A erechinense, filha de Rosana Fátima Trevisan Zorzi (aposentada) e Davide Zorzi (in memorian), diz que uma vez dentro do curso, é difícil não gostar. “Há tantas áreas/especialidades diferentes, que vamos criando simpatia por uma ou outra. Eu me identifico com a Clínica Médica, acredito que seguirei em alguma especialidade dessa área”, afirma.
Maturidade
Nathalí decidiu cursar Medicina na metade de outra graduação, Psicologia. Foi uma surpresa para a família, sobretudo porque gostava muito do curso que estava fazendo. Para ela, essa caminhada acadêmica ocorreu da maneira mais assertiva que poderia: entrou na Medicina estudando com maturidade, dando valor às experiências acadêmicas e focando em aprender de verdade. Entretanto, acredita que essas duas profissões têm muito em comum e que cada vez mais estarão sendo aproximadas.
“Uma feliz surpresa”
Iniciou a graduação em Medicina no ano de 2019, após realizar o vestibular. Lembra que o listão de aprovados foi divulgado dia 23 de janeiro do mesmo ano, alguns dias antes do previsto inicialmente pelo edital. Para ela, foi uma feliz surpresa. Engana-se quem pensa que este curso é apenas para jovens. Nathalí conta que as turmas têm, no geral, 55 alunos. Nesses três anos, alguns desistiram, transferiram-se para outras universidades e colegas novos entraram. Quando ingressou na faculdade lembra que a maioria dos colegas tinham 17, 18, 19 anos. O mais velho, atualmente tem 41 anos.
12 semestres letivos: teoria e prática
Para contemplar o perfil profissional desejado, o curso estabelece, em sua organização curricular, íntima articulação entre teoria e prática, de modo a proporcionar múltiplas experiências de aprendizagem, em cenários reais ou simulados, nos diferentes ambientes de formação. Na modalidade presencial e funcionamento integral, está estruturado em 12 semestres letivos, sendo que os quatro últimos destinam-se a Internato Médico.
A rotina de quem está no curso, envolve muitas horas de aulas diárias, tanto teóricas quanto práticas. Além disso, é necessário cumprir horas extracurriculares, sobretudo junto às Ligas Acadêmicas. A jovem entende que um grande diferencial são os materiais da universidade para estudar o conteúdo prático, e, por isso, está em tempo integral na URI. “Não é incomum ir para a aula de manhã cedinho e ficar por lá até a universidade fechar à noite. Toda essa exigência faz com que tenhamos que organizar muito bem nossas tarefas pra dar conta de tudo”.
Vida social
Nathalí complementa que quando está com a família por perto, fica mais fácil, mas que por muitas vezes, os colegas são o apoio, como uma segunda família. Essa convivência em tempo integral faz com que crie laços de amizade muito fortes, o que para ela é essencial. Quanto a vida social, considera imprescindível manter atividades além da universidade: realizar o que se gosta para manter a saúde mental, a resiliência. Há muitas exigências sobre o desempenho dos estudantes, logo, é importante ter um momento de paz, pra descontrair, se divertir mesmo.
Três pilares de formação
Quando se pensa nas razões para cursar graduação em uma universidade, alguns aspectos ganham relevância. Dentre eles, destaca-se a qualidade da formação oferecida, primando pelo conhecimento e experiência adquiridos com o curso. Outro fator fundamental é a convivência com colegas, professores, coordenadores, enfim, com todos que fazem parte do percurso acadêmico. O curso de Medicina da URI Erechim está fundamentado em três pilares de formação: Técnico-Científico, Humanidades e Saúde Comunitária, os quais objetivam contribuir para a formação geral, humanista e reflexiva preconizada pelas Diretrizes Curriculares Nacionais. Uma visão abrangente e crítica, não somente dos processos de saúde-doença, mas do ser humano em sua totalidade, é o perfil profissional almejado, cujo aprendizado é orientado e supervisionado pelos docentes/tutores e preceptores do curso em todos os níveis de atenção à saúde.
Assistência e ensino
A matriz curricular contempla 8.280 horas, acrescidas de 200 horas de atividades complementares, totalizando, assim, 8.480 horas em um mínimo de seis anos de integralização. “A faculdade de medicina da URI, que faz parte do Programa Mais Médicos, apresenta uma formação integrando assistência e ensino, numa parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e todos os cenários de práticas dos serviços públicos de saúde da região do Alto Uruguai. Além dos cenários de práticas públicas, a universidade tem laboratórios de Habilidades e Simulação e Ambulatório onde os alunos atendem, com a devida orientação dos professores, para as práticas profissionais, sejam simuladas ou realísticas”, afirma o coordenador do curso de Medicina da URI, professor Sérgio Bigolin.
Formação humanista
Na visão da acadêmica, o curso de Medicina da URI têm várias matérias que visam a formação humanista (Desenvolvimento Humano, Ética, Relação médico-paciente). “Considero essa ênfase muito legal. Independentemente da especialidade que vamos seguir, isso nos diferencia como profissionais”, pontua Nathalí. Ela ainda não definiu as especialidades, porque não teve aulas práticas em todas as áreas. Até o momento, acredita ser importante conhecer todas as especialidades para ser uma boa médica generalista. De acordo com o coordenador do curso, o grande objetivo é formar um profissional generalista, mas com a preparação para buscar em sua caminhada acadêmica, futuras formações nas diferentes especialidades médicas
“Não desista desse sonho”
Quando alguém fala que quer cursar Medicina, a futura médica sempre diz pra não desistir desse sonho, pois há muita possibilidade pra ingressar no curso. Recomenda ainda, abandonar a visão romantizada da profissão, porque é necessário abrir mão de muitas coisas pela formação. “Mas diria também que é gratificante: crescemos enquanto pessoas e criamos solidez pra lidar com o mundo real”, finaliza.
Saiba mais
Sergio Bigolin é graduado em Medicina pela Universidade Católica de Pelotas (1989), especialização em Ginecologia e Obstetrícia pelo Grupo Hospitalar Conceição Hospital Fêmina Porto Alegre (1992), Tego (2004), Mestrado em Cirurgia e Experimentação pela Universidade Federal de São Paulo (2005), Doutorado em Cirurgia e Experimentação pela Universidade Federal de São Paulo (2010). Coordenador do Curso de Medicina da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões Erechim. Professor titular e orientador de monografia para graduação na área de Ciências da Saúde pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões Erechim. Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia e Cirurgia Laparoscópica e membro efetivo da Sociedade de Cirurgia Videoendoscópica do Rio Grande do Sul. Membro efetivo do Hospital de Caridade de Erechim e do Hospital Santa Terezinha de Erechim e Diretor Técnico do Hospital de Caridade de Erechim desde 2014.