Hoje, 14 de março, é o dia internacional da matemática, conforme a Associação de Professores de Matemática (APM), é uma celebração mundial em que todos os países são convidados a participar em atividades para alunos e público em geral, em escolas, museus, bibliotecas e outros espaços. Para que esse dia não seja mais um dia e possa se tornar num fator mobilizador para o envolvimento de alunos e professores em projetos de escola, de turma ou mesmo da disciplina em cada escola , contribuindo assim também para a melhoria da relação dos alunos com a Matemática e das suas aprendizagens.
Josiéli Tonin Pagliosa é natural de Gaurama, possui vinte anos de experiência como professora. Começou a sua formação como educadora na Escola Estadual Normal José Bonifácio no período do ensino médio, na sequência fez o curso de Matemática na URI Campus Erechim, a Pós-graduação em informática aplicada a educação, a qual foi fundamental para iniciar os seus estudos voltados para a área das tecnologias e hoje faz mestrado em matemática pela UFFS Campus de Chapecó. Atualmente leciona na Escola JB, em Erechim, com as turmas de ensino médio.
A Competição
Em 2023, incentivada pela escola que trabalha, Josi participou da Olimpíada de Professores de Matemática do Ensino Médio (OPMBr) que se dividiu em três fases. A primeira, realizada em outubro do ano passado, era composta de um questionário e de uma avaliação didática. A segunda fase consistiu na avaliação feita através de um questionário sobre os métodos usados pelo professor em sala de aula e fora dela, bem como vídeos demonstrativos, com o objetivo de identificar melhores práticas no ensino de Matemática no ensino médio no Brasil e no mundo. Por fim, a terceira e última foi uma entrevista com o Comitê Acadêmico da OPMBr, realizada em dezembro de 2023.
“A princípio, pensamos ser algo muito distante, por ser uma competição nacional em um nível difícil, sabemos que existem excelentes profissionais espalhados por todo o país, mas encaramos o desafio e realizamos a inscrição. A Olimpíada passou por três etapas, sendo a primeira delas uma prova, em que estavam sendo avaliados cerca de 500 candidatos e restaram 68 classificados. A segunda etapa reuniu os 68 classificados para produzir um vídeo sobre o nosso trabalho em sala de aula sobre as atividades desenvolvidas e passar pela avaliação do material pela comissão da Olimpíada. Posteriormente, restamos os vinte e em dezembro fizemos uma entrevista, com o Conselho Acadêmico, incluindo Cristovam Buarque idealizador da competição. Agora aguardamos o resultado, pois os vinte selecionados ficarão entre dez finalistas, recebendo uma medalha de ouro e uma viagem internacional, a classificação será divulgada no dia 27 de março”, conta a Professora.
“Independente de qual for o resultado, estar entre os vinte melhores professores de matemática do país, ter participado dessa experiência inesquecível me trouxe um grande aprendizado e uma enorme valorização tanto pessoal quanto profissional. Poder estar contribuindo com o aprendizado matemático nas escolas, que é uma dificuldade da grande da maioria dos alunos, vemos isso pelas avaliações e pelos índices. Então, fazer com que os meus alunos gostem de matemática, se interessem em aprender, gostem de estar nas minhas aulas, e principalmente estar podendo fazer tudo isso em uma escola pública que é a JB, que eu tenho um carinho muito especial, pois fui aluna e hoje sou professora”, finaliza Josi.
Aproximar a matemática da rotina dos alunos
Ao perguntar para Josiéli Pagliosa sobre os desafios de ensinar a matemática, ela conta que inclui ações do cotidiano para fazer com que os alunos se interessem mais pela matéria, para que aprendam e possam tornar o ambiente da sala de aula mais cativante. Desde atividades com os games, que englobam a área da tecnologia em que eles têm muito interesse, jogos físicos, trabalhar a área da matemática em um passeio na escola, medir, observar a matemática presente, o cálculo de áreas e volumes a partir de materiais concretos, colocar situações do dia-a-dia na dinâmica da sala de aula, a partir de um recibo, uma conta de energia elétrica, uma conta de água, ou um folder com propagandas de descontos do supermercado.
O canal no YouTube
O período da pandemia foi desafiador para a professora, em que se deparou com uma situação com a exigência de trabalhar com a matemática e ensinar os estudantes à distância. Então, surgiu a ideia de criar um canal no YouTube, com a gravação de videoaulas trabalhando os conteúdos, que continua ativo e serve como uma forma de auxiliar e dar apoio aos alunos nas aulas que tiverem dificuldades. Se precisarem estudar para uma prova podem contar com as aulas gravadas para reforçar o conteúdo selecionando o material disponibilizado no canal.
A tecnologia aliada do ensino
“Sobre a questão tecnológica no espaço da escola, é um recurso que se for bem explorado e trabalhado vem a contribuir muito com as nossas aulas, porque o aluno vive nesse meio, para o jovem o mundo gira em torno da tecnologia e poder aproveitar o uso do celular como algo benéfico para aprendizagem. Hoje em dia possuímos muitos aplicativos, conseguimos produzir materiais na palma da mão. Claro que, não podemos ficar apenas em atividades mecânicas ou só no tecnológico, devemos usar essas ferramentas com uma infinidade de possibilidades, mas sem deixar o ser humano de lado, sem deixar o carinho, a atenção, o olhar diferenciado para um aluno que tem dificuldade ou tem mais facilidade, mas está enfrentando um problema, a importância das relações de amizade entre aluno e professor”, complementa Josiéli.