A escola é o local em que crianças e adolescentes darão os primeiros passos para direcionar suas competências e objetivos, além de ser um espaço que os permite criar novas amizades, aprender a conviver, desenvolver habilidades e conhecimentos. Cada estudante possui as suas particularidades, alguns terão mais facilidade em aprender certas disciplinas e outras não, poderão ir bem em todas as matérias, assim como poderão precisar de reforço. Mas até que ponto os empecilhos na aprendizagem podem ser considerados comuns?
De acordo com a Dra. Carla Munaretto, médica especialista em psiquiatria, a primeira coisa que temos que entender é por que a criança está com essa dificuldade, se não se trata de uma deficiência intelectual, transtorno de déficit de atenção, hiperatividade, transtornos mentais como a ansiedade, que possam estar comprometendo o desempenho dessa criança. O local escolar é onde, geralmente, esses distúrbios irão se apresentar mais acentuadamente, mas é necessário também observar o comportamento em casa na hora de fazer os temas, estudar, fazer os trabalhos.
Observação
“É preciso avaliar com calma antes de pensar em tratamento, que será a segunda etapa após o processo, pois sem uma boa avaliação não haverá um tratamento eficiente. Cada criança tem que ser vista e ter um tratamento individualizado, de acordo com o seu transtorno mental. E dificilmente, ela terá apenas um em questão, é mais comum ter outras comorbidades. Atualmente, sabemos que não se trata apenas o transtorno principal, devemos tratar os demais. Não adianta desenvolver o prognóstico para trabalhar um transtorno mental, sendo que futuramente a probabilidade de haver outro mais grave é muito grande”, explica Dra. Carla.
Os pais devem ficar atentos aos sinais para que, se necessário, procurem auxílio profissional o quanto antes. Em alguns casos, a escola contata a família para conversar sobre possíveis problemas em relação ao rendimento nas aulas.
O que são transtornos de aprendizagem?
Estão relacionados aos distúrbios de neurodesenvolvimento que podem afetar a capacidade de focar a atenção em uma atividade, compreender e utilizar a linguagem falada, escrita e/ou cálculos matemáticos e dificuldades na coordenação motora. Os sinais e sintomas graves já podem ser diagnosticados no início da infância, já os moderados e leves podem se manifestar na idade escolar.
Conforme as informações levantadas com a psiquiatra, um dos transtornos mais comuns são a deficiência intelectual, os transtornos de ansiedade, transtornos do neurodesenvolvimento, em que entra o TDAH. Na pré-adolescência, podem surgir os transtornos depressivos e/ou os transtornos de ansiedades que podem se apresentar dos 5 aos 24 anos.
Deficiência Intelectual
“Uma criança que tem deficiência intelectual apresenta desde o início da infância, como o TEA (Transtorno do Espectro Autista). Por isso, é primordial todo o acompanhamento desde a gestação, o parto, o desenvolvimento neuropsicomotor, fazer uma avaliação bem detalhada. A análise de crianças e adolescentes é mais demorada do que de um adulto, é preciso conversar com os pais, com o paciente em questão, com a psicóloga e com a escola. Envolve toda uma equipe multidisciplinar. E todos tem que trabalhar junto de uma maneira coesa para promover o desenvolvimento da criança.”, acrescenta Carla.
Aceitação da família
Antes de rotular ou estigmatizar, é necessário tentar entender. A escola pode estar com a melhor das intenções, mas também depende de os pais estarem abertos para ouvir e compreender, pois quando a escola chama é para ajudar e não levar a situação como uma crítica. Tendo que enfatizar que toda criança, mesmo com suas limitações tem chance de evoluir, isso também deve ser reforçado para os pais.
A escola
É importante que toda a equipe escolar passe por capacitações, atualizações e formações que forneçam instruções para saber trabalhar com alunos que tenham distúrbios de aprendizagem. Para dar mais subsídios aos profissionais da educação a enfrentarem e detectarem as dificuldades das crianças para que a situação seja administrada de uma forma que o aluno possa progredir.
Os pais também têm que receber um feedback positivo quando o filho tiver progresso nas tarefas e não só serem chamados quando eles têm problemas.
O tratamento
Dra. Carla aconselha, “Devemos ter cuidado com frases do tipo: “é preguiça”, “ele não gosta de estudar”, “ele não está nem aí”, porque o jovem que tem dificuldades, automaticamente não se sentirá atraído em frequentar a escola por causa de sua performance diferenciada em relação aos outros colegas. O aluno vai percebendo a evolução dos outros, enquanto ele vai ficando para atrás. Logo, entendemos o motivo de tantos jovens abandonarem o ambiente escolar, o desencadeamento dos problemas de autoestima muitas vezes acompanhados da depressão, alguns podem sofrer bullying, passar por diversas reprovações. Não é falta de inteligência, apenas limitações que com o tratamento correto podem ser revertidas”.
Os responsáveis podem ter receio no início ao procurar orientação médica para os seus filhos, além de um certo prejulgamento em relação a administração de medicamentos.
Há quadros em que o paciente pode aderir a psicoterapia, existem vários tipos de métodos, de acordo com o diagnóstico. Às vezes se associa a medicação junto. A criança poderá tratar por um período, e depois, se houver resultado, a medicação pode ser retirada. “E não quer dizer que porque usou medicamentos na infância, que irá utilizar posteriormente. Pode ser que o uso seja somente naquele período e mais adiante não tenha mais problemas. Quanto antes tratar, melhor. A prevenção é a melhor escolha, para que futuramente a situação não se agrave”, finaliza Munaretto.