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Ensino

Partituras do Tempo

Professora da UFFS, aluna e docente do Colégio Haidee, desenvolvem projeto que visa reconhecer a identidade cultural de Erechim por meio dos sons

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Estudo trabalha com um recorte, relacionando ambiência acústica e a história a partir de relatos , c
Por Ragnara Zago
Foto Ragnara Zago

Introdução no mundo de iniciação científica, esse é o principal objetivo do projeto “Partituras do Tempo”, uma parceria da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) de Erechim, com o Colégio Estadual Haidee. O estudo objetiva trabalhar na inteiração entre a graduação de Arquitetura e Urbanismo e o Ensino Médio.

Ambiência acústica e história

O estudo trabalha com um recorte, relacionando ambiência acústica e a história a partir de relatos literários, com propósito de explorar a literatura de Erechim, pesquisando onde estão os sons do passado e resgatando a memória sonora da cidade. A professora da UFFS e pós doutora, Marcela Alvares Maciel, explica as estratégias utilizadas para realização do programa. “Escolhemos um livro e durante a leitura são resgatados os sons e locais onde eles ocorreram. É interessante pois, quando estamos em um lugar determinado da cidade, nos damos conta que ali aconteceram muitas coisas no passado”, destaca a professora.

Temporalidade associada as mídias sonoras

            O método já é utilizado em outros locais. Erechim tem uma parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde Marcela conheceu o recurso, que, agora está aplicando no município. “Primeiramente dividimos a história da cidade, de uma forma diferente. Temos uma temporalidade associada as mídias sonoras. Acompanhamos alguns períodos históricos, como o período do rádio. Atualmente estamos na era da fita magnética, que muitos nem conhecem. Assim classificamos a história da cidade”, enfatiza a pós doutora.

Imaginação e história estimulada por meio da pesquisa

            Pamela da Silva é aluna do Terceiro Ano do Ensino Médio, participante do “Partituras do Tempo” e auxiliada pela professora de História, Maribel de Toledo. Conforme a estudante, é interessante para os jovens ter esse resgate de lembrança. “Como não vivemos naquela época, ao fazer a leitura podemos sentir como se tivéssemos vivido. Estimula nossa imaginação e conta a história por meio da pesquisa”, revela a discente. A professora Maribel também frisa o quanto a ação é marcante para a trajetória dos estudantes. “O que se observa nos últimos tempos, é a necessidade de estímulo e incentivo para a pesquisa e quanto ela é importante.  Essa é uma atividade que faz com que o aluno entre na universidade ciente de como funciona um projeto. A pessoa que se envolve trilha um caminho brilhante para o futuro”, pontua.

Sons importantes para a comunidade

            O estudo menciona a década de 50 até 80, que é o período em que as participantes classificam como fita magnética, e escolheram como obra de referência o livro “Os meus Erechim”. “Fizemos a leitura e o fichamento de todos os sons que encontramos descritos. O autor chamamos de testemunha auditiva, que é uma forma de buscarmos na literatura essas descrições e organizá-las em um catálogo sistematizado. Temos um método de classificação desses sons, e posteriormente cada um recebe um código e tentamos localizá-lo espaçadamente na cidade, onde ele aconteceu naquele período”, explica Marcela. Ela ainda acrescenta que, o trabalho faz parte do “Projeto Guarda Chuva”, com várias ações acontecendo em paralelo com o mesmo. “Nosso objetivo é tentar identificar quais os sons que seriam importantes para a comunidade reconhecer e identificar a identidade cultural. Temos um levantamento dessa paisagem sonora contemporânea, método de passeio sonoro nas ruas, escuta. É muito importante essa parte de pesquisa histórica, porque temos que entender quando esse som começou e se manteve-se ao longo do tempo ou não. Existem algumas iniciativas de tombamento de sons, pensando na importância naquele marco sonoro para a comunidade. Essa é a contribuição dessa parte da pesquisa para conseguirmos embasar e fundamentar essa parte do inventário”, esclarece.

Conexão

            A estudante Pamela salienta que é um privilégio ter sido escolhida pela escola para fazer parte do projeto. “Sempre fui muito ativa para participar de ações e admito que foi diferente participar desse, porque é algo que nunca fiz. No início achei tudo muito desafiador, porém, ao longo do estudo desenvolvi muito bem, pois é algo que se tornou divertido de fazer. Cria uma conexão diferente. Na minha opinião é uma influência que o jovem precisa ter hoje” acentua a aluna.

O estudo já está na terceira edição, e conforme a professora Marcela, os resultados são organizados em dois itens:

- Uma coleção de memórias sonoras, que são e-books disponíveis para download gratuito no site do projeto, onde todos podem acessar. Lá contém os registros levantados, com material ilustrado.

- Mapa sonoro literário, que é o mapa da cidade e a localização de onde o som aconteceu. Por meio dele, é possível ver a evolução ao longo do tempo, de como eram e vê-los se transformando.

“Criamos a partir do projeto, uma personagem chamada Joaquina, erechinense, a menina colecionadora de sonhos. Possuem vários livrinhos onde ela passeia pela cidade, e coleciona esses sons. Os livros são datados por período”, revela Marcela.

           

Unindo Ensino Médio e Superior

            O projeto busca envolver os alunos, ainda na graduação ou no Ensino Médio e até mesmo egressos. A personagem mencionada acima, foi criada por um egresso do curso de Arquitetura da UFFS. “Os universitários se envolvem, e fazem todos enxergar que quando estivermos no lugar deles, poderemos também participar ativamente de projetos como esse”, finaliza a aluna Pamela.

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