A implementação do novo Ensino Médio nas escolas, vem sendo discutida no país desde 2017. A Lei nº 13.415/2017, alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e estabeleceu uma mudança no ensino médio. Com isso, foi ampliado o tempo mínimo do estudante na escola de 800 para 1.000 horas anuais e definida uma nova organização que contemple uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Como é o novo Ensino Médio?
De acordo com a coordenadora pedagógica da 15ª Coordenadoria Regional de Educação, (CRE) Taciana Vendruscolo, essas 1000 horas em sala de aula por ano irão contabilizar 30 horas semanais.
Durante a entrevista realizada na manhã desta quinta-feira (10) para a TV Bom Dia, ela explicou: “Não diminui a carga horária, na verdade aumenta. Na maioria das escolas estaduais temos o ensino médio com cinco turnos e cinco períodos, totalizando 25. Neste formato, os estudantes terão mais um na parte da tarde ou noite, com mais cinco períodos, totalizando 30 semanais. Esse sistema é em âmbito nacional”,frisou.
No Rio Grande do Sul, a carga de 1000 horas está implementada desde 2017 nas escolas.A proposta agora vem para todo o país.
Itinerários formativos
De acordo com o Ministério da Educação, os itinerários formativos, são um conjunto de disciplinas, projetos, oficinas, núcleos de estudo que os estudantes poderão escolher no ensino médio. Assim, poderão se aprofundar nos conhecimentos de uma área específica (Matemáticas e suas Tecnologias, Linguagens e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Ciências Humanas e Sociais Aplicadas), da Formação Técnica e Profissional (FTP) ou mesmo nos conhecimentos de duas ou mais áreas.
Porque implementar o novo ensino médio?
Segundo Taciana, o processo de implementação do novo ensino médio vem de propostas e experiências que vem sendo analisadas há muitos anos onde foi observado que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) das escolas de ensino médio estava estagnado, comparando com outros parâmetros de ensino fundamental. “Estava bem abaixo. Além disso, os professores afirmavam que os estudantes não apresentavam tanto interesse e ânimo nos estudos quando chegavam nesta fase.
“Notava-se também o número elevado de evasão escolar ao chegar no 1ª ano do ensino médio. Eles desistiam e depois retornavam no outro ano. Em muitos casos, porque precisavam trabalhar, em outros porque necessitavam de uma motivação”, salienta.
Novos componentes curriculares
Além da carga horária de 30 horas semanais, o novo Ensino Médio terá três novos componentes curriculares: Projeto de Vida, Mundo do Trabalho e Cultura Digital. “Estes, irão somar uma carga horária de seis períodos semanais sem retirar a formação básica. É válido ressaltar que nenhum componente foi retirado da matriz curricular original, todos se mantêm e são acrescentados estes”, afirma Taciana.
Objetivo
Conforme a coordenadora pedagógica, o objetivo é fazer com que o estudante se sinta parte da escola e tenha ânimo de estudar. “O Projeto de Vida por exemplo, vem relembrar ao aluno a importância de estudar para alcançar seus objetivos. O Mundo do Trabalho também, esse componente irá aproximar o estudante do trabalho, fazer uma ponte entre a escola e o trabalho. Assim como a Cultura Digital, que sabemos da importância para a escola de hoje e para o estudante”, destaca.
Novo Ensino Médio
A coordenadora da 15ª CRE, Juliane Bonez, explana as mudanças do novo ensino médio. “O Ensino Médio ainda passa por uma dicotomia muito grande. Sou professora há 23 anos, e sempre chegávamos à sala de aula pensando se iríamos trabalhar focado no vestibular ou no trabalho. Atualmente temos 80% da população gaúcha que frequenta a escola pública. No entanto, há um desaparecimento dos estudantes no ensino médio, por isso no ano passado foram criadas bolsas, para tentar a permanência desses estudantes. Estamos junto com as promotorias regionais em uma intensiva busca ativa, para que retornem a sala de aula para concluir o ensino médio.
Ela salienta que é necessário entender, que não é uma reforma que acontece somente dentro das escolas estaduais, acontece em todas as escolas de ensino médio. “Aquilo que era experimental em 10 escolas até o ano passado, a partir de hoje já não chamamos mais de novo, porque é para todos. O 1º ano leva o estudante a se conhecer, porque a partir do 2º e 3º aumentam as horas dos itinerários que é justamente para ir focando naquilo que o estudante tem aptidão”, explica.
Enem
Segundo ela, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) que é a porta de entrada para a universidade, a partir do ano que vem também poderá ter essa alteração. “Ele está sendo estruturado, e o ensino superior também com essa mesma lógica. É possível que o Enem terá uma prova relacionada aos conteúdos gerais e outra aos itinerários formativos, para atender esse público, já designando o curso que vai ser no superior”, comenta.
Trabalho das equipes gestoras
A 15ªCRE está trabalhando com as equipes gestoras a questão do ensino médio em todas as escolas, não somente as que possuem ensino médio. “O estudante que está no ensino fundamental já tem projeto de vida, que é justamente para estar trabalhando isso, mas nada acontece sem a nossa formação.
Para trabalhar estes novos componentes, já foi desenvolvido o curso que começou em novembro do ano passado para as equipes terem certeza do que precisam trabalhar dentro da sala de aula, de maneira integrada com outros componentes. “Se nos constituímos seres humanos dentro de nossas relações, precisamos manter isso dentro das escolas. Há muitas discussões, controvérsias, o que é normal e necessário, é um processo. Vamos ter isso dentro da escola também como uma grande novidade para o ensino médio, com o apoio das secretarias em diversas questões. A educação não é somente função da escola, deve ser também da sociedade, porque educamos onde estamos”, finaliza Juliane Bonez, coordenadora da 15ª Coordenadoria Regional da Educação de Erechim.