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Ensino

Alunos do campus de Erechim IFRS desenvolvem aeromodelo para competição nacional

Sonho que começou na sala de aula, busca recursos para chegar ao campeonato da SAE BRASIL AeroDesign

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Atualmente, os estudantes buscam ajuda da comunidade e das empresas para dar continuidade ao projeto
Por Da Redação
Foto Joi Zamboni

Que tal construir um avião? Essa foi a proposta do professor do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), Enildo de Matos de Oliveira, a seus alunos do curso de Engenharia Mecânica, em 2016.

Motivado por projetos que teve contato em outras instituições de ensino, o educador, plantou a semente na busca de incentivar jovens estudantes a formarem uma equipe, com o objetivo de criar uma aeronave rádio controlada, para participar da Competição SAE Brasil AeroDesign, iniciativa que busca difundir e ampliar conhecimento sobre tecnologia aeronáutica no país entre estudantes. “Para nós foi um grande desafio, pois não temos um setor dedicado para aerodinâmica em Erechim, apesar da engenharia mecânica fazer parte também desta área. Mas sabíamos a importância de criar esse projeto para formação dos estudantes e também para incentivar nossa região em uma nova área, que é o desenvolvimento de aeronaves”, explicou.

Atento ao professor e sua proposta estava o aluno, Valério Elias Vedoi, que aceitou a ideia junto com outros colegas dando início ao trabalho de pesquisa, que durou cerca de cinco anos.  Com auxílio de outro professor, Everton Farina, o grupo se dividiu em áreas específicas do projeto, passando pela área conceitual, preliminar e agora está iniciando a parte detalhada que necessita do desenvolvimento do protótipo para testes. “Nosso objetivo é que em outubro deste ano, já tenhamos nossa primeira aeronave concluída”, lembra Matos.

Cinco anos de pesquisa

Ao lado dos mestres Enildo de Matos de Oliveira e Everton Farina, Valério, conta que para chegar no estado atual da aeronave, foi necessária muita pesquisa.  Estudos que serviram como base para o aperfeiçoamento do projeto para o futuro. “Não foi apenas criar um aeromodelo rádio controlado, mas sim uma empresa, para desenvolver uma aeronave. O objetivo principal é que esse modelo consiga transportar até 4kg de carga e seu peso total não ultrapasse os 20 kg, como estão nas regras do concurso.”, destacou o jovem.

Empréstimo de computador

Durante a pandemia de Covid-19, Valério lembra que com o apoio dos professores, a equipe conseguiu um computador emprestado pela instituição de ensino pública, para garantir o cronograma, onde seguiu o trabalho de pesquisa e simulações em casa. “Foram necessários vários testes, desde qual material seria utilizado na construção até simulações de voo da aeronave rádio controlada. Como não podíamos fazer reuniões presenciais, usávamos redes sociais e com esse apoio conseguimos desenvolver toda a base de introdução teórica do projeto”, ressaltou.

Ajuda da comunidade

Para seguir com o projeto, os acadêmicos agora precisam de ajuda da comunidade e das empresas, por meio de doações, assim poderão comprar o motor, controle remoto, bateria, hélices entre outras peças e acessórios utilizados na construção da aeronave. “Essa iniciativa é muito promissora, para região e os alunos, pois estaremos desenvolvendo novos profissionais e também levando o nome de Erechim e do Alto Uruguai, para um evento nacional e até mesmo internacional que é referência em sua área da tecnologia”, destaca o professor Enildo de Matos de Oliveira.

Valério explica, que as doações são para itens básicos e de baixo custo, e como é requisito de o regulamento buscar apoio de modo a existir um relacionamento externo com empresas, hoje o grupo formado por voluntários, as doações se fazem necessárias. “São itens básicos e simples, quem tiver o interesse em ajudar, pode entrar em contato conosco por meio do IFRS campus de Erechim”, finaliza.

Reconhecimento

Em 2022 o projeto dos alunos erechinenses foi publicado e reconhecido por meio de um artigo científico em uma revista renomada da área. “Ficamos muito felizes com esse momento, pois para desenvolver o projeto foi necessário o uso de muitas matrizes e metodologia junto com muitas reuniões, já que a competição não limita a criatividade, deixando assim dúvidas para iniciantes como nós. Todos os passos foram muito difíceis”, comenta Valério. 

Sistema empresa

Em fase de finalização de curso, os primeiros membros, devem deixar o projeto, regra esta imposta pelo regulamento, por isso, novos alunos da instituição deverão estar iniciando no programa para dar sequência à iniciativa. “O grupo inicial era composto por quatro alunos, Osvair Cavaleski, Eduardo Moter Valério Elias Vedoi, Gustavo Neumann. Mas uma regra da competição é que o projeto funcione como uma empresa, ou seja, com vida própria, assim os formandos são obrigados a deixar o programa e abrir oportunidades para novos alunos que poderão agregar novos conhecimentos ao que foi desenvolvido. Atualmente são cinco alunos e três professores que se dedicam ao programa”, explica o professor Enildo de Matos de Oliveira.

Um dos jovens membros do projeto é o acadêmico, Gregori Júnior Rossi Fitarelli de 22 anos. “Fiquei sabendo durante uma aula e sempre me interessei por aviões, então decidi me inscrever no programa, estou muito feliz em ter a oportunidade de poder seguir o trabalho iniciado por meus colegas”, ressalta.

Classificatórias

A competição do SAE foi criada em 1999 sendo dividida em etapas. A primeira delas consiste na competição de acesso. Nessa fase, os estudantes irão produzir um vídeo sem cortes do aeromodelo voando com segurança, após ele sendo pesado e devem demostrar também todos os itens que o compõem o equipamento. Caso classificada a equipe erechinense que recebeu o nome de “Aldebara” segue para etapa nacional em São José dos Campos, São Paulo de modo presencial.

Segundo os estudantes, o objetivo é que o grupo participe das etapas de 2022, mas busque a classificação nacional apenas em 2023.

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