Burocracias, remuneração incompatível com a rotina de trabalho e desvalorização da carreira: esses são os principais desafios da docência no Brasil. Com cenário delicado, professores indicam que o amor pela profissão é o pilar que sustenta a permanência no exercício pedagógico, bem como, por acreditarem no potencial que a educação tem em transformar a vida das pessoas.
Para marcar o Dia do Professor, comemorado nesta quinta-feira (15), o Jornal Bom Dia entrevistou professores da educação básico ao ensino superior, para comentarem um pouco mais sobre a carreira.
“O que me faz ser professora é amar minha profissão. Contudo, o exercício do nosso ofício passa por muitos desafios e o que nos deixa magoados é o sistema ao qual estamos inseridos, repleto de burocracias, baixos salários, somado à desvalorização da carreira”, contou a educadora da rede municipal de Erechim, Viviane Machado do Canto.
Reinventar
Este ano, com a pandemia provocada pelo novo coronavírus, alguns desafios se intensificaram em função da medida de distanciamento social que exigiu a suspensão das aulas presenciais, sendo substituídas pelo ensino remoto. Nesse novo contexto, os educadores precisaram se reinventar para que os processos de ensino e aprendizagem não fossem interrompidos.
“A pandemia fez com que muitos saíssem da ‘zona de conforto’, proporcionando espaço para repensarmos os processos de ensino e aprendizagem, qualificar as nossas ‘velhas rotinas’, buscando aperfeiçoar nossos conhecimentos em relação as tecnologias, ou seja, tivemos que nos reinventar, encontrando outras alternativas para proporcionar aos estudantes, mesmo que distante, o conhecimento”, pontuou Viviane.
Para o professor da rede estadual de Erechim, Leonel da Rocha, o ensino híbrido, implementado de maneira inesperada por causa das medidas restritivas de prevenção a covid-19, foi um dos principais desafios da profissão nesse ano. “Aliar a forma tradicional de lecionar com as tecnologias mudou muito nossa rotina. Não sofri com a transição, pois sempre gostei de tecnologias, mas o ensino remoto demandou mais carga horária, pois além dos planejamentos e as aulas, tivemos que produzir relatórios sobre as atividades”.
“Esse momento trouxe alguns pontos positivos e negativos. Se por um lado aprendemos que a internet possui diversas ferramentas que podem trazer mais interatividade às aulas, por outro, a pandemia escancarou algumas desigualdades sociais, principalmente no que se refere ao acesso à internet ou equipamentos tecnológicos”, acrescentou Leonel.
Exercício dinâmico
Segundo o coordenador do curso de Pedagogia da Universidade Regional Integrada (URI) – campus Erechim, Idanir Ecco, o trabalho do professor, mesmo antes da pandemia, já era dinâmico. “Por isso, é questionável afirmar que a pandemia alterou a rotina de trabalho. Sabemos que o trabalho docente não é um trabalho repetitivo, pois trabalhamos com seres humanos, com produção de saberes, de conhecimentos e em contextos diversos, exigindo que a ação docente seja proativa, temporal e espacial”.
Para o professor, a pandemia deve ser considerada como um marco para essa nova fase histórica. “O trabalho remoto, por exemplo, e os recursos tecnológicos necessários para a sua efetivação já existiam há um tempo considerável. O que aconteceu foi a decisão deliberada para a sua utilização de forma mais ampla, para dar conta de atividades imprescindíveis, como é o caso no setor educacional”.
Ao mesmo tempo, Ecco, assinala que, houve um redirecionamento na organização e nas ações didático-pedagógicas considerando as diferentes alterações.
O coordenador do curso, considera uma atitude pré-matura citar pontos positivos e negativos, levando em conta que os educadores continuam vivenciando esse processo. “Entendo que os esforços devem ser concentrados para conhecer os resultados dessa reconfiguração educacional, por exemplo no tocante à aprendizagem, à formação geral e profissional do acadêmico, da eficiência e eficácia do trabalho docente, entre outros elementos, para depois, sim, identificar com segurança dados que podem ser considerados positivos ou não”, finalizou.
Adaptações
De acordo com o professor do curso de Educação Física da URI, José Luis “Nino” Dalla Costa, a pandemia provocou uma série de adaptações. “Ainda, esse processo foi realizado de uma maneira muito rápida. As atividades presenciais passaram para aulas síncronas, online, seminários online, lives e atividades com o objetivo de uma interação online com acadêmicos, professores e diplomados, por meio das mídias digitais. Com isso, o momento é de adaptação e repleto de aprendizados e, por isso, é essencial que o professor fique atento às mudanças que ocorrem em seu contexto para promover as modificações necessárias em s uas aulas, tendo sempre em mente a tecnologia, a inovação e o comprometimento com o desenvolvimento de seus alunos”.