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Ensino

Dia mundial da alfabetização: “pilar de todo o processo educacional”

A reportagem do Jornal Bom Dia conversou com a secretária de Educação do município de Erechim, Verenice Lipsch, sobre a importância do processo de aprendizagem e os impactos da pandemia na etapa de ensino.

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Verenice Lipsch, secretária de Educação de Erechim
Por Ragnara Zago/ jornalismo@jornalbomdia.com.br
Foto Arquivo pessoal

No Brasil, 11 milhões de pessoas são analfabetas. São pessoas de 15 anos ou mais que, pelos critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não são capazes de ler e escrever nem ao menos um bilhete simples. 

            Pelo Plano Nacional de Educação (PNE), Lei 13.005/2014, que estabelece o que deve ser feito para melhorar a educação no país até 2024, desde o ensino infantil até a pós-graduação, o Brasil deve zerar a taxa de analfabetismo até 2024. 

            No Dia Mundial da Alfabetização, celebrado nesta quarta-feira (8), a reportagem do Jornal Bom Dia conversou coma secretária de Educação do município de Erechim, Verenice Lipsch, sobre a importância do processo de aprendizagem e os impactos da pandemia na etapa de ensino.

 

- Bom Dia: Qual a importância da alfabetização?

Verenice:  A alfabetização (saber ler e escrever) é o pilar de todo processo educacional. É uma etapa primordial nos Anos Iniciais que agregado ao letramento (cultivar e exercer as práticas sociais que usam a escrita) possibilita a efetivação da aprendizagem dos estudantes. A alfabetização inicia-se com a criança realizando leitura de mundo e, aos poucos, é potencializada pela escrita de palavras, frases e textos, que garantem a sua compreensão e contextualização. Uma pessoa alfabetizada é um cidadão, um ser político incluso na sociedade.

-  Bom Dia: Em que faixa etária e nível de educação ela acontece?

Verenice: O Plano Nacional de Educação, Lei 13.005/2014 destaca que os estudantes devem se alfabetizar até o 3° ano do Ensino Fundamental. Já a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) enfatiza que o estudante deve se alfabetizar até o 2° ano. Acredito que o professor tem que possibilitar estratégias pedagógicas para que a alfabetização aconteça conforme destaca a legislação, mas não deixar de acompanhar o “tempo” de cada estudante para que esse processo aconteça.

- Bom Dia: Quais os prejuízos obtidos nessa área durante a pandemia da covid-19?

Verenice: O afastamento dos estudantes da escola, provocado pela pandemia, prejudicou muito o processo de alfabetização e letramento, pois as famílias, em sua maioria, não estão preparadas para auxiliar as crianças, muitos pais não tem condições de dar suporte pedagógico. Para uma efetiva alfabetização a criança precisa de muito estímulo oral, pois fala e escreve, estímulo esse que nem sempre a família pode oferecer, pois estão preocupados em dar conta do sustento e de atender as necessidades básicas dos filhos.

 

- Bom Dia: Quais as iniciativas do sistema municipal de ensino para reparar os danos?

Verenice: - As professoras fizeram um diagnóstico dos estudantes para saber em que nível os mesmos estão no processo de alfabetização, com isso organizam as ações pedagógicas de intervenção específica.

- As professoras realizam planejamento com foco específico nas lacunas apresentadas pelo período sem aula ou somente em aula não presencial com atividades diversificadas.

- A Secretaria de Educação ofertou aos Professores do Ensino Fundamental I formação continuada, com parceria da UFFS, Professora Zoraia Bittencourt, com o tema Alfabetização para capacitação e qualificação da prática pedagógica, bem como ofereceu sugestões de diversas atividades para os professores realizarem com os estudantes.

Bom Dia: - Qual a importância de os pais auxiliarem as crianças nesse processo?

Verenice: O acompanhamento das famílias é fundamental em todos os níveis educacionais, mas no processo de alfabetização ainda mais, pois os mesmos podem incentivar no ambiente familiar e social a alfabetização, na forma mais simples possível, fazendo associação das letras com o que é significativo na vida dos estudantes. Por exemplo na fruta que ele mais gosta, nas placas encontradas na rua, no nome dos familiares. Da mesma forma que a escola proporciona a contextualização com a vida do estudante, as famílias também o podem fazer.

Os pais também podem oferecer o estímulo verbal com a leitura de livros infantis ou contação de histórias, pois são modelos de leitores para os filhos. A leitura do mundo da criança/estudante acontece antes mesmo de chegarem na escola e a família é a que conduz esse processo.

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