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Ensino

Volta às aulas exige readaptação das crianças à rotina

Psicóloga especialista em desenvolvimento e aprendizagem dá dicas de como a família pode se organizar para esse período

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Letícia Dezordi, especialista em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem
Por Ragnara Zago
Foto Pexels / Arquivo pessoal

O processo de ensino-aprendizagem é de extrema importância para a evolução do ser humano. Para isso, o ano letivo é estritamente organizado, incluindo o tempo de descanso intitulado como férias. No retorno das atividades é necessário planejamento e organização, para que todos os planos propostos ao longo do ano, sejam concretizados com sucesso.

Essa missão é dos pais que ao lado dos filhos precisam de engajamento na busca por uma rotina fácil, leve e prazerosa. Pensando nisso, o Grupo Bom Dia conversou com a psicóloga Letícia Desordi, especialista em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem que contribuiu com dicas e conceitos que somam com o processo.

Bom Dia: Como as famílias podem buscar uma organização prévia para o processo que antecede a volta às aulas?

Caso a criança não conheça a escola que irá estudar, tente apresentar a instituição para ela antes das aulas iniciarem; convide para realizar os preparativos para as aulas, como a organização do material escolar; faça o caminho de casa para a escola, conversando com a criança que esse será o trajeto que farão nos próximos dias; encoraje o vínculo com os educadores; dias antes inicie a adaptação da rotina da criança, como: horário para dormir, o tempo das telas; converse sobre o novo ano e esteja atento ao emocional da criança.

Bom Dia: Quando o período iniciar, de que maneira é possível adaptar a rotina para deixar a adaptação mais leve, trazendo segurança tanto para os filhos quanto aos pais?

A adaptação é um processo para todos! No caminho da escola fale para a criança quem ela vai encontrar nesse espaço, o que ela vai fazer. Conte à ela o nome da Prof.ª, da escola, qual será sua turminha/nível. Tire as dúvidas e acolha os sentimentos que poderão surgir. Uma dica para os primeiros dias: faça uma pulseirinha de miçangas e use você e a criança. Para a criança entender que mesmo vocês estando longe, estarão ligadas e juntos por essa pulseira. Diga à criança para dar um beijo na pulseira quando ela sentir saudade e assim lembrar que logo mais estarão juntas novamente. Você pode também fazer um desenho ou colar um adesivo na mão dela! Pode ser que a sua criança chore. Lembre-se é um lugar novo, são pessoas novas, rotina nova. Tudo novo! A ideia da adaptação escolar é justamente, para que aos poucos ela vá se familiarizando e esse local passe a se tornar conhecido. Não se atrase nos primeiros dias para buscar a criança; não saia escondido; demonstre seu amor e acolhimento; cada criança reage de um modo e tem o seu tempo de adaptação; no retorno para casa, façam algo juntos! Não recompense a criança pela ida a escola, prejudicará a percepção da criança sobre a importância da escola.

 

Bom Dia: Sabemos que uma rotina pré-estabelecida é de extrema importância. Isso facilita a aprendizagem dos pequenos e traz mais tranquilidade para toda a família?

Sim, pois a criança pode desse modo visualizar as atividades que precisa realizar durante o dia, desenvolvendo habilidades como noção de tempo, responsabilidade, organização e autonomia. É valido ressaltar que precisamos valorizar e reforçar os comportamentos positivos das crianças para que aumentem a probabilidade de eles acontecerem, pois em muitos casos o foco é somente naquele comportamento disfuncional. Crie um cartaz de previsibilidade juntos, abordando em imagens os principais momentos que acontecerão no dia antes da escola, na escola e depois da escola.

Bom Dia: Durante as férias as telas são utilizadas pelas crianças com mais frequência. Como reduzir o consumo até o início das aulas, para a ferramenta não atrapalhar na evolução e etapas do desenvolvimento da criança?

O primeiro ponto é estarmos atentos ao tempo de uso das telas. Especialistas chamam a atenção envolvendo a quantidade de horas que crianças e adolescentes passam conectados. Crianças menores de 2 anos não é indicado nenhum contato com telas ou videogames; dos 2 aos 5 anos é indicado até uma hora por dia; dos 6 aos 10 anos entre uma e duas horas por dia; dos 11 aos 18 anos entre duas e três horas por dia. É necessário você supervisionar a atividade dos menores em sites e aplicativos. Muitos celulares e serviços online, inclusive, possuem ferramentas e filtros que permitam esse controle parental. Orienta-se que não utilizem computadores, tablets e celulares em lugares isolados da casa. Limite o contato com estímulos luminosos que vem das telas conforme anoitece. É durante o descanso noturno que o corpo se desenvolve e o cérebro solidifica as memorias e aprendizados. Outro sinal de que a criança está exagerando no tempo de telas é o abandono, parcial ou completo, de todas as atividades fora da internet, como práticas esportivas, culturais e de lazer. A substituição do convívio com amigos, pais ou familiares pelas telas. O uso excessivo de celulares e/ou outros dispositivos conectados à internet pode dar as caras à problemas no corpo e na mente, como: transtornos do sono, transtornos alimentares, sedentarismo, obesidade, dores de cabeça, dores musculares (relacionados a postura), irritabilidade, agressividade e condutas violentas, ansiedade e depressão.

Bom Dia: Que práticas são importantes para ajudar na saúde mental da criança?

A infância é uma fase de muito aprendizado e que marcará a vida ainda mesmo depois de adulto. É nela que entendemos aspectos essenciais para a vida, e por isso, que a criança precisa se sentir acolhida, validada e compreendida. Auxilie ela a identificar, nomear e lidar com suas emoções. Qualificar para as emoções é também uma aprendizagem sobre si e sobre o outro. O seu filho só precisa ser ouvido sem ser julgado, sem ser punido, sem ser invadido. De fato, quando as crianças estão tomadas de grandes emoções, nossa função enquanto adultos é oferecer calma e não nos juntarmos ao caos delas. Rotina, atividade física, alimentação e sono equilibrado, limite no uso das telas são hábitos saudáveis que auxiliam na saúde mental das crianças e dos adolescentes. Elas também precisam de acolhimento e cuidados com a saúde mental!

Bom Dia: Quais os sinais de que essa saúde mental pode não estar ‘funcionando’ da maneira correta?

Se você perceber que o seu filho vem apresentando mudança frequente de humor, emoções intensas como explosões de raiva ou medos excessivos, comportamentos agressivos, isolamento, dificuldade em se concentrar na escola ou para realizar atividades do seu dia a dia, dificuldade para dormir, queixa de dores ou desconfortos físico, está negligenciando a aparência, apresenta queixa em relação ao seu peso, forma ou aparência, distúrbio alimentar, pprecisa ficar atento! Lembre-se, as crianças não dizem: “tive um difícil. Podemos conversar?” Elas dizem: “Poderia brincar comigo, vamos fazer algo juntos?”

Em alguns casos, é possível que esses exemplos citados, representem sintomas ou indícios de que a saúde mental da sua criança precisa de um olhar afetuoso e de mais cuidado. Se sentir necessidade, busque orientação de um profissional especializado.

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