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Ensino

Rede estadual: calendário letivo de 2021 deve permanecer com aulas remotas

De acordo com coordenadora da 15ª CRE, Juliane Bonez, próximo calendário letivo deve ser semelhante ao deste ano

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De acordo com coordenadora da 15ª CRE, Juliane Bonez, próximo calendário letivo deve ser semelhante
Por Amanda Mendes
Foto ArquivoBD

Sem perspectiva de iniciar o próximo calendário letivo com todas as aulas presenciais, os professores já vislumbram o ano de 2021 ainda com predominância do ensino remoto.

De acordo com a coordenadora da 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Juliane Bonez, as plataformas digitais são as mais eficazes para garantir proteção à saúde, sem interromper os processos de ensino e aprendizagem. “Nossa preocupação é com os alunos que não possuem estrutura para acessar as tecnologias utilizadas no ensino não presencial, por isso, as escolas estão se organizando junto aos pais, para aproximar esses estudantes dos equipamentos disponíveis nas instituições de ensino”, contou à reportagem do Jornal Bom Dia.

“Atualmente, os professores estão capacitados com relação ao uso de tecnologias, afinal, como sempre estamos em constante aprendizado, e as famílias estão mais ‘familiarizadas’ com processo de ensino não presencial. Por isso, como não temos perspectiva de iniciar o ano letivo de 2021 diferente de como concluiremos este, precisamos qualificar as aulas remotas pela plataforma, cada vez mais”, concluiu Juliane.

Pesquisa: ferramentas devem ser mais utilizadas na volta às aulas

De acordo com a Agência Brasil, uma pesquisa encomendada pela Fundação Lemann mostrou que 55% dos professores da rede pública de ensino consideram essencial que as escolas tenham acesso à internet para a retomada das aulas em 2021. Segundo a pesquisa, os professores estão mais preparados e 73% pretendem utilizar mais ferramentas tecnológicas para lecionar do que usavam antes da pandemia da covid-19.

“Para 81% dos professores, a tecnologia é uma grande aliada na promoção de um ensino mais ativo. No entanto, 45% dos profissionais consideram a conexão à internet adequada atualmente e quase 30% não têm qualquer internet na unidade escolar”, destaca publicação da Agência Brasil.

“Um dos aprendizados é a desigualdade no acesso à tecnologia”

Para o professor da rede estadual, Leonel da Rocha, o ensino remoto está sendo implementado a partir de muitos aprendizados, entre eles é a persistência da desigualdade no acesso à internet.

“A pandemia provocada pelo novo coronavírus, colocou em destaque a desigualdade de acesso às tecnologias, ainda de forma não expressiva no século 21, por exemplo, alguns estudantes têm que dividir o celular para fazerem as atividades, outros têm dificuldade em acompanhar os encontros virtuais por restrições de dados e muitos utilizam apenas a internet móvel”, argumentou Leonel.

Ainda, o professor ressalta que apesar desse entrave, a experiência com o ensino remoto está sendo positiva. “Pedagogicamente, tenho gostado muito, pois a internet nos traz muitos recursos, como mapas e informações em tempo real. Com os alunos que possuem acesso, nossa conexão é instantânea e isso auxilia muito no processo de ensino e aprendizagem, tirar dúvidas ficou mais fácil, por exemplo se o estudante tem algum questionamento é possível responder em tempo real. No entanto, como a maioria das coisas em um país desigual como o Brasil, o ensino híbrido tem seus prós e contras”.

“Pandemia acelerou o uso de plataformas digitais”

Antes da pandemia, o uso da tecnologia já era frequente na rotina de Leonel, inclusive no desenvolvimento de atividades com os estudantes. “Já utilizava a internet para muitas coisas, como por exemplo em troca de e-mails, além disso, usava o data show (aparelho de projeção) em sala de aula, e nas escolas que atuo também temos acesso a rede wi-fi para fins pedagógicos. Uma das experiências mais bacanas com a tecnologia, foi a produção de um filme dos bairros de Erechim, que realizamos no componente curricular de Geografia, ficou muito legal”.

Para o professor, as tecnologias devem ser mais frequentes em sala de aula quando as medidas restritivas de prevenção sanitária não forem mais necessárias. “Conforme vem sendo falado em nossas formações ofertadas pela CRE e pela Secretaria Estadual de Educação, a pandemia só acelerou o uso das tecnologias em sala de aula, então sim, esse é um processo irreversível ao qual teremos que nos adaptar”, concluiu.

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