Mais de 80 escolas da rede estadual na região de abrangência da 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), ainda não retomaram as aulas presenciais. Entre os motivos para a espera está o atraso na entrega de máscaras, prometidas pelo governo do Estado, a aprovação dos Planos de Contingência (documento que detalha as medidas de segurança sanitária) e algumas instituições de ensino estão impedidas de voltarem em função de decretos municipais que não permitem o retorno.
As aulas foram suspensas em março como medida de prevenção ao novo coronavírus. Nesse período, foi adotado o ensino remoto e a volta presencial estava autorizada para o ensino médio desde o dia 20 de outubro, e para os anos finais do ensino fundamental no dia 28 do mesmo mês. Contudo, na região por enquanto apenas oito escolas conseguiram voltar. No total, a 15ª CRE contempla 101 escolas, nove são indígenas, e não têm liberação para retomar, e oito já voltaram.
A coordenadora da 15ª CRE, Juliane Bonez, explica que o ensino presencial é um complemento às atividades remotas e há diversos motivos de algumas escolas ainda não terem retornado. “O planejamento da retomada está tranquilo e seguindo todos os critérios levantados junto às equipes diretivas, atendendo as necessidades pedagógicas e sanitárias. O ensino remoto permanece e as aulas presenciais foram programadas para aqueles estudantes que tiveram algum tipo de prejuízo nesse momento, por exemplo, dificuldades no acesso à internet”.
“Sobretudo, não podemos dizer que haja entraves para o retorno, o que existe é a organização de cada escola diante de sua realidade. Ainda, consideramos que o ensino remoto é a condução segura de saúde para todos os envolvidos, por isso, os estudantes devem se manter em contato com suas escolas”, concluiu Juliane.
“Precisaremos de recursos humanos”
Por enquanto, na Escola Estadual Normal José Bonifácio, de Erechim, só há circulação de estudantes para acessar as aulas remotas na sala digital da Instituição. “Agora, estão vindo para a Escola apenas os alunos que não têm em suas residências acesso a plataforma Google Sala de Aula, usada para as atividades não presenciais. Eles estão vindo de forma escalonada para respeitar o teto de ocupação da sala”, pontuou a diretora da Escola, Susie Silvana Moreira.
Conforme Susie, a Escola não retornou porque ainda não recebeu as máscaras e está aguardando a aprovação do Plano de Contingência. “Quando formos autorizados, irão voltar apenas aqueles alunos em que seus pais assinaram a Declaração de Responsabilidade (termo do governo do Estado) se responsabilizando e solicitando que tivessem aulas presenciais”.
“Percebemos que os pais de modo geral estão bem atentos aos riscos que seus filhos podem correr ao retornarem à escola, já que a maioria está optando pela continuidade das aulas pela plataforma. É importante ressaltarmos que mesmo seguindo todos os protocolos de segurança, não temos como garantir que não ocorrerá o contágio. Além disso, para que os controles sejam efetivos nós precisaremos de mais monitores (funcionários de interação com o educando) já que estes devem controlar a entrada, aferir temperatura na entrada e durante os turnos, garantir respeito ao fluxo dentro da escola e evitar aglomerações e, hoje, só temos três funcionários nessa função. Então, fica evidente que precisaremos de mais recursos humanos”, acrescentou.
“Me preocupa o aumento de casos na cidade”
No Colégio Estadual Professor Mantovani, de Erechim, a realidade é a mesma, falta a entrega das máscaras e a aprovação do Plano de Contingência. No entanto, o diretor da Instituição, Roberto Bagatini ainda está apreensivo em retomar as atividades.
“Nossa principal preocupação é com o aumento significativo do número de casos de contaminações nos últimos dias em Erechim. Embora a região esteja classificada com risco baixo de contágio, ou seja, em bandeira amarela, todos os dias os números estão subindo e nós temos muitos funcionários e professores mais velhos, assim, não queremos colocar em risco a comunidade escolar, mas claro, assim que for liberado o retorno, vamos seguir as orientações da rede”, argumentou Roberto.
O retorno nas turmas de ensino médio deve envolver aproximadamente 11 estudantes e nos anos finais do ensino fundamental, nove alunos.