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Ensino

Incertezas, mais trabalhos e esperança no retorno presencial: a experiência no ensino remoto

Estudantes relatam como está sendo o período, preocupações e desafios de aprender distantes das escolas

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Com aulas presenciais suspensas desde março, estudantes relatam como está sendo o período, preocupaç
Por Amanda Mendes
Foto Divulgação

Adaptação, desafios para aprender o conteúdo distante (fisicamente) dos professores, percepção de que o futuro foi prejudicado, saudades do ambiente escolar e muito esforço: esses são alguns dos sentimentos de estudantes, que marcam o ano letivo de 2020, com aulas remotas, em função da pandemia provocada pelo novo coronavírus.

A aluna da Escola Estadual Santo Agostinho de Erechim, Aryelle Santos, de 13 anos, mesmo com dificuldades em desenvolver as atividades à distância, optou por não retornar com as aulas presenciais. “Nessa nova modalidade de ensino está mais difícil para aprender todas as matérias, mas ainda não acho que seja momento para retornar à escola, principalmente considerando o aumento de casos na região do Alto Uruguai”, contou à reportagem do Jornal Bom Dia.

“Considero que minha trajetória foi prejudicada, mas com esforço redobrado e com auxílio dos professores, estou conseguindo aprender os conteúdos. Não cheguei a pensar em desistir do ano letivo, mas acho que isso esteve presente entre muitos estudantes. Agora, só espero que esse momento passe logo, que as pessoas se cuidem para que possamos voltar logo”, acrescentou Aryelle.

“Um ano perdido”

O sentimento é partilhado com a aluna do Colégio Estadual Haidée Tedesco Reali de Erechim, Amanda Gatti de 16 anos. “Está sendo um ano bem difícil de concluir, há compreensão de alguns professores, mas de outros, nem tanto, a quantidade de trabalhos está mais intensa e às vezes sinto que falta um olhar mais compreensível. Essa realidade do ensino remoto me traz muita preocupação, pois às vezes não conseguimos aprender tanto o conteúdo, quanto se estivéssemos em sala de aula”.

Amanda se preocupa com reflexos desse ano em seu futuro. “É um ano inteiro de conteúdos e aulas que certamente vou precisar algum dia e infelizmente foi perdido, para recuperar não será fácil. Eu cheguei a um ponto de pensar em desistir do ano letivo, mas com o apoio de minha família, permaneci. Afinal, apesar de estar sendo um período delicado, meu futuro depende que supere esse desafio”, concluiu.

“Ainda não é momento para retornar presencialmente”

Por outro lado, há experiências positivas com a adoção das atividades remotas. Esse é o caso da estudante da Escola Estadual Santo Agostinho, Raíssa Fossatto Borba, de 15 anos.

“A experiência com as aulas nessa modalidade, está sendo muito interessante e produtiva, pois sempre tivemos vontade de conhecer mais sobre o assunto abordado na aula, e, as plataformas digitais oferecem componentes on-line que nos permitem visualizar imagens, reportagens, mapas ou textos relacionados aos conteúdos, deixando o ambiente da aula mais interativa e proveitosa”, comentou.

Nesse cenário, Raíssa optou por não retornar presencialmente à Escola. “Apesar de sentir muita saudade dos professores e colegas, tenho todos os recursos para continuar com o ensino remoto, então, não há motivo para colocar minha saúde em risco”.

Apoio da família

De acordo com a psicóloga Débora Cidade, esse período pode ter estimulado crises de ansiedade, implicando na concentração e dificuldade em estabelecer uma rotina, o que pode ter afetado a aprendizagem.

“Acredito que muitos alunos estão passando por incertezas, inseguranças e preocupações, desde provas e atividades on-line, até o Exame Nacional do Ensino Médio, para aqueles que farão a escolha de curso superior. Esse momento que estamos enfrentando pode vir acompanhado do medo de sermos incapazes e acabamos nos limitando. Por isso, é fundamental o incentivo da família nesse momento, montando cronogramas de estudos, estabelecendo horários para dormir e acordar, acompanhar as atividades, e, sobretudo, no apoio emocional para que eles não desistam”.

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