Com a retomada de mais um ano letivo é importante que pais e responsáveis, fiquem atentos ao comportamento das crianças durante as atividades escolares. Por meio do acompanhamento diário, é possível identificar as facilidades e dificuldades que os estudantes possam ter no processo de aprendizagem.
Um dos sinais que é aconselhável obervar em alunos de oito e 10 anos de idade, é a leitura de palavras de forma imprecisa ou lenta de forma constante. Este, pode ser um sintoma de Dislexia.
De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia (ABD) e Centro Especializado em Distúrbios de aprendizagem (CEDA), 47% dos pacientes avaliados entre os anos de 2013 e 2021 em diferentes faixas etárias possuíam Dislexia. Mas afinal, o que é isso? E como identificar os sintomas?
O que é Dislexia?
Nossa equipe conversou com a psicopedagoga clínica e especialista em terapia cognitivo-comportamental, Mara Regina Froeder, para nos explicar melhor sobre o assunto.
Conforme ela, Dislexia é um transtorno específico de aprendizagem que se caracteriza por leitura imprecisa ou lenta, dificuldade para ortografar, dominar o senso numérico, interpretar e compreender uma leitura.
Existem três grandes grupos de Dislexia: a adquirida por lesão cerebral em que o sujeito perde a habilidade de decodificar informações. Do desenvolvimento que é definida como um transtorno do neurodesenvolvimento com origem biológica. “Esta, inclui interação de fatores genéticos, epigenéticos e ambientais que influenciam a capacidade do cérebro em perceber ou processar informações com eficiência e exatidão”, destaca Mara. E ainda a Multifatorial que resulta da interação entre Adquirida e do Desenvolvimento.
Durante muito tempo, a sociedade costumava se referir à Dislexia como uma doença, mas com o avanço dos estudos e a evolução da ciência esta visão patológica já não é mais aceita. Atualmente é correto dizer que os disléxicos possuem uma forma diferenciada de aprender.
Diagnóstico
Para fazer o diagnóstico de Dislexia é necessário ter uma equipe multidisciplinar liderada por um médico neurologista, assessorado de psicológo, fonoaudiólogo e psicopedagogo. “Até o 3º, 4º ano, falamos de hipótese diagnóstica”, frisa.
A especialista explica que “o diagnóstico é feito em crianças entre oito e 10 anos de idade, pois há de se considerar que alguns atrasos por motivos familiares, educacionais, maturacionais e adaptativos, podem influenciar nas dificuldades de aprendizagem”. Ela ainda ressalta, que o diagnóstico é feito a partir das premissas do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno Mentais (DSMV).
Principais sintomas
Em relação aos sintomas, cada criança possui um caso único. Ao existir uma disfunção em alguma área cerebral e suas respectivas conexões corticais, as manifestações tem traços particulares. Mesmo assim, é importante ficar atento aos principais sinais, como: leitura de palavras de forma imprecisa ou lenta, não compreender o sentido do que é lido, ao ortografar, adicionar, omitir, substituir vogais e consoantes, má pronúncia de palavras familiares e registro, dificuldade com rimas e canções, desajustes com relação a estruturação espacial e temporal,falhas no esquema corporal e lentidão do fonema transformar-se em grafema.
Confirmação de diagnóstico e tratamento
A psicopedagoga explana, que de acordo com a International Dyslexia Society, na Dislexia, “deve ser observado que as diferenças são pessoais, o diagnóstico é clínico, o entendimento é científico e o tratamento é educacional.
É possível os adultos terem Dislexia?
Para perceber a Dislexia, o primeiro passo é ficar atento aos sinais, como dificuldade para compreender a leitura, noções de tempo e espaço, erros ortográficos, como trocas, inversões, omissões ou acréssimo de letras ou sílabas. “Ao obeservar a presença de alguns destes sintomas o indivíduo precisa ser encaminhado para avaliação multidisciplinar para verificar o caso e se preciso iniciar um tratamento”, orienta Mara Regina Froeder, psicopedagoga clínica e especialista em terapia cognitivo-comportamental.