O ensino remoto, adotado durante o período de suspensão das aulas presenciais para conter a propagação do novo coronavírus, não elevou os índices de desistências nas escolas públicas estaduais dos municípios de abrangência da 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE).
As informações foram repassadas pela coordenadora, Juliane Bonez, à reportagem do Jornal Bom Dia. “Com a relação as desistências ou abandono, precisamos considerar que vivemos um momento atípico, que trouxe muitas outras dificuldades além daquelas já enfrentadas por quem, frequentemente, também acabava desistindo, em tempos considerados normais. Mesmo nesse cenário, o número de estudantes permanece o mesmo do início do ano letivo 2020”.
Busca Ativa
Juliane explica que a Coordenadoria utilizou o Busca Ativa, ferramenta utilizada para pensar estratégias de contatar os estudantes da rede que não estão frequentando as aulas, para evitar que a evasão aumentasse nesse período de ensino não presencial.
“Sempre tratamos caso a caso, e por causa da pandemia, abriu-se a possiblidade de usar o “Busca Ativa” no sistema para não findar com a desistência. Assim, não temos um índice maior do que os outros anos. Afinal, por tratar-se de um momento delicado a escola está fazendo muitas tentativas para que os estudantes retornem à aprendizagem, alguns já estão de volta, outros prosseguem em Busca Ativa. Acreditamos que não podemos desistir de dar este apoio a quem precisa”, pontuou a coordenadora.
Internet gratuita
Além da Busca Ativa, Juliane comenta que a disponibilização de internet gratuita pelo governo do Estado, pode ter sido essencial para que os estudantes não desistissem das atividades remotas. “As aulas estão ocorrendo pela plataforma Sala de Aula do Google, então é necessário o acesso à internet. Ainda, para aqueles alunos que não possuem equipamentos, tais como computadores, as escolas estão abrindo os laboratórios de informática para que eles realizem as aulas, respeitando os protocolos sanitários e de saúde”.
“Muitas coisas mudaram diante da nova organização social que vivemos, em função da pandemia provocada pela covid-19. A educação precisou construir possibilidades para garantir a relação com os estudantes e suas famílias, assim, a escola não parou, apenas transferiu seu espaço. O esforço do quadro docente foi exemplar, não mediram e não medem esforços relativos a dar atenção e auxiliar no processo de ensino. Zelar pela aprendizagem é manter o respeito por quem a conduz, com ética, empenho e compromisso. Tudo isso porque a educação não é função apenas da escola e, talvez, esta pandemia serviu para nos mostrar isso. Sobretudo, precisamos seguir, com cuidado e atenção, para que a cada dia sejamos ainda melhores e mais humanos”, concluiu a coordenadora.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação de Erechim, mas até o fechamento desta edição, não obteve retorno.
Rede privada
A reportagem entrou em contato com diferentes estabelecimentos de ensino da rede privada e o Colégio São José de Erechim informou que houve algumas desistências na educação infantil do educandário. “Esta etapa contempla os estudantes de um a três anos, portanto, não há obrigatoriedade escolar. Em função da suspensão das atividades presenciais, algumas famílias precisaram contratar pessoas para ficarem com seus filhos em casa, por isso tiveram que abrir mão das matrículas”, ressaltou a diretora, Ir. Silvana Arboit.
“Com a sinalização do retorno em breve, passamos a ter mais procura de novos alunos, bem como, dos estudantes que tiveram que cancelar suas matrículas no começo da pandemia. Para nossos estudantes, o ensino remoto não foi empecilho, pois as famílias conseguiram se adequar a nova realidade, a exceção daquelas que não tinham como ficar em casa com as crianças”, concluiu Silvana.
Se nas próximas semanas a região do Alto Uruguai permanecer em classificação média para as contaminações do novo coronavírus, ou seja, em bandeira amarela, as aulas presenciais podem retornar no início de outubro.
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