Estimular a pesquisa desde a infância só agrega na vida da criança e do jovem futuramente. O fomento a curiosidade e a descoberta são fontes de busca do conhecimento. Ao buscar conhecimento crianças e jovens começam a ter um maior contato com a leitura, a escrita e o pensamento crítico.
De acordo com o Professor e pesquisador da Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS) campus de Erechim, Thiago Ingrassia Pereira: “A pesquisa é um braço da ciência, a ciência ganha corpo com a pesquisa, então ela perpassa como elemento transversal, seja qual for o tipo de ensino em qualquer nível, ela deve estar presente. O que vemos muitas vezes na prática é algumas dificuldades de operacionalização por dois pontos pela estrutura física e pela estrutura humana. Então você precisa para produzir conhecimento ter estrutura: biblioteca, laboratório de ciências, computador, internet acessível, e precisa de pessoas capacitadas para construir isso didaticamente e cientificamente. Mas objetivamente, a ideia da pesquisa é algo que acompanha uma educação de qualidade, pensar numa educação de qualidade em qualquer etapa educacional, da educação infantil ao doutorado, está presente de alguma forma”.
O ato de pesquisar é investigar, buscar informações referente ao assunto do interesse de quem investiga, abrange todas as áreas de conhecimento: artes, matemática, ciências da natureza, ciências humanas, linguagens, ciências exatas. Hoje com a acessibilidade das informações na internet também há a necessidade de sermos criteriosos ao realizarmos uma busca por algum tema.
Informação versus Conhecimento
“Informação não é a mesma coisa que conhecimento, andam juntos, mas não é a mesma coisa, vivemos numa sociedade da informação e a própria ideia de informática é de “informação automática”, a internet popularizou o acesso às informações. Não necessariamente, se você não tem orientação, não tem uma organização, não tem um cuidado de fontes, esse grande volume de informações, que por um lado seria interessante pelo viés da democratização, quando não há esse filtro isso pode gerar um cenário caótico. Como por exemplo, a internet em si não é boa e nem ruim, é uso que você faz. Como você vai fazer o uso? Vai fazer orientado, principalmente se você é criança, jovem, então o papel do professor ser o profissional do conhecimento e não da informação”, complementa Thiago.
A importância dos professores
A orientação de professores nessa etapa de ensino, seja na fase inicial ou final, é significativa. O professor é o mediador no processo de aprendizagem dos alunos.
Para Paulo Freire, ensinar não é um mero ato de repassar conhecimento. A pedagogia deve deixar espaço para o aluno construir seu próprio conhecimento, sem se preocupar em repassar conceitos prontos, o que frequentemente ocorre na prática tradicional: “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção” (2002). Ele afirma ainda que “sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino”.
O desafio da educação básica
“Como chegamos na escola tendo essa previsão de currículo falando da questão da exploração, da curiosidade, volto a dizer que para se colocar isso na prática é necessário estrutura, é preciso ter intencionalidade político pedagógica. Mais do oferecer pesquisa nas escolas, mais do que estar previsto normativamente, é como faremos isso com uma categoria cansada, uma categoria que ganha muito menos do que deveria, uma categoria que muitas vezes não tem incentivo de carreira para formação continuada”, questiona Thiago.
A ideia de incluir a pesquisa científica é ótima, mas sabemos que para ser aplicada, principalmente nas redes públicas é necessária uma movimentação estrutural para que de fato a pesquisa possa fazer a diferença na vida de crianças e jovens. São vários pontos político-sociais envolvidos a serem debatidos.