Para priorizar a saúde da comunidade acadêmica, as instituições federais com campi em Erechim, Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) e Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), não devem retomar as aulas presenciais em janeiro, como determina uma Portaria do Ministério da Educação (MEC), publicada na quarta-feira (2). Portanto, o ensino remoto deverá ser mantido até que se tenha segurança epidemiológica para a volta das atividades presenciais.
Além do retorno previsto para o dia 4 de janeiro de 2021, a Portaria revogou a permissão para que as atividades não presenciais contem como dia letivo, o que é autorizado até dezembro deste ano. Conforme a Agência Brasil, o documento estabelece ainda a adoção de recursos educacionais digitais, tecnologias de informação e comunicação ou outros meios convencionais, como complementar, em caráter excepcional, para integralização da carga horária das atividades pedagógicas.
As aulas presenciais foram suspensas em março como medida de prevenção a possíveis contaminações ao novo coronavírus. A medida do MEC é prevista para o ensino superior.
Preocupação com estágio da pandemia na região
A região do Alto Uruguai, onde está presente as instituições, vem apresentando aumento significativo de diagnósticos à covid-19 e internações em decorrência da doença e, por isso, os gestores de campus do IFRS e da UFFS, receberam com apreensão a notícia da Portaria.
“Estamos assistindo com preocupação o aumento do número de casos e de internações na região, inclusive, com indicadores nunca atingidos desde o início da pandemia. Neste sentido, a retomada das atividades presenciais caracterizaria uma temeridade dadas as condições sanitárias atuais. Precisamos priorizar a saúde e a vida de professores, técnicos administrativos e estudantes, visto que retomamos às atividades de ensino no formato remoto em outubro, o que contribui para a redução de eventuais prejuízos formativos para os estudantes”, pontuou à reportagem, o diretor da UFFS – Erechim, Luís Fernando Correa da Silva.
A equipe de gestão do campus Erechim do IFRS e o pró-reitor de Desenvolvimento Institucional, Amilton Figueiredo, relataram à reportagem que a Instituição está acompanhando a situação da pandemia no Estado e irá priorizar a segurança da comunidade. “Vemos com bastante apreensão o atual cenário da pandemia no âmbito regional, com o alarmante aumento do número de casos e a grave ocupação dos leitos e das UTIs. Seguimos observando e atendendo as orientações e determinações das autoridades governamentais e técnicas, e das instâncias superiores à nossa instituição. A opinião geral no IFRS é de que estamos vivenciando um momento bastante delicado, tendo isso em vista, buscaremos sempre zelar pela segurança de todos os envolvidos nas nossas atividades”.
A Portaria também está sendo rejeitada por diversas instituições federais no país.
Instituições já possuem protocolos de segurança
O IFRS e a UFFS já possuem protocolos de biossegurança, que estabelecem a organização dos espaços em caso de retomada das atividades presenciais, equipamentos de proteção individual, e, ainda, as instituições também têm orientações de como proceder em caso de infecção ou de contato com pessoas infectadas pelo novo coronavírus, mas aguardam o cenário melhorar, para então pensar na possibilidade de retornar presencialmente.
“Desde a sua criação, o IFRS Campus Erechim tem tido um comprometimento com o desenvolvimento social, econômico e tecnológico, incluindo nisso o bem-estar e a qualidade de vida dos nossos servidores e estudantes, mas também de toda a comunidade com a qual a instituição se relaciona. Especialmente num cenário de incertezas e preocupações como é o da disseminação da covid-19, o IFRS está sempre vigilante para as necessidades e as ocorrências da comunidade de todo o Alto Uruguai”, pontuam a equipe do IFRS e o pró-reitor, Figueiredo.
Luís Fernando ressalta, ainda, que a Portaria deverá ser revogada. “Em reunião da reitoria com as direções de campus realizada no dia 2 de dezembro, decidimos que, assim como as demais universidades federais, seguiremos pautando nossas ações nas diretrizes internas e na deliberação do Conselho Universitário sobre calendário e protocolo de biossegurança. É muito provável que a portaria governamental seja revogada, visto que se tratou de medida adotada sem considerar a conjuntura de ampliação dos contágios e também as condições objetivas para a retomada das atividades presenciais em um curto intervalo de tempo”, concluiu.