Na última semana, gestores escolares e membros do Conselho Tutelar dos municípios da região debatem a evasão escolar. Os encontros virtuais reuniram as autoridades com o objetivo de encontrar soluções para o problema.
Os participantes puderam expor a realidade de cada instituição de ensino e as dificuldades enfrentadas no processo de busca ativa dos estudantes que não retornaram às aulas.
As ações e estratégias constituem um processo que reúne esforços coletivos, tanto da equipe escolar, representada por profissionais engajados e a participação dos segmentos que compõem a Rede de Serviços de Apoio e de Proteção dos Direitos de Crianças e Adolescentes junto às comunidades locais. O alinhamento destas ações também esteve em pauta nas reuniões.
A coordenadora da 15ª Coordenadoria Regional de Educação, Juliane Bonez, esclareceu algumas dúvidas, com relação ao funcionamento das atividades da rede estadual de ensino e estratégias de incentivo aos alunos.
Bom Dia: As aulas na rede estadual continuam na modalidade híbrida?
Juliane Bonez: Sim, pois temos o desenvolvimento das atividades pela plataforma do Google Classroom e também pelo método presencial.
Bom Dia: - É permitido que o estudante permaneça no método 100% remoto? Como é feito o controle?
Juliane Bonez: Permanecer no modo 100% remoto é permitido somente aos estudantes em que os pais assinarem o termo de responsabilidade, expressando a forma como o aluno vai acompanhar as atividades, pela plataforma online ou buscando o material impresso na escola. A responsabilidade é da família em garantir o direito de acesso à instituição. O controle é feito pelo diário de classe do app “Sala de Aula Escola RS”, onde há um sinalizador que identifica a presença física, porém não significa que ele está ausente das atividades.
Bom Dia: Foram registrados índices de evasão escolar após o retorno das atividades presenciais?
Juliane Bonez: Dentro da modalidade híbrida, não trabalhamos com a evasão. Os estudantes que por ventura não têm mais contato com a escola, não estregaram nenhum tipo de atividade e não compareceram no presencial sendo maiores de 18 anos, já não fazem parte da organização, saindo automaticamente da chamada.
A questão que estamos trabalhando intensamente é com estudantes em busca ativa, aqueles que deixaram de entregar as atividades e não compareceram à escola com o retorno presencial, menores de 18 anos. Nós temos em toda 15ª CRE um total de 21.486 alunos e 1,05 % em busca ativa. Para auxiliar no monitoramento, estamos realizando webs reuniões por meio do programa Sipav, juntamente com o Conselho Tutelar dos municípios. Iniciamos com as instituições de ensino que apresentam o maior número de estudantes, onde tem sido um trabalho muito bonito para identificarmos qual é o próximo passo na organização, objetivando que esses alunos retornem a vida estudantil, seja de maneira remota ou presencial, voltando a interagir com a escola.
Bom Dia: Qual a expectativa para a avaliação amostral? Que estratégias a pasta pretende aplicar para reparar os danos?
Juliane Bonez: O diagnóstico em tempos de pandemia e a organização da rede estadual, iniciou com a construção por meio do Avaliar é TRI, que aconteceu em junho. A partir da iniciativa, a pasta fez uma programação para este segundo semestre e o próximo ano, com um olhar muito forte voltado ao planejamento, no sentido de formação e organização de material, para que possamos sanar as lacunas abertas por esse tempo, resgatando as habilidades que precisam ser trazidas novamente para a sala de aula.
Nesta perspectiva, tivemos na última semana a “Avaliação Amostral”, onde registramos um percentual alto de participação nas cinco escolas que representaram a nossa coordenadoria, dentro dos critérios estabelecidos pelo Caed, que foi responsável pela aplicação. A participação foi dentro das expectativas, a comunidade escolar entendeu que isso é necessário, então é mais um subsídio que temos para focar nas necessidades de formação.
Esse planejamento está todo integrado dentro do “Aprende Mais RS”, que é o programa intitulado com esse nome pela Secretaria de Educação do Estado, que já está com suas ações previstas e acontecendo dentro do próprio plano estratégico da secretaria.
Na semana passada, iniciamos a formação com os professores de Português e Matemática do Ensino Médio e nesta semana com os demais professores que fazem parte da rede estadual. São formações dentro da plataforma do Estado que vão acontecer de agora até dezembro.
Bom Dia: Você acredita que o apoio dos pais ou responsáveis é importante para que haja mais interesse nas aulas por parte dos estudantes?
Juliane Bonez: O apoio da família é fundamental para todos os momentos da escola. A instituição faz uma parte da educação dos filhos, a outra precisa vir da família. É muito importante que os pais se mantenham interligados à escola, inclusive para saber o calendário da frequência de seus filhos. Nós temos escolas que estão com 100% de atendimento, porque têm cuidando o teto de ocupação dentro do seu plano de contingência - são salas de aulas grandes que comportam a turma toda. Temos outras escolas atuando com revezamento. Cada qual tem uma realidade e particularidade, assim como horários e acessos. Pedimos que as famílias façam essa compreensão, porque temos uma organização e precisamos seguir com o nosso foco, que é a aprendizagem dos estudantes.