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Ensino

Rede estadual: retomada das atividades presenciais divide opiniões entre famílias

Preocupação com a estrutura das instituições de ensino em seguir os protocolos sanitários é comum em todos os entrevistados

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Marli Oro da Silva ajudando sua filha Emanuele nas aulas remotas
Adriana Ávila e seu filho, Henrique Cunha
Por Amanda Mendes
Foto Divulgação

A possibilidade de retomada das atividades presencias nas escolas estaduais de Erechim, além de ser avaliado como um assunto delicado, está divergindo opiniões entre algumas famílias.

Contudo, a preocupação com a estrutura das instituições de ensino para seguir os protocolos sanitários, visando a prevenção de possíveis contaminações ao novo coronavírus, é comum entre todos os responsáveis pelos estudantes, que foram entrevistados pela reportagem do Jornal Bom Dia.

Há seis meses as aulas presenciais estão suspensas, como medida para evitar a exposição da comunidade escolar ao vírus. A retomada das atividades na rede estadual está prevista para o dia 13 de outubro, no entanto, isso só será possível se a R16, região que contempla os municípios da 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), se manter classificada em bandeira laranja, ou progredir para a amarela.

“Minha filha não retornará”

Para Marli Oro da Silva, que é mãe de Emanuele, estudante do Colégio Estadual Professor Mantovani, as escolas não possuem condições de iniciar a retomada das atividades presenciais.

“São muitos alunos por turma, com isso, acredito que não tem espaço suficiente para manter o distanciamento recomendado, ainda, não há profissionais suficiente para manter os ambientes higienizados. Dessa forma, não me sinto segura em deixar minha filha retornar à escola, porque mesmo que ela tenha 13 anos, não vai conseguir ficar distante das colegas”, contou.

O cenário para Marli é ainda mais preocupante, pois sua filha tem asma e também mora com sua avó de 84 anos, que está incluída no grupo de risco. “Por isso, prefiro que permaneça o ensino remoto, para evitar o contágio e, mesmo na proposta de que volte apenas alguns estudantes, acredito que o modelo de ensino deve ser o mesmo para todos. Penso que é essencial a comprovação de uma vacina para depois ter o retorno das aulas presenciais”, concluiu.

“Momento de adequação”

Adriana Ávila, mãe de Henrique Cunha, que está no 7ª ano do ensino fundamental da Escola Estadual Normal José Bonifácio, acredita que esse é um momento de adaptações, desde o ensino remoto até as questões financeiras necessárias para planejar a retomada das atividades presenciais.

“Penso que desde o início da pandemia, em março, foi preciso nos adequar com a adoção do ensino remoto, porque foi um desafio às escolas, famílias, professores e estudantes. Contudo, para a volta das aulas em escolas públicas, precisamos pensar a questão financeira para que se possa adaptar os espaços, afinal, hoje, acredito que elas ainda não têm a estrutura recomendada para seguir os protocolos de Saúde”.

“Eu participo intensamente da vida escolar do meu filho, e só me sentirei segura para que ele retorne no momento em que a direção e coordenação me derem este posicionamento favorável, pois sei que estão trabalhando para isso. Este ano está sendo repleto de experiências e em relação a educação, como mãe, meu desejo é de mais harmonia e parceria entre as definições do poder público, as famílias e as escolas”, complementou Adriana.

“Agora, acho que poderia voltar”

Na avaliação de Caroline dos Santos Wal, mãe da aluna Ana Luiza, da Escola Estadual Antônio Burin, os índices de contaminações em Erechim não estão tão altos e, considerando que sua filha estuda em uma escola de campo, que possuí apenas 17 estudantes, o retorno presencial poderia acontecer.

“Aqui não vejo problema em voltar as aulas presenciais. Mas eu penso que o ensino remoto está muito bom, os professores estão passando os conteúdos de forma prática para as crianças, além disso, o aplicativo Sala de Aula do Google, que está sendo usado para as atividades, é maravilhoso. Então, como se cogita a utilização do ensino remoto e presencial, acho que isso pode se tornar mais cansativo tanto para os alunos quanto para os professores”.

“Retorno quando as escolas tiverem estrutura”

Para os pais, Claito Dias e Fernanda Gonzatto, da aluna Amanda Gonzatto Dias, de 10 anos, o retorno só pode ocorrer se as instituições de ensino tiverem estrutura para evitar possíveis contaminações.

“Me sentirei segura para deixar minha filha ir à escola apenas quando tiver certeza que as instituições estão seguindo todas as normas dos protocolos sanitários”, pontuou Fernanda.

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