e atualmente são 31.

Já entre as culturas que vem mantendo as áreas está o mirtilo, a maçã e o figo. Como potenciais para crescer está o abacate, a pitaya, a romã e a melancia. “Buscamos desenvolver um trabalho específico para a atividade, para estimular o crescimento e diversificar a pequena propriedade”, salienta, citando que a citricultura, por exemplo, chega a exportar produtos para outros Estados. “Observo que temos potencial para ampliar as áreas de fruticultura e comercializar na própria região. Vários itens tem um valor agregado que pode ser melhor que o registrado na Serra, por exemplo. A exceção, nesse caso é a citricultura, pois estamos longe dos centros consumidores. Nesse ano estamos com problemas de venda, pelo preço baixo da indústria e a pouca procura para consumo in natura”, justifica.

O engenheiro agrônomo assinala que, ao passo em que há diminuição do número de propriedades que atuam com a fruticultura, os produtores que permanecem, têm aumentado a própria área. “Muitos estão buscando especialização e organizando um sistema de venda. Como exemplo está: família Griebler, de Aratiba, que conta com o maior pomar cítrico individual. Já o figo ganha destaque em Jacutinga; o pêssego em Barra do Rio Azul; o morango em Áurea; a maçã em Gaurama, entre outras”, pontua.

Situação atual

Poletto comenta que o frio é benéfico para algumas culturas e a diferença expressiva entre mínima e máxima, faz a diferença no resultado da produção. “Nesse período, específico para a família das rosáceas (figo, caqui, ameixa) que estão em dormência, muitos produtores aproveitam para fazer o tratamento de inverno, limpeza das áreas e organização da poda”, acrescenta.

Na citricultura já foram colhidas as variedades precoces, tanto de bergamotas como laranjas. Nesse ano, por influência do clima, a laranja Valência pode ser colhida antes.

Capacitação

Além da importância do suporte técnico fornecido pelas equipes do Emater Regional e escritórios municipais, Poletto citou, ainda, o Centro de Treinamento da Emater - Cetre – que promove atividades há mais de 20 anos. Mesmo com a pandemia estão sendo promovidas capacitações on-line em diversas áreas, inclusive na fruticultura.

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