Desde a segunda quinzena de março deste ano, alunos de todo o Brasil e consequentemente do estado do Rio Grande do Sul, tiveram que parar as atividades devido a pandemia do novo coronavírus.
Uma parte das instituições, já utilizava o sistema on-line para organizar os trabalhos, outra, iniciou um processo de adaptação para continuar as aulas. Mas, nem todos os alunos, possuem acesso à internet e suas facilidades.
De acordo com um estudo divulgado em março deste ano pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), no Brasil, 4,8 milhões de crianças e adolescentes, na faixa de 9 a 17 anos, não têm acesso à internet em casa.
Procedimento
Para entender como funciona o procedimento das atividades remotas para alunos da região que não possuem acesso à internet principalmente no interior dos municípios, conversamos com a coordenadora 15ª Coordenadoria Regional da Educação (CRE), Juliane Bonez que nos explicou, que, embora as escolas tenham aderido às plataformas on-line, cada instituição tem sua metodologia. “Estamos avançando para a plataforma digital dentro das possibilidades, mas fazendo esforço porque é uma forma de aprendizado que não mais sairá de nossa realidade. Ainda que tenhamos retorno, será de maneira gradual e por escalonamento, com isso sempre teremos estudantes fora do prédio escolar em aprendizagem”, argumenta.
Itatiba do Sul
Em Itatiba do Sul, noroeste do estado, a Secretária Municipal de Educação, Esporte, Turismo e Políticas para Juventude, Júlia Antônia Bagnara Consoli, conta que as estratégicas foram construídas coletivamente com as equipes diretivas. “Construímos um plano de ação, onde elencamos todas as formas para atingir nossos alunos e diminuir a distância no período de pandemia. Por este motivo, decidimos que estaríamos entregando as atividades de forma presencial semanalmente na casa de todos os estudantes, sejam eles da educação infantil ou do ensino fundamental’, afirma.
Estratégias
Conforme a secretária, a decisão de entregar as atividades na casa dos estudantes, foi por entender que nem todos possuem acesso à internet para realizar as atividades. “Alguns possuem dados móveis, mas é o necessário para o uso diário das famílias, sabemos que se forem utilizar essa internet para uma pesquisa escolar, irá gastar todos os dados. Também há aparelhos que não comportam baixar certos aplicativos para fazer uma aula on-line. Desta maneira, aqui em nosso município, a forma mais eficaz para continuar as atividades, está sendo entregá-las de forma presencial”, explica.
Volta às aulas
De acordo com Júlia, no município não é utilizado o ensino on-line como principal forma de ensino, mas a nova forma, veio trazer um “despertar” para adquirir novas formas de conhecimentos e utilizar as mídias. “Ao meu ver, esse cenário veio para ficar sim, porque precisamos estar melhorando nossa prática, e utilizando os meios de comunicação, com isso, o só temos a crescer, como visualizamos a exemplo do Estado", afirma.
Dificuldades
Para a secretária, as dificuldades das aulas a distância, acontecem em diferentes fatores. “Acesso à internet, auxílio aos alunos, sabemos também, que muitos pais não são alfabetizados, mas penso que de alguma forma, estamos chegando aos nossos alunos, dificuldades todos temos, mas aos poucos estamos melhorando e construindo formas para chegar até os estudantes” comenta.
Erebango
De acordo com a diretora do Colégio Estadual Irineu Evangelista de Souza, de Erebango, Elaine Seehaber, o município está utilizando três formas para continuar as atividades: plataformas de estudos on-line, WhatsApp e a busca das atividades na escola. “Em nosso caso, o que identificamos, não é a falta de internet ou aparelho, mas a dificuldade em mexer na plataforma, principalmente no ensino das crianças mais pequenas, em que alguns pais, não tem a prática com ferramentas virtuais”, conta.
Conforme a diretora, aos poucos as professoras estão se adaptando à nova realidade por meio de palestras que estão sendo disponibilizadas on-line pelo Estado. “Quando um aluno não consegue acessar a plataforma ou tem dificuldades, ele vai até a escola onde disponibilizamos o xerox da atividade ou também enviamos pelo WhatsApp”, afirma.
Segundo ela, o conteúdo disponibilizado para os alunos do interior e da cidade, é o mesmo, o que varia, é a forma como ele é colocado na plataforma.
Ensino on-line permanente
Na cidade, existe um equilíbrio, entre os profissionais que estão conseguindo trabalhar com o sistema e os que estão tendo dificuldades. Para Elaine, se o ensino virtual permanecer após a pandemia, a situação terá que ser avaliada, pois há dificuldade em acessar algumas ferramentas do sistema na região.
Avanços
Conforme a Coordenadora Regional 15ª CRE Juliane Bonez sobre o ensino remoto, a metodologia é utilizada para que nenhum estudante fique sem atividades. ”Estamos avançando na plataforma, estamos em fase de letramento digital e, previsão de pacote de internet, para estudantes e professores, ser autorizado na próxima semana.
Sobre as dificuldades
De acordo com a coordenadora, as dificuldades e as facilidades acontecem no processo e variam de acordo com cada escola. “Estamos integrados para nos ajudar, CRE e escolas, porque todos temos como objetivo a aprendizagem. Um momento diferente que precisa do esforço da escola e da família. É preciso que todos levem muito a sério porque não é de escolha de ninguém a situação e precisamos promover a inclusão de todos, cada um com suas particularidades”, explicou.