Um ano atípico, marcado pelo ensino remoto, que demandou mudanças significativas em pouco tempo, para evitar a propagação de contaminações ao novo coronavírus, mas sobretudo, foi um período que exigiu mais dedicação dos professores e estudantes para que os processos de aprendizagem não fossem interrompidos, no momento em que as aulas presenciais foram suspensas, em março.
Para o docente da Universidade Regional Integrada (URI) – campus Erechim, José Luis “Nino” Dalla Costa, a adaptação que a pandemia mobilizou da Educação, em todos os níveis, demorariam meses e até anos para se efetivar.
“Um dos setores que mais exigiu velocidade para alterações, foi o da Educação e as instituições que estavam mais preparadas para essas mudanças saíram na frente, como a URI - Erechim, alterando suas estratégias e metodologias pedagógicas, investiu em recursos tecnológicos, treinamento dos professores e dos técnicos administrativos acadêmicos, para levar diariamente aulas síncronas (em tempo real) a todas as turmas dos cursos presenciais durante o ano todo”, pontuou o professor à reportagem do Jornal Bom Dia.
Mudança de mentalidade e comportamento
Para José a principal alteração foi na mentalidade e comportamento dos professores. “O ensino remoto síncrono, utilizado pela URI - Erechim, possibilita manter a mesma estrutura de horários, comprometimento dos professores, profissionais e acadêmicos da Universidade, visando a adaptação dos conteúdos dos cursos presenciais para esse formato de ensino on-line e ao vivo. Assim, foi necessário mudar a mentalidade, comportamento e atitude de toda a comunidade acadêmica, para utilizar as plataformas e ferramentas digitais. Nesse cenário, nossa Universidade colocou em prática novas e inovadoras metodologias de ensino para aplicá-las ao formato de aula remota síncrona, uma conexão do presencial com o lar de nossos acadêmicos”.
“Se reinventar ao longo da vida”
Além disso, José afirma que um dos desafios do professor é sempre se renovar. “Se reinventar é necessário não apenas neste momento de pandemia, mas ao longo da vida e, de forma mais rápida, pois as tecnologias mudam com muita velocidade. Ainda, penso que esse período trouxe também alguns aprendizados, que foi trabalhar mais em equipe, valorizando as pessoas, dar mais espaço para a criatividade e confiar na capacidade de adaptação delas”.
“Acredito que é essencial o professor promover a conexão de seus alunos com as novas necessidades do mercado de trabalho, que exige um profissional com capacidade de adaptação e que consiga aliar a tecnologia e a inovação. O professor está comprometido com o desenvolvimento pessoal e profissional de seus alunos, no sentido de colaborar em um futuro profissional protagonista de sua vida”, concluiu o professor da URI.
Desafios de garantir a aprendizagem
Para a professora da rede estadual, Josiéli Fátima Tonin Pagliosa, os principais desafios foram se apropriar de recursos tecnológicos e manter os estudantes engajados para efetivar os processos de ensino e aprendizagem.
“Ao receber a notícia do cancelamento das aulas presenciais em virtude da pandemia, a expectativa, a princípio, era de que logo retornaríamos, mas infelizmente não foi o que ocorreu. Como professora de Matemática, vieram os primeiros desafios, dentre eles o de fazer com que o aprendizado do alunado se concretizasse, mesmo à distância. Sabia que não seria suficiente o simples envio de conteúdo e atividades aos alunos”, comentou.
“Me tornei ‘youtuber”
Josiéli precisou reinventar sua metodologia de ensino. “Surgiu, então, a ideia da criação de um canal no Youtube, gravação de aulas, edição, uma busca constante pelo aprendizado de recursos tecnológicos. Da noite pro dia, me tornei ‘youtuber’, mas os desafios e as dificuldades não pararam por aí. Iniciamos com a plataforma do Google Classroom, um mundo ainda desconhecido, mas que nos trouxe uma gama infinita de novos recursos, muitas foram as madrugadas acompanhando as lives de formação por meio do canal da TV SEDUC, um aprendizado de anos em poucos meses”.
Além desse empenho, as horas diárias para o planejamento das aulas, também se intensificaram. “O principal objetivo é garantir o aprendizado de meus estudantes e, para isso, surgiu a necessidade de aulas diversificadas e da apropriação de diferentes recursos tecnológicos, que vão desde uma simples criação de playlist no Youtube até a produção de Games Matemáticos. Houve, ainda, a necessidade de me reinventar e rever o meu papel como professora, em que muitas vezes me colocava como mera transmissora do conhecimento. Agora, além disso, como mediadora e orientadora, aprendendo muito mais do que ensinando, possibilitando ao educando ser protagonista de seu próprio aprendiz ado”.
“Enfim, os desafios foram muitos, mas, em resumo, cito os dois principais: me apropriar de vários recursos tecnológicos em tão pouco tempo e manter os alunos engajados no processo de ensino-aprendizagem, desafios estes que, com certeza, nos acompanharão doravante e por muito tempo, pois o ensino híbrido veio para ficar”, concluiu Josiéli.