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Ensino

Rede particular: ingresso no ensino superior foi maior na modalidade a distância

Dados do MEC apontam que em 10 anos, o número de matrículas subiu 378,9% na educação remota. Coordenador do EAD da URI, Leandro Langoski, acredita que essa tendência de crescimento deve se intensificar

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Nos últimos 10 anos, o número de matrículas na educação remota subiu 378,9%
Por Amanda Mendes *Com informações: Inep
Foto Divulgação

Uma tendência que se vislumbrava há alguns anos, está se tornando realidade: o crescimento da modalidade a distância no ensino superior brasileiro. Nos últimos 10 anos, o número de matrículas na educação remota subiu 378,9%.

Em 2019, pela primeira vez, os ingressantes em cursos de EaD eram maioria em relação a quantidade de estudantes que iniciaram a graduação presencial, na rede privada. A diferença é pequena, mas significativa, ao todo, 50,7% (1.559.725) dos alunos que ingressaram em instituições privadas optaram por cursos de EaD. Em contraponto, 49,3% (1.514.302) dos estudantes escolheram ingressar na educação superior de modo presencial.

Os dados são do Censo da Educação Superior 2019, divulgados em outubro pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e pelo Ministério da Educação (MEC).

Para o coordenador do EAD da Universidade Regional Integrada (URI) – campus Erechim, Leandro Langoski, a pandemia do novo coronavírus, que demandou a suspensão das aulas presenciais para evitar a propagação do vírus, pode ser um fator de mudança na postura das pessoas com relação ao ensino a distância.

“Acredito que essa divisão entre ensino presencial e a distância está chegando ao fim, com as mudanças que a pandemia provocou na educação brasileira, pois percebemos neste momento que a aprendizagem é mediada por tecnologias, de formas bem variadas e com uso de plataformas de ensino, por exemplo, temos cursos presenciais com disciplinas on-line, outros 100% on-line, aulas remotas, cursos híbridos (que une as aulas presenciais e a distância)”, pontuou Leandro.

Diversos fatores impulsionam crescimento

De acordo com o coordenador, essa tendência ao ensino à distância está presente não apenas no Brasil. “Países como Estados Unidos, Austrália, Índia e Coréia do Sul são exemplos de que essa modalidade tem sido a escolhida por milhares de estudantes para ter um curso superior. Acredito que essa procura está aumentando por diversos fatores, entre eles, a melhor conexão à internet e inovações nos métodos de aprendizagem, que permitiram mudanças significativas na forma de estudar”.

Além disso, Leandro destaca que no Brasil, outros fatores podem contribuir para a escolha da modalidade. “As estatísticas mostram queda na renda das pessoas, aumento do desemprego e cada vez menos há formas de financiamento estudantil com custos financeiros acessíveis, isso pode levar os estudantes optarem pelo EAD. Somado a isso, tem a questão de que o acadêmico não precisa estar todos os dias no ambiente universitário, podendo assim adequar seus horários com a rotina de estudos”.

É preciso romper paradigmas

“Contudo, essa possibilidade mais prática de organizar a rotina não significa que seja mais fácil que o ensino presencial, pois cursar uma graduação de maneira remota exige muita dedicação e disciplina, pois o aluno é o protagonista da sua aprendizagem, tendo o professor como um consultor e incentivador neste estudo”, acrescentou o coordenador.

Sobretudo, Leandro acredita que é necessário romper alguns paradigmas culturais na educação, para seguir desenvolvendo o ensino a distância. “Ninguém será prejudicado, somente temos que nos adaptar ao novo ambiente, e lembrar que o protagonista da aprendizagem é o aluno, portanto, cabe a ele pesquisar e identificar qual é a melhor forma de fazer o seu curso superior, para assim, garantir um futuro pessoal e profissional”, concluiu.

 

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