21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Ensino

Professora marcelinense cria site sobre educação e atinge 11 milhões de acessos

Aposentada desde 2008, após 33 anos de exercício no Magistério do RS, Marli Helena Kumpel da Silva divulga temas relacionados à educação, direitos e as lutas do cotidiano

teste
“Socializar e dividir o conhecimento, também é aprender”, afirma a profissional
Por Nathan Breitenbach
Foto Arquivo Pessoal

Conhecendo a realidade de trabalho desgastante e intenso dos colegas, onde geralmente não sobra tempo para pesquisas e leituras além das necessárias no desenvolvimento das demandas escolares, a professora aposentada, Marli Helena Kumpel da Silva de 65 anos, criou o site www.profemarli.com.  O objetivo é divulgar e socializar temas relacionados à educação, aos direitos e a legislação especifica dos educadores, bem como as lutas do cotidiano das pessoas e da mídia em geral.

Trajetória na educação

Com especialização em Educação Especial, cursada na URI de Erechim, lecionava Educação Física. Desde que começou atuar como professora - iniciando na Escola da Barragem, passando pela escola de Benjamim Constant do Sul, na escola de Capo-Erê e finalizando na Escola JB - a tarefa de educar crianças e adolescentes sempre a sensibilizou e inspirou. Natural de Marcelino Ramos, mudou-se para Erechim com sete anos de idade e há três anos reside em Caxias do Sul.

Gestões

Filha de Waldemar Kumpel (falecido) eletricista e Leonilda Kumpel, dona de casa, tem participação ativa no movimento Sindical. Já foi diretora de Núcleo do Cpers/Sindicato por quatro gestões, conselheira da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), e também conselheira Municipal de Educação do Município de Erechim. Além disso, representou o CPERS, Sindicato no Conselho Estadual de Educação do RS (CEEd). Na maior parte deste período, coordenando a Comissão de Legislação e Normas. Encerrou a gestão em 15 de abril de 2020.

Escola JB

Aposentada desde 2008, após 33 anos de exercício no Magistério do RS, sendo 21 anos na Escola Normal José Bonifácio, no período que esteve afastada da direção do 15º Núcleo, foi eleita pelo Cpers/Sindicato como conselheira no Conselho Estadual de Educação do RS, com sede em Porto Alegre, permanecendo por duas gestões (de 2012 a 2020). Atualmente, foi eleita por vários colegas aposentados, como representante Estadual dos Aposentados do CPERS na suplência, para participar mensalmente de reuniões do Conselho Geral, onde são debatidas e organizadas as mobilizações.

Criação do site

O site foi criado em agosto de 2012, quando já estava aposentada e encerrando três gestões na direção do 15º Núcleo do Cpers/Sindicato, por entender da necessidade e a importância de um canal de comunicação ligado à temas educacionais. “Criei o site como uma forma de continuar assessorando e socializando informações para os colegas”, comenta. Ao citar Paulo Freire, “Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre”, pensa que socializar e dividir o conhecimento, também é aprender. Para isso, pesquisa sobre os temas que considera relevante para os colegas. “Como recebo muitos pedidos de esclarecimentos, elaboro respostas. O que considero interessante a muitos, também posto. Faço este trabalho sozinha”. Atualmente, o site ultrapassou a marca de 11 milhões de acessos.

Educação gaúcha: “calamitosa”

A expectativa que tem em relação ao sistema educacional, as contradições existentes, o querer que nem sempre é o querer dos estudantes e suas famílias, a burocracia que muitas vezes dificulta o processo pedagógico, a falta de valorização profissional e também financeira, são alguns dos desafios enfrentados por ela em uma sala de aula. Para ela, a educação gaúcha encontra-se calamitosa, uma vez que o Estado carece de investimentos nas escolas. Ressalta que se a sociedade não compreender a importância da educação e a função de fazê-la funcionar, muito em breve não haverá mais escolas públicas, apenas privadas. “Estudar só para quem puder pagar. Não é interessante para muitos gestores ter pessoas críticas que pensam e sonham com um mundo mais democrático e solidário”.

Construções gradativas

Ao perceber que perdemos muitas vidas por conta da pandemia, sinaliza que precisamos agora pensar que a educação e o conhecimento são construções que se fazem gradativamente, com respeito ao tempo do indivíduo e sua condição pessoal, material, familiar e social. Acredita que enquanto educadores, é fundamental pensar um processo pedagógico diferenciado que atenda a legislação educacional, mas principalmente ao processo pedagógico individualizado dos estudantes. Marli acrescenta que valorizar o conhecimento e as aprendizagens construídas no período da crise sanitária, também são essenciais para a construção de um mundo mais inclusivo.

Tarefa difícil, mas enriquecedora

Ao recordar a missão na educação pública, diz que todos os profissionais merecem respeito e admiração nesta tarefa difícil, mas enriquecedora. Para atuar na docência, os profissionais precisam se ver como sujeitos do processo pedagógico e entender o seu papel neste processo. Recomenda ainda, a necessidade de acreditar e defender o que está estabelecido na Constituição de 1988, que consolidou o compromisso do Estado e da sociedade brasileira em promover a educação para todos, garantindo o direito ao respeito e adequação da educação às singularidades culturais e regionais.

A CF foi complementada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que assegurou, entre os princípios básicos, a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. “É necessário reivindicar a efetivação dos direitos garantidos na Constituição Federal e demais normas, ao mesmo tempo, avaliar a aplicação das verbas públicas e as prioridades das políticas educacionais com o objetivo de eliminar o descaso e desinteresse de ações governamentais”. Pensa ainda que a exclusão e desigualdade nas escolas públicas de Educação Básica, necessita de maior atenção do Poder Público bem como a valorização dos profissionais de educação que atuam na educação de milhares de estudantes todos os dias.

Enfrentamentos políticos e jurídicos

Marli afirma que as conquistas não ocorrem sem enfretamentos políticos e jurídicos.  Pensa que este cenário desfavorável e estas condições, só poderão ser revertidas com muita luta da sociedade que precisa manter o esforço e a organização para que as escolas permaneçam abertas e funcionando com qualidade. “Mantê-las é a demonstração de luta e resistência de quem acredita que a educação é a única maneira efetiva de construção social e de garantia do direito para milhares de crianças, jovens e adultos”, finaliza.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;