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Meio ambiente: olhar para o passado para projetar o futuro

Pesquisadores da UFFS analisam sedimentos de 2,5 milhões de anos buscando respostas para mudanças climáticas

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Por Ascom
Foto Divulgação

As frequentes alterações climáticas têm feito com que pesquisadores voltem seus olhares para antigas eras geológicas, que podem auxiliar no estabelecimento de futuros cenários ambientais. Exemplo disto é um grupo formado por professores e acadêmicos da área de Geografia da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), que está focado em observar sedimentos milenares localizados na região interiorana de Santa Catarina, mais exatamente na Floresta Nacional de Caçador.

A investigação é baseada nos estudos de grãos de pólen e esporos, encontrados em áreas planálticas que não estão sob influência do Oceano Atlântico. A partir de projeções ou modelagens climáticas, feitas com o auxílio de programas computacionais, serão gerados resultados acerca dos potenciais perigos à população humana, referentes às alterações climáticas terrestres. Os resultados do estudo contribuirão para a compreensão da dinâmica da formação vegetal e para um maior entendimento do processo de ocupação humana na região, constituindo como mais uma variável de informação para modelos de projeções.

- A partir da identificação das plantas, será possível a reconstrução e caracterização da vegetação, do clima e das condições do ambiente no passado – explica Pedro Murara, coordenador da pesquisa e professor da UFFS – Campus Erechim.

- A busca por respostas que expliquem as rigorosas e intensas mudanças nos climas atuais é uma contribuição importante que pode ser dada pelas pesquisas de cunho paleoambiental – destaca Pedro. Segundo o docente, há uma escassez de estudos similares no interior do Sul do Brasil, sendo mais abundantes nas áreas litorâneas e proximidades continentais.

No início de abril, o coordenador e outros participantes do projeto estiveram na floresta de Caçador para coletar diferentes camadas de solo, por meio da tradagem, técnica que faz a extração de até três metros de profundidade. A tradagem possibilita o desenvolvimento de análises palinológicas, ou seja, a identificação dos esporos e grãos de pólen. Depois, com a possibilidade de datação do material a partir de carbono 14, será possível identificar quais eram as plantas presentes na área nos últimos 2,6 milhões de anos.

As primeiras amostras coletadas em campo passaram por análises que ratificam a possibilidade de o locar ser uma área de estudo, que possui material com potencial para o desenvolvimento da pesquisa. Agora, os pesquisadores retornarão ao local para coletar amostras que serão utilizadas na análise palinológica. Em seguida, parte do material será enviada para datação – esta etapa conta com financiamento do Edital Nº 270/GR/UFFS/2020, de fomento à Iniciação Científica, Tecnológica e de Inovação, e fomento à Pesquisa com ênfase na Pós-Graduação stricto sensu da UFFS.

Desde 2015 a equipe desenvolve pesquisas em Unidades de Conservação de Santa Catarina. A escolha pela Floresta de Caçador, segundo o coordenador do estudo, deve-se ao fato de ser uma área ainda pouco explorada, visto que nem mesmo há plano de manejo no local.

- Além disso, ela está localizada em uma porção do estado de Santa Catarina caracterizada pela transição da formação vegetal floresta-campo. Por isso, qualquer alteração e variação das condições ambientais poderá ser identificada – diz o professor Pedro.

Participam ainda do projeto coordenado pelo professor Pedro Murara: Gisele Leite de Lima Primam (pesquisadora da UFFS - Campus Chapecó), Emerson Gumboski (pesquisador da Univille), Daniela Loureiro Romanosky (mestranda em Geografia da UFFS), Miriam Carbonera (pesquisadora da Unochapecó), Ademar Graeff (mestrando em Ciências Ambientais da Unochapecó) e Arthur Bernardes (aluno de Geografia da UFFS - Campus Erechim).

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